Candidato a deputado estadual diz que procurou lideranças e tendências internas antes da filiação; ex-vereador também falou sobre Lula, Bolsonaro, polarização, religião, saúde pública e leis de seus mandatos
Porto Velho, RO – Candidato a deputado estadual pelo PT, Sid Orleans afirmou que participou diretamente das articulações que antecederam a filiação de Expedito Netto ao partido em Rondônia. Durante entrevista ao RD Entrevista, apresentado pelo jornalista Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, o ex-vereador contou que procurou lideranças e representantes das tendências internas da legenda e ajudou a organizar a reunião em que a filiação foi concretizada.
O assunto surgiu quando Sid foi questionado sobre se sentia confortável em pedir votos para Expedito, considerando que os dois construíram parte de suas trajetórias em campos políticos diferentes.
Sid respondeu que sim e disse conhecer Expedito há anos, desde o período em que exercia mandato de vereador em Porto Velho e o atual candidato ao Governo atuava como deputado federal. Segundo ele, os dois mantinham uma relação de respeito apesar das diferenças políticas.
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Ao recordar votações relacionadas aos trabalhadores, Sid afirmou que algumas posições de Expedito contrariavam aquilo que ele próprio esperava de um parlamentar situado à direita.
“Quando havia um tema muito vinculado ao trabalhador, como a reforma trabalhista, a reforma previdenciária, entre outros projetos, a gente tinha certeza de que o Expedito ia votar contra o trabalhador, porque ele sempre esteve à direita. E o Expedito votava a favor do trabalhador. A gente ficava sem entender muitas coisas — e feliz”, declarou.
Segundo Sid, a aproximação que terminou na entrada de Expedito no PT ocorreu depois de uma conversa do então deputado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na sequência, Expedito teria procurado Sid para falar sobre a recepção que encontraria dentro do partido em Rondônia.
“Quando o Expedito chega até nós, ele conversa primeiro com o presidente Lula e depois vem até nós. Ele me ligou e disse: ‘Eu não queria entrar pela porta dos fundos. Eu queria também ser bem aceito pelo Partido dos Trabalhadores aqui em Rondônia’. Eu disse: ‘Então, seja bem-vindo. Se é isso que você quer e se o nosso presidente abriu as portas, nós vamos abrir as nossas’”, relatou.
Sid afirmou que, depois dessa conversa, começou a procurar integrantes do PT para construir a aproximação.
“Eu comecei a ligar para as nossas lideranças, para as nossas tendências, e conversar com todas elas. Nós montamos uma reunião e, naquele mesmo dia, eu disse: ‘Você vai sair de lá filiado’. E foi isso que aconteceu”, afirmou.
O candidato acrescentou que aparece ao lado de Expedito nas fotografias da filiação porque participou diretamente daquele momento.
“Eu estou exatamente ao lado do Expedito porque fui eu que puxei a ficha de filiação e disse: ‘Assine’”, declarou.
Sid afirmou ainda estar satisfeito com os compromissos de Expedito em relação aos servidores e ao serviço público. Foi nesse ponto que criticou a privatização na área da saúde.
“A privatização da saúde é um negócio, não é? É um negócio em que alguns se dão bem e a população se dá muito mal”, disse.
A conversa sobre Expedito levou Canova a mencionar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a perguntar sobre eventual resistência de setores da militância petista à nova composição política.
Na resposta, Sid defendeu os governos Lula e Dilma e atribuiu a essas administrações parcela expressiva das estruturas e investimentos públicos realizados em Rondônia nas últimas décadas.
“Não existe nada que tenha sido feito nos últimos 25 anos em Rondônia que não tenha passado pelas mãos do presidente Lula e da presidente Dilma. Todas as pontes, todas as escolas novas, todas as unidades novas, todos os institutos federais. E, do outro lado, a gente tem o nada”, afirmou.
A comparação entre governos reapareceu quando Sid falou sobre sua passagem pela Superintendência do Ministério da Saúde em Rondônia.
