Informa Rondônia Desktop Informa Rondônia Mobile

INOVAÇÕES
Confúcio Moura relembra início da carreira em Brasília e resistência ao uso de celular

🛠️ Acessibilidade:

Senador recorda primeiros anos como deputado federal e relata receio com a chegada da tecnologia na Câmara dos Deputados

Por Informa Rondônia - terça-feira, 09/09/2025 - 20h33

Compartilhe
357 compartilhamentos
Facebook Instagram WhatsApp X

Porto Velho, RO – O senador Confúcio Moura (MDB) fez um relato pessoal sobre sua experiência com o início da informatização e da telefonia móvel no Congresso Nacional. Ele destacou as dificuldades de infraestrutura enfrentadas ao assumir o mandato de deputado federal em 1995, bem como sua resistência inicial ao uso do celular, equipamento que começava a ser distribuído entre os parlamentares.

Segundo Moura, ao chegar à Câmara dos Deputados, foi instalado no Anexo III, descrito por ele como o setor mais antigo do Legislativo. “Tudo era apertado: ar-condicionado mais quebrado que funcionando e paredes tão finas que o que se falava na sala de entrada chegava clarinho até a minha”, escreveu. A falta de privacidade era, de acordo com o senador, uma característica do local. O banheiro também era comunitário e servia como ponto de encontro entre parlamentares.

Na época, celulares ainda não eram comuns e o trabalho era realizado com máquinas de escrever. Moura recorda que tinha facilidade com o equipamento graças às aulas de datilografia que recebeu da mãe, professora da disciplina. “Ninguém tinha celular — e, para falar a verdade, também não fazia falta. Eu mesmo nem conhecia o tal aparelho. Computador, então? Nem pensar. Só máquina de escrever”, relembrou.

A mudança ocorreu quando Michel Temer assumiu a presidência da Câmara e determinou a distribuição de um aparelho celular para cada deputado. Moura, no entanto, recusou. “O ‘bicho’ me parecia estranho. Ficava imaginando aquelas ondas esquisitas entrando pelos ouvidos e causando sabe-se lá o quê”, relatou. Médico de interior, explicou que preferiu esperar. “Melhor esperar mais um pouco. Vai que esse negócio causa câncer no ouvido, no cérebro… ou me deixa surdo?”, disse.

O senador afirmou que só aceitou o celular um ano depois, quando percebeu que colegas não haviam apresentado problemas de saúde. Mas a decisão trouxe novos desafios: “Foi aí que perdi a paz. Nunca mais tive sossego.”

Moura também mencionou a evolução do uso dos aparelhos. Para ele, a rotina pode ser dominada pelas mensagens e aplicativos. “Se a gente não se policia, acaba vivendo apenas para baixar aplicativos e responder mensagens. O pessoal até reclama de mim, porque quase sempre deixo o celular desligado”, relatou.

Ao final, fez um alerta sobre o uso excessivo da tecnologia: “Além disso, o ‘bicho’ vicia. E vício, todos sabemos, é caminho curto para clínica de desintoxicação — ou, no mínimo, para o consultório de um psiquiatra. Câncer, não dá. Mas enlouquecer, isso sim, é um risco real.”

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





COMENTÁRIOS: