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Debate ao Governo de Rondônia na Globo: os melhores e piores momentos de cada um dos seis candidatos

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Confrontos envolveram saúde, segurança, saneamento, infraestrutura, orçamento e regularização fundiária; análise reúne os principais momentos de afirmação e de exposição de Expedito Netto, Marcos Rogério, Samuel Costa, Adailton Fúria, Pedro Abib e Hildon Chaves

Por Yan Simon - quarta-feira, 30/09/2026 - 10h34

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Porto Velho, RO – O debate entre os seis candidatos ao Governo de Rondônia colocou frente a frente propostas para saúde, segurança, infraestrutura, saneamento, economia e regularização fundiária, mas também abriu espaço para cobranças sobre gestões anteriores, atuação parlamentar, vínculos políticos e capacidade de execução. O encontro foi realizado pela Rede Amazônica, por meio da TV Rondônia, afiliada da Globo no estado, com mediação do jornalista Júlio Mosquéra. Foram quatro blocos: o primeiro e o terceiro com temas livres e o segundo e o quarto com assuntos definidos por sorteio. Todos tiveram o mesmo tempo e o direito de perguntar e responder uma vez em cada bloco.

A leitura dos momentos de afirmação considera situações em que o candidato conseguiu desenvolver proposta, responder diretamente a uma cobrança ou sustentar sua própria trajetória. Os momentos de exposição são aqueles em que precisou responder pelo próprio histórico, teve a proposta questionada, desviou-se da pergunta ou recebeu uma cobrança direta sem eliminar a controvérsia apresentada no confronto.

Hildon Chaves — gestão de Porto Velho serviu como principal argumento, mas também virou a maior fonte de cobranças

Nos cinco momentos de afirmação, Hildon Chaves recorreu principalmente aos oito anos em que administrou Porto Velho. Primeiro, ao tratar de educação, afirmou que a alfabetização na idade adequada teria passado de 30 para 95 crianças a cada grupo de 100 durante sua gestão e apresentou o programa Faculdade da Prefeitura, que disse pretender levar ao âmbito estadual.

Segundo, diante de Expedito Netto, citou a retomada de obras paralisadas e afirmou ter entregue 1.200 apartamentos depois de articulação para alterar regras relacionadas à Caixa Econômica. Terceiro, no confronto sobre rodovias com Adailton Fúria, colocou no centro da discussão os 820 quilômetros de asfalto que atribuiu aos seus dois mandatos na capital.

Quarto, apresentou como referência administrativa a entrega da nova rodoviária de Porto Velho e vinculou essa experiência à promessa de construir o novo João Paulo II. Quinto, no debate sobre industrialização, defendeu agregar valor à produção agrícola dentro de Rondônia e disse concordar com a necessidade de processar no estado parte do que hoje é vendido como matéria-prima.

Os cinco momentos de maior exposição também nasceram, em grande medida, de seu currículo como ex-prefeito. O primeiro ocorreu logo no início, quando Pedro Abib perguntou especificamente sobre políticas contra drogas e álcool entre jovens e Hildon respondeu inicialmente sobre efetivo policial, reconhecimento facial e segurança pública; Abib então retomou a pergunta e afirmou que não havia encontrado política específica sobre o tema no plano do adversário.

O segundo veio no saneamento: Samuel Costa cobrou os indicadores de Porto Velho após oito anos de administração, e Hildon reconheceu a gravidade do problema, dizendo que os dados apresentados pelo adversário eram reais e que a questão da água e do esgoto continuava sem solução. O terceiro ocorreu na própria resposta sobre educação, quando teve uma hesitação até recuperar a expressão “alfabetização na idade certa”.

O quarto apareceu quando Expedito Netto associou parte das entregas da prefeitura à participação da bancada federal e a recursos enviados a Porto Velho. O quinto surgiu no confronto com Fúria: ao usar o “rejeito de asfalto” como ataque, Hildon abriu um embate pessoal e administrativo que deslocou parte da discussão das propostas para acusações entre os dois.