Segundo o candidato, durante o período em que esteve à frente do órgão foram deixadas 21 novas unidades básicas de saúde, cinco centros de atenção psicossocial, dois centros de reabilitação, 51 ambulâncias e 18 unidades odontológicas móveis equipadas.
Depois de relacionar essas ações, Sid fez uma comparação política direta.
“Entre a política que está aqui e a política que esteve existe uma diferença que precisa entrar na razão das pessoas e chegar ao coração. É assim: é um governo que tudo fez e o outro que nada fez”, afirmou.
Canova perguntou então se ele se referia especificamente à diferença entre os governos Lula e Jair Bolsonaro. Sid respondeu com uma provocação.
“A gente só precisa encontrar um tijolo e saber onde ele foi colocado, porque ninguém sabe de nenhum tijolo que tenha sido colocado”, declarou.
Outro bloco da entrevista tratou de polarização, preconceito, fake news e religião. O assunto surgiu depois que Canova mencionou a circulação, naquele dia, de um áudio de conteúdo racista atribuído a um candidato ao Senado e apresentou as hipóteses então discutidas sobre sua origem, entre elas uma possível manipulação por inteligência artificial.
Sid não atribuiu a autoria do material a ninguém. A partir da pergunta, ampliou a resposta para a forma como interpreta o ambiente político dos últimos anos.
“Essa violência e toda essa dicotomia que existe entre direita e esquerda não surgiram agora. Elas foram estrategicamente construídas ao longo dos anos”, afirmou.
Na sequência, fez uma das declarações mais fortes da entrevista ao criticar contradições que, segundo ele, existem entre determinados discursos políticos e os valores invocados por quem os profere.
“Hoje nós temos, na política, pessoas que cultuam um Deus que atira e mata os outros. E cultuam uma família enquanto traem suas mulheres, inclusive praticam a própria pedofilia. E a liberdade? A liberdade é para mentir, para fazer fake news”, declarou.
Sid não dirigiu essa fala nominalmente a qualquer pessoa específica.
O candidato afirmou que palavras e ideias que considera positivas passaram, em sua avaliação, a ser usadas para alimentar ódio político. Ao falar de patriotismo, disse entender o conceito como compromisso com o país e com sua população.
“Eu sou patriota. É maravilhoso ser patriota, porque, se você ama o seu país, você ama as pessoas que moram dentro dele e passa a ter compromisso. Você tem o desejo de ser protagonista, de poder ajudar as pessoas, principalmente quem mais precisa”, afirmou.
Sid disse, no entanto, que esses conceitos teriam sido invertidos ao longo do processo de polarização. Na sequência, tratou da influência exercida por lideranças religiosas.
“Isso mexeu muito com a cabeça das pessoas, principalmente quando esses cenários são defendidos por um líder religioso, seja ele quem for. Porque o líder religioso, na cabeça de muitas pessoas mais humildes — eu digo até intelectualmente mesmo —, tem o poder de levar a pessoa para o céu e para o inferno. Isso é muito poderoso”, declarou.
Segundo Sid, essa influência também pode ser utilizada para propagar preconceitos.
“Todo e qualquer tipo de preconceito, seja contra qualquer pessoa, deve ser altamente condenável por toda a sociedade. Qualquer tipo de preconceito”, afirmou.
A partir desse ponto, a entrevista passou à produção legislativa de Sid durante sua passagem pela Câmara Municipal de Porto Velho.
O candidato afirmou que várias propostas surgiram de situações que presenciou pessoalmente enquanto circulava pela cidade e mantinha contato com a população.
Uma delas foi a proibição da cobrança pela emissão de diplomas por instituições de ensino. Sid contou que estudantes tinham o curso custeado pelo poder público, mas, segundo ele, eram cobrados novamente para receber o documento ao final da formação.
“Se você, Vinícius, vai a uma loja e compra uma televisão, só sai da loja se ela lhe der a nota fiscal da televisão que você pagou. Ora, se o governo pagou o curso, qual é a nota fiscal do curso? É o diploma. Isso não acontecia”, afirmou.
