Professor Nazareno critica passividade do eleitorado diante de problemas históricos do Estado
Rondônia é uma das 27 províncias do Brasil. Atrasado, inóspito, sem eira nem beira, violento, incivilizado e subdesenvolvido, o distante rincão tem hoje cerca de 1,6 milhão de habitantes e aproximadamente 1,26 milhão de eleitores. Quase todos eles da direita e da extrema-direita reacionárias.
Nas terras de Rondon, quase não existe opção de se votar na esquerda ou mesmo em candidatos mais progressistas. Raríssimas vezes se elege um deputado ou até mesmo um vereador, aqui e ali, que seja esquerdista.
O Estado tem hoje 533 vereadores, 52 prefeitos, 24 deputados estaduais, oito deputados federais, três senadores, um governador e um vice-governador. E quase todos eles bolsonaristas ferrenhos e militantes da corrente ideológica de Javier Milei, da Argentina, de Benjamin Netanyahu, de Israel, e até de Donald Trump, dos Estados Unidos. Traduzindo: quase todos são reacionários ao extremo.
Em Rondônia, durante as campanhas eleitorais, quase não se fala da esquerda e nem dos candidatos mais progressistas, embora se acredite que pelo menos 30% do eleitorado vote fielmente nesta corrente política. Pedir votos e não levar em consideração esse segmento ideológico, com seus muitos simpatizantes, pode resultar em fracasso nas urnas, como aconteceu, por exemplo, nas últimas eleições para prefeito da capital.
Mas o eleitorado, de maneira geral, tende a seguir e também a votar religiosamente em seus reacionários candidatos, principalmente no interior da província, que tem quase 70% do total de eleitores. Mesmo sendo um Estado composto em sua maioria por gente pobre e miserável, em Rondônia, basicamente em todas as eleições, só se elegem latifundiários, comerciantes, grandes empresários e toda sorte de gente rica e poderosa. E a província não sai do buraco.
E o buraco em Rondônia parece que não tem fim. Se o cidadão daqui quiser ver o fundo do poço, tem que olhar para cima. Problemas existem de todos os tamanhos. E grande parte da classe política local e, consequentemente, dos candidatos às próximas eleições não veem nada, ou fingem que não veem.
Rondônia nunca teve, em sua suja e imunda capital, um hospital de pronto-socorro decente. Tem uma só universidade pública, com um curso de Medicina, mas não tem hospital universitário. A energia elétrica é a mais cara do Brasil. A BR-364 tem o pedágio também mais caro do país. No rio Madeira não existe sequer um porto rampeado para os passageiros.
As escassas passagens aéreas são caríssimas. Se eu fosse pedir votos, me envergonharia se tivesse que viajar de carro ou de ônibus para Rio Branco ou Cuiabá e, de lá, seguir viagem para outros destinos. Por que ninguém tenta resolver tudo isto?
De um modo geral, o eleitor de Rondônia está parado, acomodado, inerte. Ninguém cobra nada. Ninguém exige nada. Ninguém fala nada. Ou esse eleitor sofre da “Síndrome de Estocolmo” ou está amarrado no famoso e antigo voto de cabresto.
O Estado teve, durante os últimos oito anos, um governador bolsonarista, que pouco ou nada fez pelo povo sofrido daqui. Mas, estranhamente, está-se querendo eleger outro bolsonarista.
E a questão não é eleger um bolsonarista, um petista ou uma pessoa de qualquer outra corrente política. É preciso votar em candidatos que se preocupem com a miséria e com o sofrimento de seus eleitores.
Precisamos de energia elétrica mais barata, pois somos produtores. Não queremos mais pedágios. Necessitamos de um hospital de pronto-socorro para a capital. Devíamos viajar de avião com boa oferta de passagens aéreas. Precisamos de um porto no rio Madeira. Esgoto e água tratada para Porto Velho seriam demais?
Genialidade aqui é sofrer sem parar.

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