Plano de governo da chapa formada por Marcos Rogério e Delegado Camargo reúne dez eixos para o período de 2027 a 2030 e desenha uma administração que pretende aproximar a saúde do interior, conectar a escola ao trabalho, endurecer o combate ao crime, abrir caminhos para a produção e reorganizar a máquina pública
Porto Velho, RO – Rondônia cabe inteira nas 228 ações apresentadas por Marcos Rogério para os quatro anos entre 2027 e 2030. Cabe o paciente de Porto Velho que espera uma cirurgia e cabe aquele que mora onde a estrada já virou rio. Cabe a criança diante das primeiras letras, o adolescente escolhendo uma profissão, a mulher que precisa escapar de um agressor, o produtor esperando calcário, o policial na fronteira, o caminhoneiro procurando estrada, o artista atrás de palco, o município sem projeto de engenharia e o servidor que sustenta por dentro a estrutura do Estado.
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A chapa formada por Marcos Rogério e Delegado Camargo dividiu esse desenho em dez grandes eixos e 228 projetos ou ações. É uma travessia que começa pela saúde e termina na gestão pública, passando por educação, assistência social, cultura, esporte, segurança, produção, infraestrutura, meio ambiente e desenvolvimento das cidades. A ideia é fazer essas áreas deixarem de funcionar como ilhas e passarem a conversar entre si: estrada com produção, escola com emprego, tecnologia com segurança, assistência social com renda, meio ambiente com atividade econômica e gestão pública com capacidade de investimento.
Há propostas que cabem numa tela de computador e outras que exigem concreto, aço e quilômetros de asfalto. Algumas nascem para resolver filas; outras, para abrir mercado. Há programas novos, reformas administrativas, hospitais, equipamentos policiais, crédito, qualificação profissional, barcos, portos, aeroportos e até uma ferrovia entre Vilhena e Porto Velho.
O fio que atravessa tudo é a tentativa de fazer o Estado chegar mais rápido onde hoje a distância pesa — seja ela medida em quilômetros, meses de espera, burocracia, falta de conexão ou ausência de estrutura.

01. Saúde: o atendimento precisa chegar antes do paciente
Na saúde, o ponto de partida é simples de entender: uma pessoa do interior não deveria precisar transformar uma consulta ou um exame numa viagem longa até Porto Velho.
A primeira resposta estaria nos cem primeiros dias. Um Gabinete de Crise da Saúde levantaria filas, contratos, estoques, dívidas, capacidade hospitalar e gargalos da regulação. Ao mesmo tempo, o S.O.S. Saúde abriria uma ofensiva de 180 dias para reduzir o passivo de consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas, inclusive utilizando capacidade disponível em unidades públicas, filantrópicas e privadas.
A fila deixaria de ser apenas uma lista de nomes. O SIRO organizaria a regulação dos 52 municípios a partir de risco, protocolos clínicos e tempo de espera. Uma estrutura de inteligência acompanharia demanda, produção, gastos e capacidade da rede, enquanto ferramentas de análise ajudariam a identificar se um paciente realmente precisa se deslocar ou se pode ser atendido mais perto de casa.
Depois da operação emergencial, o Cirurgia Já assumiria caráter permanente. A intenção é trabalhar com metas regionais, prazos máximos, produtividade e acompanhamento das cirurgias eletivas.
É aí que entra o Saúde Perto de Casa. A criação de uma Tabela SUS Rondoniense permitiria complementar valores de consultas, exames e procedimentos, estimulando hospitais e prestadores a ampliar o atendimento no interior. Ambulatórios de especialidades aparecem previstos para Vilhena, Cacoal, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ariquemes, São Francisco do Guaporé e Guajará-Mirim.
Onde o especialista estiver longe, entra a telemedicina. Onde nem consultório houver, a proposta é instalar estruturas modulares de telessaúde, inclusive em contêineres climatizados e conectados por fibra ou satélite. Onde a distância continuar sendo um problema, entram as Carretas da Saúde.
E quando a estrada terminar, a saúde segue de barco.
Madeira, Guaporé, Mamoré, Machado, Jamari, Roosevelt e outras regiões fluviais receberiam embarcações equipadas para consultas clínicas, pediatria, ginecologia, pré-natal, vacinação, exames, farmácia e atendimento odontológico. Comunidades indígenas teriam fluxos específicos de atendimento construídos com Sesai, DSEIs e municípios.
Dentro dos hospitais, outra mudança seria menos visível, mas igualmente estrutural: reorganizar pessoal, concursos, contratos, estoques e distribuição de medicamentos. Um centro logístico concentraria produtos de alto custo, vacinas, insulina e demais insumos, com acompanhamento eletrônico de lote, validade e movimentação.
A saúde mental receberia uma estrutura estadual de retaguarda ligada aos CAPS e à atenção básica. Para pessoas com deficiência e neurodivergentes, a proposta combina diagnóstico precoce, reabilitação, teleconsultoria e estudos para centros especializados em Porto Velho, Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena.
