Levantamento da Semusa também aponta 43,7 mil faltas em consultas agendadas nas UBS e reforça orientações sobre o uso adequado da rede municipal de saúde
Porto Velho, RO – A procura por serviços de urgência para tratar problemas de saúde considerados leves representou 65,3% dos atendimentos classificados pelo Protocolo de Manchester na rede municipal de Porto Velho durante os oito primeiros meses de 2026. No mesmo período ampliado até setembro, outro problema foi identificado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS): mais de 43 mil consultas agendadas deixaram de ser realizadas devido à ausência dos pacientes. Os números integram levantamentos utilizados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) para avaliar a demanda e reorganizar os serviços oferecidos à população.
Entre janeiro e setembro deste ano, foram contabilizadas 43.770 faltas em consultas previamente marcadas nas unidades de saúde dos bairros. Os registros do Departamento de Atenção Básica (DAB) mostram que a UBS Castanheiras apresentou 1.987 ausências, seguida pela Agenor de Carvalho, com 1.941, e pela Caladinho, onde 1.684 pacientes não compareceram aos atendimentos programados.
A ausência sem comunicação antecipada compromete o aproveitamento dos horários reservados para consultas. Segundo a Semusa, quando o paciente informa que não poderá comparecer, a equipe consegue avaliar a possibilidade de reorganizar a agenda e disponibilizar o horário para outro usuário da rede pública.
A secretária municipal de Saúde, Sandra Cardoso, destacou que a participação dos moradores é necessária para melhorar a distribuição dos atendimentos. Conforme explicou, situações classificadas como pouco urgentes ou não urgentes podem, em muitos casos, ser acompanhadas pela Atenção Básica. Ela também ressaltou que a procura inadequada pelas unidades de emergência e as faltas sem aviso contribuem para a sobrecarga dos serviços.
“Precisamos do apoio de todos para garantir agilidade a quem realmente precisa”, afirmou a secretária.
Os dados sobre a procura pelos serviços de urgência também chamaram a atenção da administração municipal. Relatório elaborado pelo Departamento de Média e Alta Complexidade (DMAC) aponta que, nos dois primeiros quadrimestres de 2026, foram realizados 319.645 atendimentos submetidos à classificação de risco pelo Protocolo de Manchester.
Desse total, 208.824 registros receberam as classificações verde, destinadas a situações pouco urgentes, ou azul, utilizadas para casos não urgentes. O volume corresponde a 65,3% de todos os atendimentos classificados no período.
Entre os estabelecimentos com maior quantidade de ocorrências dessas categorias aparece a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Leste, com 52.564 registros. Na UPA Zona Sul, foram contabilizados 51.657 atendimentos verdes ou azuis. Já no Pronto-Atendimento Ana Adelaide, o levantamento identificou 40.503 casos com as mesmas classificações.
O Protocolo de Manchester é utilizado para estabelecer a prioridade de assistência conforme a gravidade apresentada pelo paciente. Dessa maneira, pessoas em condições mais graves recebem atendimento prioritário, independentemente da ordem de chegada à unidade.
Diante desse cenário, a Prefeitura de Porto Velho ampliou o monitoramento dos indicadores da rede municipal. A iniciativa busca identificar dificuldades operacionais, aperfeiçoar a distribuição da demanda e contribuir para a redução do tempo de espera nos estabelecimentos públicos de saúde.
O prefeito Léo Moraes afirmou que a análise dos dados permite compreender as necessidades dos serviços e orientar o planejamento de melhorias. Segundo ele, a organização da rede depende tanto das medidas adotadas pela gestão quanto da utilização adequada das unidades pela população.
“É um esforço conjunto: a gestão investe e organiza, e a população nos ajuda usando cada serviço no lugar certo”, declarou.
Para evitar deslocamentos desnecessários e facilitar o acesso à assistência, a Semusa orienta que os moradores observem a finalidade de cada estabelecimento antes de procurar atendimento, considerando os sintomas e a gravidade da situação.
As Unidades Básicas de Saúde são indicadas para consultas de rotina, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas, ações preventivas e avaliação de sintomas leves que não apresentem sinais de gravidade. Esses estabelecimentos também são responsáveis pelo acompanhamento contínuo das condições de saúde dos moradores.
Já as Unidades de Pronto Atendimento e os Prontos-Atendimentos são destinados a situações que exigem avaliação médica rápida. Entre os exemplos estão dores intensas no peito, dificuldades para respirar, acidentes e outras ocorrências que não podem aguardar uma consulta agendada.
A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que pacientes com sintomas intensos ou agravamento repentino do estado clínico procurem imediatamente um serviço de urgência. Para acompanhamento regular, procedimentos preventivos e consultas programadas, a recomendação é recorrer à UBS de referência.
A pasta também reforça a importância de comunicar antecipadamente qualquer impossibilidade de comparecimento às consultas marcadas. A medida permite que as equipes avaliem ajustes na programação e contribui para o melhor aproveitamento da capacidade de atendimento da rede municipal.
Com informações de: Prefeitura de Porto Velho
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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