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Brasil repudia revogação de visto de embaixadora e acusa EUA de medidas hostis

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Governo brasileiro afirma que justificativas apresentadas por Washington são falsas e diz que decisão agrava tensões diplomáticas entre os dois países

Por Yan Simon - quarta-feira, 05/08/2026 - 08h57

Porto Velho, RO – A decisão dos Estados Unidos foi classificada pelo Palácio do Planalto como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil. Em nota divulgada nesta terça-feira (4), o governo brasileiro afirmou que as recentes ações de Washington são motivadas por questões ideológicas e não condizem com uma relação bilateral baseada no respeito mútuo.

A manifestação ocorreu após o Departamento de Estado norte-americano anunciar uma alteração no visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi repudiada pelo governo brasileiro, que contestou os argumentos apresentados pelos Estados Unidos.

Segundo Washington, a decisão estaria relacionada à demora do Brasil em responder ao pedido de aprovação diplomática do nome indicado pelo governo de Donald Trump para comandar a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O Planalto declarou que as justificativas são falsas e informou que a solicitação norte-americana permanece em análise.

O governo também sustentou que não existe, na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, um prazo definido para a concessão do chamado agrément, procedimento pelo qual o país anfitrião aceita formalmente a indicação de um embaixador estrangeiro.

Na avaliação brasileira, os Estados Unidos ainda teriam desrespeitado a convenção ao divulgar publicamente o nome do indicado antes da anuência do Brasil. De acordo com a nota, a identidade do diplomata somente deveria ter sido anunciada após a conclusão do processo de aprovação.

Outro ponto citado pelo Planalto foi a recusa da entrada de dois funcionários do governo dos Estados Unidos no território brasileiro. Conforme a Presidência da República, a presença dos representantes teria como finalidade questionar a confiabilidade do sistema eleitoral do país.

O comunicado afirmou que a iniciativa também demonstraria uma tentativa de interferência na próxima eleição presidencial brasileira. “Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, declarou o governo.

A nota mencionou ainda as sanções impostas por Washington contra autoridades brasileiras, incluindo integrantes do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal. As restrições foram aplicadas com base na Lei Magnitsky, em retaliação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

Apesar do aumento das tensões, o Planalto declarou que foram adotadas medidas para buscar uma solução diplomática. O governo lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou do assunto durante uma visita a Washington, realizada em maio, quando pediu ao presidente Donald Trump a retirada das sanções individuais contra autoridades brasileiras.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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