Marcos Rogério — propostas detalhadas em segurança e regularização dividiram espaço com cobranças sobre sua passagem por Brasília e o episódio do cheque

Entre os momentos de afirmação de Marcos Rogério, o primeiro foi a segurança pública. Ele citou déficit de efetivo na Polícia Civil, Polícia Científica e Polícia Militar, defendeu novos concursos, contratação de aprovados e corte de despesas para abrir espaço fiscal. O segundo ocorreu na regularização fundiária: apresentou como caminho transferir ao Estado competências sobre áreas sem disputas ou sobreposições, associando titulação a crédito e segurança jurídica.

O terceiro foi a proposta de revisão dos contratos estaduais, com participação de técnicos do governo e do Tribunal de Contas, para identificar problemas antes da saída dos recursos públicos. O quarto ocorreu em infraestrutura, quando mencionou diretamente a RO-420, a ligação de União Bandeirantes e a necessidade de direcionar financiamento para pavimentação. O quinto foi a reação à cobrança de Expedito Netto sobre uma operação financeira: Marcos afirmou que a transação estava declarada no Imposto de Renda e também registrada na recuperação judicial, sustentando que não se tratava de dinheiro ilegal.

A exposição começou justamente nesse episódio. Expedito Netto levou ao debate a história de mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo e pressionou Marcos a explicar a transação, provocando inclusive direito de resposta. Outro ponto surgiu quando Fúria cobrou que o senador afirmava conhecer os caminhos de Brasília para a regularização fundiária, embora estivesse havia 16 anos na capital federal sem ter resolvido o problema; Marcos reagiu dizendo que a iniciativa caberia ao governador. O terceiro momento foi a tentativa de Expedito de associá-lo a investigações relacionadas às contas partidárias, afirmações que Marcos contestou.

O quarto apareceu quando adversários colocaram em discussão sua proximidade com o campo político nacional do PL, transformando perguntas estaduais em disputas sobre Bolsonaro e Lula. O quinto esteve na infraestrutura: ao questionar a intenção de Fúria de utilizar parte de um financiamento para comprar equipamentos, Marcos sustentou que aquela linha deveria financiar diretamente infraestrutura, mas a divergência deixou expostas duas interpretações diferentes sobre a utilização do recurso.

Adailton Fúria — experiência em Cacoal sustentou as respostas, enquanto adversários tentaram vinculá-lo ao governo estadual

Nos momentos de afirmação, Fúria apresentou números e decisões de sua administração municipal como credencial. Primeiro, afirmou ter realizado concurso público em Cacoal, concedido 68% de reajuste aos professores e 53% de recomposição aos demais servidores. Segundo, na segurança, propôs os chamados “laranjinhas”, com soldados recém-aprovados atuando em rondas comerciais e residenciais, além de defender bases policiais e ronda comunitária.

Terceiro, na infraestrutura, foi um dos candidatos que mais detalharam destinação financeira: disse que reservaria R$ 400 milhões de uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para máquinas e usinas de asfalto destinadas ao DER, aplicando o restante em pavimentação. Quarto, na regularização fundiária, cobrou a atuação da bancada federal e defendeu articulação entre Estado e União para trazer a regularização das áreas para dentro de Rondônia. Quinto, utilizou a própria trajetória — vereador, deputado estadual e prefeito reeleito — como argumento de experiência administrativa.

A exposição mais evidente ocorreu quando Hildon Chaves respondeu a uma pergunta sobre rodovias dizendo que Fúria entendia de “rejeito de asfalto”, levando para o debate uma acusação ligada à gestão municipal do adversário. O segundo momento surgiu quando Marcos Rogério o definiu como candidato do partido do atual governador e usou essa relação para devolver a Fúria a cobrança sobre problemas estaduais, inclusive regularização fundiária.