Há ainda o Sorriso Rondoniense, com prevenção, próteses, cirurgia bucomaxilofacial e atendimento odontológico hospitalar, e o Mulher Plena, voltado principalmente ao climatério e à menopausa, com ginecologia, endocrinologia, nutrição e psicologia.
No campo das grandes obras, três projetos dão escala física ao eixo: um novo Hospital de Urgência em Porto Velho para substituir o João Paulo II, a retomada e conclusão da estrutura hospitalar de Ariquemes e a criação de um Complexo Estadual de Trauma e Reabilitação, reunindo atendimento traumatológico, recuperação funcional, órteses e próteses.
A saúde, assim, não aparece como uma única obra ou um único programa. O desenho começa na fila, passa pelo médico, pela tela do computador, pelo estoque de medicamentos, pela ambulância, pela carreta, pelo barco e termina no hospital.

02. Educação: uma escola que leva o aluno até o futuro
Se a saúde tenta diminuir distâncias geográficas, a educação tenta encurtar outra distância: aquela entre a sala de aula e a vida que começa depois dela.
O Escola Renovada abre esse eixo com um diagnóstico da estrutura física das unidades estaduais nos cem primeiros dias. Climatização, acessibilidade, internet, saneamento, segurança, salas e ambientes pedagógicos seriam organizados num Mapa Estadual de Criticidade Escolar, que passaria a orientar reformas, manutenção e novas obras.
Na alfabetização, o Alfabetiza Rondônia criaria uma atuação conjunta com os municípios. O Avalia Rondônia reforçaria o acompanhamento da aprendizagem, especialmente em português e matemática, para identificar cedo onde o estudante começou a ficar para trás.
O tempo dentro da escola também aumentaria. O Rondônia em Tempo Integral pretende avançar primeiro sobre áreas de maior evasão, vulnerabilidade social e defasagem. A jornada ampliada incluiria programação, robótica, educação financeira e empreendedorismo.
A escola começa, então, a olhar para a economia que existe ao redor dela.
Nas Trilhas Vocacionais, um jovem de uma região agrícola poderia aprender zootecnia de precisão, operação de drones, irrigação e genética animal. Em outras trilhas, entrariam bioprocessos, bioativos, crédito de carbono, manejo florestal, eletrotécnica, energia solar e logística portuária.
O Escola, Profissão e Futuro faria a transição para Enem, vestibular, concursos, cursos técnicos, universidade e mercado de trabalho. A EJA ganharia formato presencial e semipresencial para quem deixou os estudos.
A Escola Híbrida aproveitaria o mesmo prédio durante todo o dia: ensino municipal pela manhã, anos finais e ensino médio estadual à tarde e formação profissional à noite. Morar Melhor, Orgulho do Madeira e Cristal da Calama aparecem como primeiros locais previstos para a experiência em Porto Velho.
Para preencher as salas com professores, seriam chamados aprovados em concursos vigentes e realizados novos certames regionalizados. A proposta inclui mecanismos para manter profissionais em áreas de difícil provimento. O Mestre de Excelência acrescentaria formação continuada, mentoria, certificação e valorização por titulação.
No antigo prédio da Escola Castelo Branco funcionaria o Instituto de Tecnologia e Formação Aplicada de Rondônia, o ITEC/RO. Professores e gestores também teriam uma escola própria de formação, a EFORGE.
A profissionalização chegaria sobre rodas ao interior. Carretas do Ensino Médio que Profissionaliza levariam cursos de piscicultura, panificação, máquinas agrícolas, informática, mecânica de motocicletas, imagem pessoal e outras formações a municípios como Machadinho d’Oeste, São Francisco do Guaporé, Buritis, Presidente Médici, Cerejeiras e Nova Mamoré.
A escola conectada vem logo depois: internet de alta velocidade, Wi-Fi pedagógico, satélite em áreas remotas, laboratórios de robótica, programação, internet das coisas e inteligência artificial. O Educa IA regularia o uso dessas ferramentas em sala, enquanto o Radar da Aprendizagem acompanharia notas, frequência e evasão.
A tecnologia, porém, não substitui os problemas humanos que atravessam os portões. O SER trabalharia bullying, ansiedade, depressão, automutilação, violência e uso problemático de jogos e apostas. O Ver para Aprender faria triagem oftalmológica, consultas e entrega de óculos. Alunos com deficiência teriam profissional de apoio, plano individual de ensino e tecnologia assistiva.
O Escola Protegida acrescentaria controle de acesso, câmeras, reconhecimento facial, catracas, botões de emergência e integração com a segurança pública.
No fim desse caminho estão duas necessidades elementares. O NUTRE reforçaria a alimentação e as compras da agricultura familiar; o Infância Plena levaria o Estado a construir creches para posterior administração municipal.
A escola que aparece nesse eixo não termina no quadro-negro. Ela vai da alfabetização ao primeiro emprego.
03. Desenvolvimento social: proteger sem abandonar a ideia de autonomia
A política social se organiza em torno de uma palavra recorrente: família.
