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BRASÍLIA
Coronel Chrisóstomo propõe transformar 8 de janeiro em “Dia Nacional da Vergonha” e critica ações ambientais em Rondônia

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Deputado do PL afirmou na Câmara que famílias de produtores estariam sendo retiradas de áreas ocupadas há décadas e disse que projeto foi apresentado após relato de jornalista preso durante os atos de 2023

Por Vinicius Canova - quinta-feira, 09/07/2026 - 16h16

Porto Velho, RO – O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) anunciou, durante discurso na Câmara dos Deputados, a apresentação de um projeto de lei para instituir o dia 8 de janeiro como o “Dia Nacional da Vergonha”. A manifestação ocorreu em 7 de julho de 2026, durante a 136ª Sessão Deliberativa Extraordinária Semipresencial da quarta sessão legislativa ordinária da 57ª Legislatura.

Ao iniciar o pronunciamento, o parlamentar destacou a importância de Rondônia e criticou situações em que o estado é confundido com outras unidades da Federação. Segundo Chrisóstomo, a referência ao estado acompanha seus discursos na tribuna desde o início do mandato parlamentar, em 2019.

“Presidente, V.Exa. vê que sempre eu me lembro do meu Estado, todas as vezes que subo nesta tribuna, desde que eu cheguei aqui em 2019, porque o meu Estado tem um valor. Então, não é cabível chamar o Estado de Rondônia de Roraima, de Acre. Rondônia é Rondônia e tem o seu valor”, declarou.

Na sequência, o deputado disse respeitar parlamentares com posições políticas diferentes das suas, criticou manifestações contrárias ao ex-presidente Jair Bolsonaro e declarou apoio ao nome identificado por ele como “Flávio 26”.

“Eu tenho ouvido aqui colegas — e tenho todo o respeito aos colegas que têm posições diferentes das minhas — falar mal do Bolsonaro, falar mal do Flávio, mas, Brasil: é Flávio 26! Não adianta pedir arrego. É Flávio 26! Acabou, rapaz. Chega de esquerda, chega de PT no Brasil! Chega, fora!”, afirmou.

Ao abordar a situação fundiária e ambiental em Rondônia, Coronel Chrisóstomo afirmou que famílias ligadas ao campo e ao agronegócio, especialmente pequenos produtores, estariam sendo prejudicadas por ações do Governo Federal. O deputado declarou que produtores estabelecidos há mais de 30 anos estariam sendo retirados das propriedades onde vivem e desenvolvem atividades produtivas.

Segundo o parlamentar, agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e de forças policiais ambientais estariam determinando a saída de moradores, a retirada de rebanhos e a interrupção da produção em determinadas áreas.

“O Ibama, o ICMBio, as polícias ambientais chegam com toda a autoridade, Presidente, mandando as pessoas saírem, retirarem o seu gado, a sua produção. É real o que eu estou falando, basta procurar na Internet. Pelo amor de Deus, essas pessoas estão ali produzindo há mais de 30 anos, cuidando dos seus animais para cuidar das suas famílias!”, declarou.

Chrisóstomo defendeu que pessoas com pendências relacionadas à regularização das áreas sejam orientadas pelos órgãos competentes e recebam prazo para corrigir a situação. O deputado criticou a concessão de períodos que, segundo ele, seriam insuficientes para a retirada de grandes quantidades de animais.

“Se a pessoa não está com a situação totalmente legalizada, expliquem para ela, orientem-na, deem um prazo para que possa regularizar sua situação, se isso for verdade. E não expulsem a pessoa ou as famílias, dando horas para retirarem 100 mil, 200 mil cabeças de gado”, afirmou.

O parlamentar também relacionou a ocupação de Rondônia aos processos de migração registrados a partir da década de 1970. Conforme o discurso, gaúchos, catarinenses, paranaenses, mineiros e capixabas foram incentivados pelo Governo Federal a viver e trabalhar no estado.

Na avaliação de Coronel Chrisóstomo, o Governo Federal teria uma dívida com essas famílias por não ter entregado os títulos de propriedade das áreas ocupadas. Ele sustentou que os moradores não devem ser retirados das terras e defendeu a atuação do Congresso Nacional para estabelecer leis de proteção às famílias que vivem em Rondônia e em outras partes da Amazônia.

“O Governo Federal chamou pessoas que quisessem viver e trabalhar em Rondônia, e hoje existe uma dívida do Governo Federal para com todas essas famílias que foram para Rondônia. Sabem qual é a dívida? É que não lhes entregaram o título de propriedade diretamente”, disse.

Após tratar das questões fundiárias e ambientais, o deputado anunciou a apresentação do projeto relacionado ao dia 8 de janeiro. Antes de explicar a proposta, Chrisóstomo reproduziu uma declaração atribuída ao jornalista, publicitário e apresentador Marcos Vanucci.

No relato lido pelo parlamentar, Vanucci afirmou ser pós-graduado em Direito e ter trabalhado como repórter em veículos de comunicação. Ele declarou que viajou a Brasília para cobrir as manifestações de 8 de janeiro de 2023, permaneceu preso por 70 dias e foi mantido em uma cela com outras 35 pessoas.

“Meu nome é Marcos Vanucci, sou jornalista, publicitário e apresentador. Sou pós-graduado em Direito, sou ex-repórter da Globo, da Record, da RedeTV, da Rádio CBN. Fui a Brasília cobrir as manifestações e me tornei um preso em 8 de janeiro de 2023. Fiquei 70 dias preso ilegalmente”, diz o trecho reproduzido pelo deputado.

Na continuação do relato, Vanucci afirmou que dormiu no chão, ao lado de um vaso sanitário, perdeu quase 20 quilos e utilizou a mesma roupa durante o período em que permaneceu preso.

“Fiquei 70 dias dormindo no chão, ao lado de um vaso sanitário, dentro de uma cela em que caberiam nove homens. Eu estava junto com 35 pessoas, que eu nunca vi na minha vida. Eu perdi quase 20 quilos. Setenta dias usando a mesma roupa do presídio. Nem eu mais aguentava o meu odor”, declarou Vanucci, conforme a fala reproduzida na tribuna.

Depois da leitura, Coronel Chrisóstomo afirmou que o episódio motivou a apresentação do projeto de lei. O parlamentar classificou como ilegais milhares de prisões realizadas no contexto do 8 de janeiro e declarou que a data deve ser instituída nacionalmente como o “Dia Nacional da Vergonha”.

“Por isso, hoje, Deputado Sargento Fahur, apresentei um projeto de lei que institui o dia 8 de janeiro como Dia Nacional da Vergonha. Vou repetir: apresentei um projeto de lei que institui o dia 8 de janeiro como o Dia Nacional da Vergonha, dia em que ocorreram milhares de prisões ilegais”, afirmou.

Ao concluir o discurso, Chrisóstomo disse considerar triste levar o relato à tribuna da Câmara e afirmou que Marcos Vanucci teria ido a Brasília para exercer o trabalho jornalístico. O deputado solicitou que o pronunciamento fosse divulgado pelo programa A Voz do Brasil e pelos meios de comunicação da Câmara dos Deputados.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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