O terceiro veio na discussão do financiamento de R$ 1 bilhão: depois de Fúria anunciar R$ 400 milhões para maquinário, Marcos contestou o uso daquela fonte para compra de equipamentos. O quarto apareceu quando o próprio Fúria dedicou parte de uma resposta a dizer que vinha sofrendo ataques de uma “milícia digital”, deixando de usar todo o período exclusivamente para detalhar a política pública em discussão. O quinto foi a necessidade recorrente de separar sua candidatura do governo estadual: sempre que atacou deficiências da atual administração, adversários tentaram devolver a responsabilidade política pela proximidade partidária.

Expedito Netto — confronto direto com adversários marcou participação, mas nacionalização de temas reduziu espaço para propostas estaduais

Expedito Netto teve como primeiro momento de afirmação o debate sobre saúde, quando defendeu descentralizar serviços para cidades como Cacoal, Vilhena e Guajará-Mirim e criticou sucessivas promessas de novas estruturas hospitalares. O segundo veio na educação, tema que escolheu para confrontar Hildon, e no qual destacou investimentos federais e a educação em tempo integral.

O terceiro foi a defesa da participação da União nos investimentos de Rondônia: ao responder Hildon, citou PAC, estradas e recursos destinados à capital e sustentou que diálogo com o governo federal era indispensável. O quarto ocorreu no confronto sobre corrupção com Marcos Rogério, quando colocou no centro do debate o episódio do cheque e uma investigação que atribuiu à Polícia Federal.

O quinto foi a disposição para explicitar sua vinculação política com Lula, transformando a relação com o governo federal em um dos eixos centrais de sua candidatura.

Essa mesma estratégia produziu parte dos momentos de exposição. O primeiro ocorreu quando perguntas estaduais foram conduzidas para confrontos sobre Bolsonaro, Lula e dirigentes partidários, oferecendo aos adversários a oportunidade de acusá-lo de nacionalizar o debate.

O segundo veio após as acusações contra Marcos Rogério: o adversário recebeu direito de resposta e afirmou que a transação citada estava declarada formalmente, contestando a leitura apresentada por Expedito. O terceiro apareceu na saúde, porque sua resposta combinou propostas estaduais com longa defesa de investimentos federais, reduzindo o espaço dedicado aos mecanismos de execução próprios de um eventual governo estadual.

O quarto ocorreu na educação, quando a pergunta inicial a Hildon utilizou declarações de políticos nacionais para introduzir o assunto, permitindo ao adversário praticamente ignorar a provocação e apresentar realizações municipais. O quinto foi a recorrência de ataques políticos nacionais no tema corrupção, situação em que Marcos respondeu que preferia tratar dos problemas de Rondônia, estabelecendo um contraste explícito de abordagem entre os dois.

Samuel Costa — propostas de ruptura com o modelo orçamentário deram identidade às falas, enquanto o tom dos confrontos aumentou sua exposição

Samuel Costa apresentou algumas das propostas mais específicas em relação ao orçamento. O primeiro momento de afirmação foi a defesa da redução do percentual destinado aos Poderes, de 22% para 17%, como forma de abrir espaço para investimentos. O segundo foi a proposta de alterar a tributação sobre parte do agronegócio, especialmente a soja, associando a medida à ampliação da receita estadual.

O terceiro ocorreu no saneamento, quando defendeu fortalecer a Caerd, realizar concurso público e rejeitar a transferência do serviço à iniciativa privada. O quarto veio na segurança das mulheres, com a defesa de delegacias especializadas 24 horas, reforço de efetivo e integração entre diferentes órgãos. O quinto foi justamente a cobrança feita a Hildon sobre saneamento, que levou o ex-prefeito a reconhecer a gravidade dos indicadores da capital.

Os momentos de exposição estiveram mais ligados ao tom e à extensão de determinadas intervenções. Em segurança pública, Samuel afirmou que criminosos teriam três alternativas e chegou a dizer que, dependendo do resultado de uma ação policial, o destino poderia ser o IML e o cemitério.

