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DÍVIDA PÚBLICA
Economistas afirmam que juros altos ampliam dívida pública e pressionam economia brasileira

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Especialistas contestam a tese de que os gastos públicos sejam os principais responsáveis pelo aumento da dívida e defendem redução da taxa de juros para estimular crescimento e produção.

Por Yan Simon - terça-feira, 12/05/2026 - 08h15

Porto Velho, RO – O crescimento da dívida pública brasileira tem sido impulsionado principalmente pelo custo elevado dos juros pagos pela União, segundo avaliação de economistas ouvidas pela Agência Brasil. Para as especialistas, o impacto das taxas elevadas supera o efeito das despesas primárias do governo e acaba reduzindo a capacidade de investimento em serviços e setores produtivos da economia.

Dados do Banco Central mostram que, nos últimos 12 meses até março, o país desembolsou R$ 1,08 trilhão em juros. O valor corresponde a 8,35% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período, a Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 80,1% do PIB, somando R$ 10,4 trilhões, após avanço de 1,4 ponto percentual em 2026.

De acordo com comunicado do próprio Banco Central, o principal fator responsável pelo crescimento da dívida foi a incorporação dos juros nominais, que adicionaram 2,4 pontos percentuais ao indicador. As emissões líquidas de dívida responderam por mais 0,4 ponto percentual.

Para a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Juliane Furno, existe uma contradição em atribuir exclusivamente aos gastos públicos a elevação da dívida nacional. Segundo a economista, o déficit primário possui impacto menor na composição do endividamento.

A especialista afirmou que a maior parcela da dívida decorre justamente dos juros elevados pagos pelo governo federal. Ela destacou ainda que o Estado brasileiro possui compromissos constitucionais que exigem maior volume de investimentos públicos em áreas como saúde, educação e assistência social.

Na avaliação da professora de economia política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Mello de Malta, o modelo econômico baseado em juros altos e cobrança por cortes de despesas públicas resulta de escolhas políticas que favorecem o sistema financeiro.

A economista criticou o direcionamento da economia nacional para atividades predominantemente financeiras e avaliou que a estratégia compromete o custo de vida da população e amplia o endividamento das famílias brasileiras.

O debate voltou a ganhar força após o aumento do endividamento familiar no país, cenário que motivou o lançamento do programa Novo Desenrola pelo governo federal. Parte dos analistas econômicos sustenta que a manutenção de juros elevados seria necessária para conter a inflação e compensar a trajetória dos gastos públicos.

Nas atas recentes do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central voltou a defender a chamada “disciplina fiscal”. Em documento divulgado no fim de abril, o órgão afirmou que a redução do ritmo de reformas estruturais e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros.

Outra corrente de economistas, no entanto, discorda dessa interpretação. Para esse grupo, os gastos públicos devem ser preservados devido ao impacto social e econômico, enquanto a redução da taxa Selic seria fundamental para estimular a atividade produtiva.

O próprio Banco Central estima que cada aumento de um ponto percentual na Selic provoca impacto superior a R$ 50 bilhões sobre a dívida pública.

Maria Mello de Malta afirmou que reduzir gastos públicos pode provocar desaceleração econômica, queda na arrecadação e aumento do desemprego. Segundo ela, o investimento estatal possui efeito multiplicador sobre a economia.

A economista também rebateu comparações entre o orçamento público e a gestão financeira de famílias ou empresas privadas. Conforme explicou, o Estado possui características distintas, incluindo a emissão de moeda e a definição da própria política de juros.

A professora da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lourdes Mollo, também atribui aos juros elevados o avanço da dívida pública brasileira ao longo dos anos. Para ela, o governo deveria concentrar recursos na proteção social e na ampliação da capacidade produtiva do país.

Embora reconheça que juros altos possam reduzir a inflação, a especialista alertou para os custos sociais desse modelo. Segundo Maria Lourdes, os maiores impactos recaem sobre a população que depende de crédito para despesas essenciais, enquanto os ganhos ficam concentrados no mercado financeiro.

Ela defendeu ainda que o combate à inflação seja feito pelo estímulo à produção e à oferta de bens e serviços. Na avaliação da professora da UnB, taxas elevadas acabam inibindo investimentos e limitando o crescimento econômico no médio e longo prazo.

Ao comentar propostas de corte de gastos e privatizações como solução para a dívida pública, Maria Mello de Malta afirmou que esse entendimento possui caráter ideológico e amplia o espaço de atuação do setor privado em áreas estratégicas da economia.

Como exemplo, a economista citou a privatização da Eletrobras, destacando que os lucros da empresa deixaram de ser destinados ao Estado após a transferência do controle para a iniciativa privada.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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