Segundo Sid, instituições de ensino recorreram contra a norma.
“Eu fiz a lei proibindo a cobrança. Todas as faculdades recorreram, foram até o STF e perderam. Então, até hoje essa lei beneficia milhares de pessoas”, disse.
Outra iniciativa mencionada foi a reserva de vagas de estacionamento para gestantes.
Sid relatou que estava em um shopping quando, durante uma chuva forte, viu uma mulher grávida carregando uma criança pequena em um braço e um guarda-chuva na outra mão. O veículo estava estacionado longe da entrada.
“Aí eu saí e fui direto para a Câmara. Muitas das minhas leis, eu mesmo digitei”, contou.
Segundo ele, dessa experiência surgiu a norma sobre as vagas.
“Hoje, todos os comércios que oferecem estacionamento são obrigados a ter a vaga da gestante próxima à porta de entrada”, afirmou.
Sid também citou uma legislação envolvendo agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
De acordo com o candidato, as categorias tinham menor segurança jurídica porque os trabalhadores eram celetistas. Ele afirmou que uma lei promoveu a transposição para o regime estatutário, assegurando benefícios associados ao novo vínculo, entre eles a licença-prêmio.
Outra proposta mencionada tratou dos carrinhos menores disponibilizados em supermercados.
Sid disse ter elaborado a medida depois de presenciar uma mulher com nanismo sendo alvo de chacotas enquanto tentava alcançar produtos dentro de um carrinho convencional.
Segundo ele, a mulher precisava projetar o próprio corpo para dentro do equipamento para conseguir colocar as compras.
“Quando eu vi aquela situação, saí e fiz a lei para obrigar todos os mercados a terem carrinhos menores para pessoas de baixa estatura”, afirmou.
Para Sid, os episódios exemplificam a lógica que procurou aplicar aos mandatos.
“Os nossos mandatos são assim: eles são muito vinculados à vida das pessoas”, declarou.
A entrevista também percorreu a trajetória do candidato antes e durante sua entrada na política.
Sid nasceu em Florânia, no Rio Grande do Norte, e contou que deixou a região ainda criança com os pais, agricultores que haviam perdido as condições de permanência na propriedade em razão da seca. A família seguiu para Campina Grande, na Paraíba.
Segundo Sid, o esporte teve papel importante em sua formação. Ele começou a nadar aos oito anos e relatou que, aos 11, já havia conquistado bolsa de estudos em uma escola particular, assim como seus dois irmãos.
Já em Rondônia, Sid afirmou ter passado pela direção da Policlínica Oswaldo Cruz antes de assumir cargos políticos de maior projeção.
Ele contou que encontrou a unidade em uma reforma prolongada e aceitou dirigir o local mesmo diante de um salário de R$ 1.050, porque, segundo suas palavras, “o intuito não era o financeiro, era ser útil para as pessoas”.
Sid afirmou que, ao final de sua passagem pela direção, a Policlínica Oswaldo Cruz contava com 25 especialidades médicas, cinco especialidades cirúrgicas e oito programas de saúde pública de referência estadual.
Naquele momento, segundo o candidato, a política partidária ainda não era sua prioridade.
“Eu sempre votei no presidente Lula, mas a gente não era muito focado nessa situação de partido, nessa situação de candidatura. Quando comecei a pensar em política, pensei em ser útil para as pessoas, apresentar projetos que dessem oportunidades e garantissem direitos”, afirmou.
Sid disse ter se filiado ao Partido dos Trabalhadores em 2003.
A primeira candidatura a vereador ocorreu no ano seguinte. Ele relatou que a estrutura da campanha era composta por apenas três pessoas.
“A gente ia para o semáforo pedir voto. Eu fiz uma folha digitada com as coisas que já tinha feito de bom para as pessoas e a gente foi entregar. Tinha um amigo que dizia: ‘Sid, eu vou te dar 500 xerox todos os dias’. Foi com isso que nós fizemos a eleição de 2004”, relembrou.