A formulação deslocou a resposta de propostas estruturais para uma retórica de confronto. Outro momento ocorreu quando utilizou a discussão orçamentária para acusar setores do agronegócio de terem se apropriado do orçamento estadual desde 1995, ampliando uma resposta técnica para um ataque a um segmento econômico. O terceiro apareceu quando Pedro Abib pediu que avaliasse numericamente o governo atual, e Samuel preferiu desenvolver uma explicação sobre orçamento, má-fé e tributação, sem responder diretamente com a nota solicitada.

O quarto foi a necessidade de sustentar a viabilidade política da redução do repasse aos Poderes, proposta apresentada de forma clara, mas que naturalmente abriu espaço para questionamentos sobre execução. O quinto esteve na quantidade de confrontos dirigidos a grupos econômicos, membros de Poderes e adversários, estratégia que tornou suas posições nítidas, mas também fez com que parte do tempo fosse consumida em acusações e não em detalhamento administrativo.

Pedro Abib — industrialização e políticas integradas deram conteúdo às respostas, enquanto condição de estreante foi usada como contraponto

Pedro Abib teve um de seus momentos mais desenvolvidos no tema da industrialização. Defendeu que Rondônia deixe de vender apenas soja, cacau, café e outros produtos sem processamento e passe a agregar valor internamente, ligando a estratégia a ciência, tecnologia, inovação e formação profissional. Hildon chegou a declarar concordância com parte da argumentação. Outro momento de afirmação ocorreu na segurança, quando Abib reconheceu a limitação fiscal e estabeleceu 2027 como período para reorganização das contas antes de concurso previsto para 2028, além de defender Patrulha Maria da Penha e delegacias 24 horas.

O terceiro foi a cobrança inicial a Hildon sobre drogas e álcool entre adolescentes, na qual retomou a pergunta após considerar que o ex-prefeito não havia respondido especificamente ao assunto. O quarto foi a proposta de atendimento integrado às mulheres vítimas de violência, combinando segurança e assistência social. O quinto foi a crítica à eficiência da máquina pública e ao financiamento político, eixo usado para apresentar-se como alternativa aos grupos tradicionais.

A condição de candidato recém-chegado à disputa também gerou exposição. O próprio Abib afirmou que, até cinco meses antes, era um cidadão indignado e que então decidira transformar essa indignação em candidatura, contrapondo sua falta de trajetória eleitoral aos políticos mais experientes. O segundo momento ocorreu quando precisou explicar como contrataria policiais diante da falta de espaço para despesas permanentes; sua resposta transferiu o concurso para 2028 e estabeleceu um primeiro ano dedicado ao ajuste fiscal.

O terceiro apareceu quando usou parte do tempo de debate para convidar repetidamente o público a acompanhar uma live posterior, espaço que poderia ter sido utilizado para ampliar as respostas dadas dentro do próprio programa. O quarto veio ao atacar adversários por viagens de avião e helicóptero e sugerir que candidaturas milionárias teriam contas futuras a pagar, sem apresentar, naquele trecho, elementos adicionais que demonstrassem a relação insinuada. O quinto ocorreu nas próprias considerações finais, quando dedicou boa parte dos 30 segundos à apresentação pessoal e ao convite para o Instagram, encerrando o debate com menos conteúdo programático do que havia apresentado em outros blocos.

O debate da Rede Amazônica foi o último encontro televisionado entre os seis candidatos antes do primeiro turno das Eleições 2026 e concentrou, em quatro blocos, tanto a apresentação de propostas quanto algumas das principais cobranças acumuladas ao longo da campanha.

Agora, a decisão passa aos eleitores. O primeiro turno será realizado neste domingo, 4 de outubro. Além do governador de Rondônia, estarão em disputa os cargos de presidente da República, senador, deputado federal e deputado estadual. Caso nenhuma candidatura ao Governo do Estado alcance a maioria necessária para vencer no primeiro turno, a segunda votação está marcada para 25 de outubro

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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