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QUESTIONAMENTO
Carta da Federação REDE/PSOL cobra esclarecimentos sobre pré-candidatura de Luiz Carlos Teodoro ao Governo de Rondônia

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Documento assinado por Edjales Benício de Brito questiona trajetória política do pré-candidato, declarações sobre 8 de janeiro e acusações formuladas pela Liga dos Camponeses Pobres

Por Vinicius Canova - terça-feira, 28/07/2026 - 16h28

Porto Velho, RO – A Federação REDE/PSOL em Rondônia encaminhou uma solicitação de esclarecimentos públicos sobre a oficialização da pré-candidatura de Luiz Carlos Teodoro ao Governo do Estado de Rondônia pelo Partido Socialismo e Liberdade. O documento é dirigido à presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, ao porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade, Paulo Lamac, e ao Diretório Estadual do PSOL em Rondônia.

A carta é assinada por Edjales Benício de Brito, identificado no expediente como presidente da Federação REDE/PSOL em Rondônia. No documento, ele afirma requerer esclarecimentos públicos acerca da pré-candidatura de Luiz Carlos Teodoro ao Governo de Rondônia pelo PSOL.

Logo no início da fundamentação, a carta sustenta que a democracia exige transparência, especialmente quando um partido historicamente identificado com posições socialistas apresenta como candidato uma liderança cuja trajetória pública recente esteve vinculada a legendas situadas no campo conservador.

O expediente afirma que Luiz Carlos Teodoro foi candidato a vice-prefeito de Guajará-Mirim, em 2020, pelo então Partido Social Cristão, o PSC. Segundo a carta, a legenda apoiou Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018 e 2022. O documento também aponta que Teodoro teria sido posteriormente identificado politicamente com o Podemos antes de ingressar no PSOL.

A carta ressalta que mudanças de posicionamento político são legítimas e fazem parte da vida democrática, mas afirma que alterações dessa natureza precisam ser acompanhadas de explicações claras ao eleitorado, sobretudo quando envolvem projetos políticos historicamente antagônicos.

Outro ponto levantado no documento trata de declarações públicas atribuídas ao pré-candidato sobre os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Segundo a carta, Teodoro teria relativizado a classificação dos envolvidos como terroristas, em posição que, conforme o expediente, aparenta divergir da manifestação oficial do PSOL nacional, que teria qualificado os atos como tentativa de golpe de Estado e defendido a responsabilização dos envolvidos.

O documento também menciona acusações formuladas pela Liga dos Camponeses Pobres. De acordo com a carta, a LCP teria afirmado que Luiz Carlos Teodoro participou da criação de uma associação de produtores rurais em área de conflito fundiário e atuou contra a organização do movimento camponês.

Na sequência, o expediente ressalta que essas acusações, por si sós, não constituem prova e não autorizam qualquer conclusão definitiva sobre os fatos. Ainda assim, a carta sustenta que, diante da gravidade e da repercussão pública, os pontos levantados merecem resposta objetiva por parte do pré-candidato e da direção partidária.

A solicitação apresenta uma série de questionamentos direcionados ao PSOL. Entre eles, pergunta se o partido realizou análise da trajetória política de Luiz Carlos Teodoro antes de homologar sua pré-candidatura, se as direções nacional e estadual tinham conhecimento da atuação dele no PSC e posteriormente no Podemos e se houve deliberação interna sobre a compatibilidade de sua trajetória política com os princípios e o programa da legenda.

A carta também pede que o partido informe como avalia as declarações públicas do pré-candidato sobre os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e qual é a posição oficial do PSOL sobre as acusações formuladas pela Liga dos Camponeses Pobres envolvendo o nome de Luiz Carlos Teodoro.

Outro questionamento trata de eventual compromisso formal do pré-candidato com o programa partidário e com as posições históricas do PSOL em temas como democracia, direitos humanos, reforma agrária, direitos dos povos indígenas, diversidade e justiça social.

O expediente ainda questiona a posição do PSOL em apoiar um candidato ao Governo de Rondônia, identificado no documento como Expedito Neto, do PT. A carta afirma que ele teria sido flagrado e registrado em fotografias, vídeos e trechos de produções audiovisuais de relevância internacional, como o documentário “O Território”, incentivando invasão na Terra Indígena Uru-eu-wau-wau em Rondônia enquanto era deputado federal.

O documento declara que não pretende formular acusações, antecipar juízo de valor ou atribuir responsabilidade sem provas. Segundo a carta, o objetivo é assegurar o direito da sociedade rondoniense de conhecer os fundamentos que levaram à escolha do pré-candidato e compreender a compatibilidade entre sua trajetória política e os princípios da legenda que pretende representar.

Diante da relevância do tema para o debate público e para a transparência partidária, o expediente solicita que os esclarecimentos sejam prestados de forma pública e fundamentada.

A carta informa que seguem anexados fotografias, vídeos, reportagens e demais matérias jornalísticas veiculadas na imprensa local e nacional sobre fatos relacionados à trajetória pública de Luiz Carlos Teodoro. O documento afirma que o conjunto tem a finalidade de subsidiar a análise dos destinatários quanto às notícias e alegações de interesse público divulgadas, especialmente as referentes ao suposto envolvimento do pré-candidato em ações apontadas como de intimidação, enfraquecimento ou oposição a movimentos sociais historicamente criminalizados na região Norte do Brasil.

O expediente também afirma que foram anexados materiais relativos a manifestações públicas atribuídas ao pré-candidato sobre conflitos fundiários, com referências à apologia à grilagem de terras, além de declarações sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, cuja interpretação pública teria sido considerada por diversos veículos de comunicação e agentes políticos como relativização da gravidade dos ataques às instituições democráticas.

Ao final, a carta reforça que os documentos apresentados destinam-se exclusivamente a subsidiar o pedido de esclarecimentos e não constituem, por si sós, prova definitiva da veracidade das alegações, que deverão ser apreciadas à luz do contraditório, da ampla defesa e das manifestações que vierem a ser prestadas pelos interessados.

O documento foi assinado em Porto Velho, nesta terça-feira, 28, e assinado por Edjales Benício de Brito na condição de presidente da Federação REDE/PSOL em Rondônia.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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