No RD Entrevista, candidato do União Brasil fala sobre independência partidária, se define como conservador e diz que pretende atuar tecnicamente na Câmara dos Deputados
Porto Velho, RO – A mudança do PDT para o União Brasil não significou, segundo Célio Lopes, uma transformação pessoal ou uma ruptura com todas as posições que acumulou durante sua formação política. Candidato a deputado federal, o advogado afirmou no RD Entrevista que pretende preservar autonomia mesmo diante de orientações da atual legenda e chegou a dizer que prefere ser expulso a votar contra aquilo que considera interesse da população.
A declaração ocorreu no podcast apresentado por Vinícius Canova, realizado no Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia, conexão direta com a verdade, durante uma conversa que percorreu desde a origem familiar de Célio e sua entrada na advocacia até a campanha para prefeito de Porto Velho em 2024, a Previdência Social e a concessão da BR-364.
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Ao ser confrontado com sua passagem por um partido identificado com o trabalhismo e a atual candidatura pelo União Brasil, Célio rejeitou a ideia de que tenha alterado completamente suas convicções. “Eu continuo sendo a mesma pessoa. Eu realmente tenho um perfil mais conservador, isso é um fato. Mas eu sei que tem políticas públicas muito importantes, porque eu sou fruto de ProUni”, afirmou.
Na mesma resposta, declarou enxergar propostas positivas e negativas em campos políticos diferentes. Célio relacionou sua entrada no PDT ao entendimento que tinha, naquele período, de que a educação era o principal caminho para enfrentar problemas sociais e citou a atuação de Leonel Brizola nessa área como uma referência para sua escolha partidária.
Ao explicar o tipo de debate público que pretende priorizar, o candidato contrapôs discussões ideológicas a problemas que encontra em sua atuação profissional. Disse preferir tratar da população que aguarda exames e procedimentos médicos e mencionou dificuldades para conseguir ressonâncias e tomografias. “A preocupação, de fato, é uma preocupação com as pessoas, mas eu tenho um perfil bem mais conservador”, resumiu.
A entrevista ganhou um tom mais duro quando a conversa chegou aos partidos. Célio criticou aspectos do sistema eleitoral proporcional e disse considerar que os candidatos mais votados deveriam ocupar as vagas. Também afirmou que, se pudesse disputar uma eleição sem precisar escolher uma legenda, essa seria uma alternativa possível para ele.

Foi durante essa sequência que generalizou sua crítica às agremiações ao abordar corrupção. “A verdade é que os partidos, quando a gente vai olhar para a questão de corrupção, todos estão envolvidos”, declarou. A afirmação foi seguida por perguntas sobre episódios relacionados à antiga legenda, momento em que ele diferenciou responsabilidades individuais e disse não atribuir automaticamente acusações a uma pessoa apenas em razão do partido ao qual pertence.
Célio sustentou, porém, que não pretende silenciar diante de uma decisão que considere errada apenas para preservar a relação com a sigla. “Não interessa quem esteja contra. Pode ser o próprio partido ao qual eu estou filiado. Assim como eu vou para o União Brasil: se estiver errado, eu vou ser contra o União Brasil”, afirmou.
A declaração seguinte sintetizou a posição apresentada durante a entrevista. “Eu não vou ser a favor do partido e contra o povo. Não tem essa possibilidade de eu ser contra o povo a favor do partido. O partido falou para tu votar contra o povo? Então o partido que me expulse”, disse.
Essa defesa de independência foi acompanhada de outra característica que Célio procurou associar à candidatura: o domínio técnico das matérias submetidas ao Congresso. Ao longo da conversa, ele insistiu que um deputado federal precisa compreender processos administrativos e documentos complexos para fiscalizar e decidir.
O principal exemplo utilizado foi a concessão da BR-364. Célio afirmou ter estudado o contrato, disse que o documento ultrapassa 300 páginas e anunciou que pretende buscar sua revisão se conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
“Se eu for deputado federal, nós vamos revisar esse contrato, porque nós temos meios para revisar esse contrato”, afirmou. Ao tratar do prazo e das consequências que atribui ao acordo, acrescentou: “Então isso não é um contrato, é uma sentença. Eu gosto de dizer que é uma sentença”.
A ideia de capacidade técnica voltou ao centro da entrevista quando o assunto passou para Previdência Social e aposentados. Célio criticou o tratamento dado pela União ao segmento e mencionou a discussão sobre vinculação dos benefícios ao salário mínimo. Segundo ele, trabalhadores que contribuíram durante anos deveriam ter sua trajetória reconhecida.
Depois, afirmou que o problema da Previdência está ligado à fiscalização sobre os recursos. “Se a gente não roubar a Previdência, ela não quebra”, declarou. A partir daí, relacionou a discussão diretamente ao papel do Legislativo. “Eu não sei como uma pessoa consegue ser deputado federal e não sabe ler um processo”, disse.