Sid afirmou que terminou aquela disputa como o 40º candidato mais votado no conjunto do pleito e o quinto mais votado do PT.
Mais tarde, participou da transição da administração do então prefeito Roberto Sobrinho. Segundo Sid, chegou a ser convidado para assumir como secretário adjunto de Saúde, mas decidiu não aceitar naquele momento.
Posteriormente, afirmou ter sido chamado para coordenar o plano de saúde do IPAM. Sid disse que, durante sua gestão, o serviço passou a oferecer tratamentos que incluíam internação para dependência química e atendimento para obesidade mórbida.
A passagem pela Secretaria Municipal de Saúde também foi abordada. Sid citou a Maternidade Municipal e estruturas da rede de saúde que, segundo seu relato, foram inauguradas durante sua gestão.
Já na esfera federal, destacou sua atuação na Superintendência do Ministério da Saúde em Rondônia.
Foi nesse trecho que o Hospital Universitário entrou na conversa.
Sid afirmou ter sido nomeado para a superintendência em 29 de maio de 2023 e relatou que, naquele momento, considerava o projeto do Hospital Universitário praticamente abandonado.
Segundo ele, procurou a Universidade Federal de Rondônia para conversar sobre a proposta e ouviu que seriam necessários recursos de grande porte e uma solução para a estrutura física.
Sid disse que decidiu iniciar articulações para tentar viabilizar o projeto.
Posteriormente, segundo seu relato, conversou com Léo Moraes quando o então vereador se preparava para disputar a Prefeitura de Porto Velho.
“Eu falei para ele: ‘Porto Velho precisa de um hospital’. E ele disse: ‘Qual é a sua opinião?’. A minha opinião é que você possa abraçar o Hospital Universitário”, relatou.
Sid mencionou também, entre as possibilidades discutidas naquele período, a compra de uma estrutura hospitalar existente.
Ao justificar a candidatura à Assembleia Legislativa, afirmou que um mandato estadual ampliaria sua capacidade de articulação.
“Como deputado estadual, eu tenho mais portas abertas e tenho o poder do mandato parlamentar. Consequentemente, eu consigo ser mais útil”, declarou.
A conversa passou ainda por cultura e esporte.
Sid disse ter participado diretamente da construção do Sistema Municipal de Cultura e lembrou uma emenda de R$ 50 mil destinada ao Santos Futebol Clube para um projeto esportivo em Porto Velho.
Segundo ele, a iniciativa permitiu matricular crianças das zonas Sul e Leste da capital em uma escolinha de futebol e alguns dos participantes chegaram posteriormente ao esporte profissional.
“Não tem dinheiro que pague isso. A gente não está na política para fazer negócio. A gente está na política para melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
Na reta final, Canova perguntou se Sid acreditava na reeleição do presidente Lula.
“Com certeza”, respondeu.
Ao explicar a resposta, Sid afirmou acreditar que parte dos eleitores de Lula evita declarar o voto publicamente por causa da violência política.
“As pessoas que votam no presidente Lula poucas vezes dizem isso na rua. É por causa da violência. Às vezes, o silêncio é a melhor resposta”, declarou.
Sid acrescentou que, em sua avaliação, a disputa também coloca em confronto realizações e narrativas verdadeiras ou falsas.
“O segundo ponto é o que a gente conversou: é o que fez tudo e o que não fez nada. O terceiro ponto é a verdade e a mentira. É o fato e a fake news”, afirmou.
Ao encerrar a participação, relacionou sua candidatura à Assembleia Legislativa a propostas voltadas para saúde, qualificação profissional, emprego, renda, esporte e cultura.
“Eu quero ser deputado estadual para que a gente possa levar mais unidades de saúde, investir no ensino profissionalizante e gerar emprego e renda para a população mais vulnerável”, afirmou. RD Entrevista é apresentado por Vinícius Canova e produzido nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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