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Mulheres ampliam presença no Congresso e bancada feminina será a maior da história

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Mesmo com crescimento nas duas Casas, participação feminina continuará abaixo de um quarto das cadeiras; Câmara terá 109 deputadas na próxima legislatura

Por Yan Simon - terça-feira, 06/10/2026 - 09h59

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Porto Velho, RO – Apesar do avanço registrado nas urnas, as mulheres continuarão ocupando menos de um quarto das cadeiras do Congresso Nacional na próxima legislatura. A representação feminina, porém, atingirá o maior patamar já registrado tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal após o resultado das eleições de 2026.

Na Câmara, 109 mulheres foram eleitas entre as 513 vagas disponíveis. O número representa 21% da composição da Casa e supera as 90 parlamentares eleitas anteriormente, crescimento de 21% na bancada feminina.

O aumento ocorreu em um cenário de redução no número de mulheres disputando uma vaga de deputada federal. Em 2022, foram registradas 3.317 candidaturas femininas ao cargo. Quatro anos depois, o total caiu para 2.820, uma diminuição de 24%.

Entre as legendas e federações, a composição formada por PT, PCdoB e PV concentrou a maior quantidade de mulheres eleitas para a Câmara. Ao todo, 34 das 109 futuras deputadas pertencem à federação.

No Senado Federal, 12 mulheres foram escolhidas pelos eleitores entre as 54 vagas que estavam em disputa neste ano. O resultado é o maior desde a redemocratização. Em 2018, quando também houve renovação de dois terços da Casa, oito mulheres conquistaram mandato.

Como parte dos atuais senadores permanece no cargo, a bancada feminina passará de 15 para 18 integrantes no próximo ano. Dessa forma, as mulheres representarão 22,2% das 81 cadeiras existentes no Senado.

Os mandatos no Senado têm duração de oito anos, e a renovação da Casa ocorre de forma alternada. A cada quatro anos, são escolhidos representantes para um terço ou dois terços das vagas.

O Distrito Federal terá uma situação inédita na composição feminina. Duas mulheres foram eleitas neste ano e se juntarão a uma representante que já exerce mandato, fazendo do DF a única unidade da Federação com três senadoras. O Piauí, por outro lado, permanece como o único estado brasileiro que nunca elegeu uma mulher para o Senado.

O crescimento numérico da participação feminina, contudo, não significa necessariamente que haverá ampliação proporcional de propostas direcionadas às mulheres. A avaliação é da professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Flávia Biroli.

Segundo a pesquisadora, uma presença feminina maior nos cargos eletivos também amplia a diversidade de posições políticas e ideológicas entre as parlamentares. Com isso, mulheres eleitas podem defender perspectivas diferentes ou até contrárias a determinadas políticas de igualdade de gênero.

Ao exemplificar essa diversidade, Flávia Biroli citou posicionamentos de parlamentares em votações relacionadas à igualdade salarial entre homens e mulheres. Para a professora, a eleição de mulheres, isoladamente, não determina qual será a orientação adotada por elas durante o mandato.

Outro avanço foi identificado na representação de mulheres negras na Câmara dos Deputados. Levantamento realizado pela organização Mulheres Negras Decidem apontou que pelo menos 15 mulheres negras foram eleitas deputadas federais em 2026.

Em 2022, nove mulheres negras haviam conquistado uma cadeira na Casa. Na comparação entre as duas eleições, o crescimento chegou a 66,6%.

A coordenadora política da organização, Tainah Pereira, destacou também a presença de mulheres jovens entre as eleitas. Na avaliação dela, o resultado revela uma renovação feminina e negra no Legislativo e amplia a presença de novas lideranças na próxima legislatura.

No Senado, entretanto, o cenário foi diferente. Nenhuma das 12 mulheres eleitas neste ano é negra.

Eliziane Gama (PT), atual senadora pelo Maranhão e autodeclarada negra, não conseguiu a reeleição. Outras duas candidatas negras mencionadas na disputa também não conquistaram vaga: Mariana Silva (Rede), que concorria por São Paulo, e Benedita da Silva (PT), candidata pelo Rio de Janeiro.

Benedita da Silva tornou-se, em 1998, a primeira mulher negra eleita para ocupar uma cadeira no Senado Federal. Até hoje, apenas quatro mulheres negras exerceram mandato de senadora no país.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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