Para Célio, o mandato não deve ser compreendido como uma relação pessoal entre eleitor e político. Ele defendeu a escolha de representantes preparados para desempenhar funções públicas em nome da sociedade. “A pessoa tem que realmente ter técnica para ocupar o espaço. Tem que ter porque o povo depende disso. Nós estamos elegendo um representante, não é um amigo”, afirmou.
A candidatura atual surge dois anos depois de Célio disputar pela primeira vez a Prefeitura de Porto Velho. No RD Entrevista, ele tratou 2024 como uma experiência que ampliou sua projeção pública. O advogado recebeu 29.358 votos e descreveu aquela eleição como uma “grande vitória” e uma “vitrine”.
Segundo seu relato, o nível de conhecimento de seu nome ainda era limitado quando a campanha terminou. Célio disse que uma pesquisa apontava que 47% da população o conhecia ao final da corrida eleitoral e usou o dado para explicar por que considera expressiva a votação obtida. Também reclamou da quantidade reduzida de debates e argumentou que menos oportunidades de exposição favorecem candidatos que já chegam à disputa com maior reconhecimento público.
Dentro dessa reconstrução da eleição, Samuel Costa recebeu atenção especial. Célio contou que chegou a questionar pessoalmente por que o adversário insistia em confrontá-lo quando ambos ainda buscavam crescer na disputa. No balanço feito agora, contudo, avaliou que os embates foram úteis para sua campanha porque abriram espaço para que apresentasse propostas.
“Ele me deu muita oportunidade de mostrar que eu estava preparado”, afirmou, depois de recordar que utilizava as perguntas de Samuel para falar sobre educação e outros pontos de seu programa. Célio também admitiu que o primeiro debate provocou nervosismo por colocá-lo diante de adversários com maior projeção pública.
De acordo com o candidato, aquela participação marcou o início de uma ascensão nas pesquisas. Ele também recuperou um confronto com Euma Tourinho. Disse que a intenção inicial era discutir se a idade de um candidato deveria ser determinante para avaliar sua capacidade de governar Porto Velho, mas que precisou reagir de maneira mais firme depois dos questionamentos recebidos.
Célio associou o desempenho nos debates a uma preparação que, segundo ele, antecedeu a campanha. Relatou conversas com profissionais ligados às áreas de finanças e educação e disse ter procurado verificar se compromissos apresentados no plano de governo poderiam efetivamente ser executados.
A preocupação, afirmou, tinha relação também com sua condição de morador de Porto Velho. Célio argumentou que continuaria vivendo na cidade e seria cobrado pessoalmente caso assumisse compromissos eleitorais que depois não conseguisse cumprir.
A experiência como advogado previdenciário apareceu como outro elemento dessa construção política. Célio afirmou que seu escritório atende pessoas em situação de vulnerabilidade, inclusive pacientes que procuram a Justiça em busca de cirurgias e outros atendimentos no sistema público. Citou a existência de processos envolvendo espera prolongada por procedimentos médicos e disse que esse contato influencia as prioridades que apresenta na campanha.
A relação com esse público começou antes da formação universitária. Célio contou que cresceu ligado aos pescadores e que iniciou o trabalho ainda muito jovem no Cai N’Água, acompanhando atividades da família. Segundo ele, o pai era pescador e sua infância foi marcada por uma rotina de trabalho iniciada de madrugada.
Mais tarde, enquanto estudava, passou a ajudar na elaboração de recursos administrativos para pescadores que buscavam benefícios. Ele afirmou que inicialmente não planejava exercer advocacia e que chegou a considerar concursos públicos depois de se formar em Direito. A aproximação com demandas previdenciárias, porém, acabou conduzindo à especialização profissional que mantém atualmente.
Célio também relatou que sua primeira aproximação mais direta com a política ocorreu quando ainda era menor de idade. Disse ter procurado a administração pública para reclamar de um lanche fornecido em um programa destinado a jovens trabalhadores e que, depois da iniciativa, foi convidado a ingressar na atividade partidária. A partir dali, passou a participar de manifestações e mobilizações, embora tenha afirmado que durante muito tempo não pretendia disputar eleições.
A atual campanha, segundo ele, exige uma dinâmica diferente daquela enfrentada na disputa pela Prefeitura. Sem a mesma quantidade de debates e confrontos de uma eleição majoritária, Célio afirmou concentrar esforços no contato direto e nas redes sociais, citando Instagram e WhatsApp. Disse também caminhar vários quilômetros durante a rotina eleitoral e reconheceu que não ocupa a posição de prioridade dentro do partido.
No trecho final da entrevista, Célio voltou à ideia de representação para explicar como pretende se apresentar ao eleitor. Em vez de reivindicar uma origem familiar na política, procurou destacar o que chamou de condição de “pessoa comum”.
“Eu acredito que o Célio é uma pessoa comum e, se tem uma coisa que está faltando na política, é uma pessoa comum. A gente não precisa acreditar que o político bom é aquele que é filho do ciclano, filho do beltrano. O bom político é aquele que mais parece conosco”, declarou ao encerrar sua participação no RD Entrevista.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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