O ProFamília Rondônia conectaria assistência social, saúde, educação e segurança. Os 52 municípios passariam a trabalhar com uma estrutura integrada do Suas e com um Painel Estadual da Vulnerabilidade Social capaz de reunir informações sobre renda, crianças, evasão escolar, violência, primeira infância e população em situação de rua.
Para as crianças, o Criança Forte reúne uma coleção de programas: Família que Cuida, Nenhuma Criança Invisível, Criança Protegida, Brincar é Crescer, Infância sem Barreiras, Primeira Infância em Todo Lugar, Crescer com Saúde, Rede que Cuida, Município Amigo e Observatório Criança Forte.
Na juventude, o Aprendiz do Futuro atenderia pessoas de 14 a 24 anos com qualificação e acesso a oportunidades de aprendizagem no poder público e na iniciativa privada, com atenção especial a jovens de comunidades tradicionais.
Para as mulheres, o Rondônia por Elas mistura qualificação, crédito, empreendedorismo, cooperativismo e produção rural. O Aurora atua no extremo oposto da vulnerabilidade: mulheres em risco de feminicídio ou submetidas a situações graves de violência poderiam ser acolhidas, com os filhos, em unidades protegidas e de endereço sigiloso distribuídas por cinco regiões do Estado.
Pessoas com deficiência teriam uma coordenação específica no Rondônia Inclusiva. O Travessia atuaria com pessoas em situação de rua e dependência química, incluindo uma estrutura exclusiva para mulheres.
Para quem envelheceu, aparecem duas respostas diferentes. O Viver Bem 60+ combina moradia e acolhimento multiprofissional. O AtivaMente 60+ trabalha convivência, cultura, esporte, inclusão digital e prevenção da violência.
Indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e outras comunidades tradicionais entram no Raízes de Rondônia, que reúne documentação, assistência técnica, crédito, cooperativas, agroindústrias, turismo, artesanato, compras públicas e acesso à internet.
O Produtor que Alimenta fecha um circuito bastante direto: o pequeno agricultor produz; o Estado compra; a assistência social distribui a quem precisa.
Organizações sociais receberiam apoio do Fortalece OSC para regularização, projetos, captação de recursos e prestação de contas.
Para pessoas com deficiência, a política ainda abrange reabilitação, cadeiras de rodas, órteses, próteses, diagnóstico precoce, cuidadores, Libras, formação profissional, crédito e acessibilidade física e digital.
E o Prosperar concentra a ideia de saída gradual da assistência. Uma família que consegue emprego, abre um negócio ou aumenta sua produção poderia receber temporariamente um auxílio de transição enquanto avança por qualificação, crédito, empreendedorismo, intermediação de mão de obra e educação financeira.
A proteção permanece. Mas, ao lado dela, aparece o caminho para que a família dependa cada vez menos dessa proteção.

04. Cultura, esporte e lazer: entre o arraial, a arena e o videogame
Cultura, esporte e lazer aparecem no mesmo eixo, mas não como uma coisa só.
A cultura teria estrutura administrativa própria, orçamento específico e o chamado CPF da Cultura — Conselho, Plano e Fundo — como base permanente. Editais seriam descentralizados, equipamentos culturais recuperados e artistas, produtores, gestores e coletivos teriam programas de formação.
Uma plataforma estadual reuniria artistas, espaços, eventos e agendas.
A cultura popular ganharia circuito próprio, com Boi-Bumbá, Carnaval, quadrilhas juninas e Flor do Maracujá. O Vem Rondonizar levaria para São Paulo uma mostra de música, culinária, artesanato, turismo e oportunidades de negócios de Rondônia.
No esporte, o Talentos de Rondônia levaria iniciação esportiva a crianças e adolescentes. O Mérito Esportivo financiaria atletas e paratletas e, para estudantes, associaria o benefício à frequência e ao desempenho na escola.
O Aluízio Ferreira seria concluído e modernizado para receber esporte, cultura e grandes eventos. Jacy-Paraná e Costa Marques entram nos estudos para arenas de esportes de areia.
O Esporte como Vacina levaria artes marciais e modalidades coletivas a escolas e conjuntos habitacionais. Os Jogos Escolares seriam fortalecidos como porta para programas de incentivo a talentos.
A cultura digital também ganha seu campeonato. O Rondônia Tech Games teria Arena Gamer itinerante, competições de eSports e atividades de design, programação e audiovisual.
Nas cidades, o Lazer Vivo pretende recuperar todos os espaços urbanos de lazer pertencentes ao Estado em 36 meses. E um Parque Estadual da Cultura e dos Grandes Eventos concentraria festivais, feiras, congressos, apresentações e estruturas para manifestações folclóricas.
Vai do arraial ao computador sem abandonar a praça no caminho.
05. Segurança: inteligência para encontrar o crime, estrutura para chegar até ele
A segurança reúne 35 ações e ocupa um dos capítulos mais extensos da proposta.
O Banco Estadual Unificado de Inteligência reuniria informações criminais, patrimoniais, financeiras, cadastrais e penitenciárias, usando Big Data e inteligência artificial para identificar pessoas, relações e patrimônio ligado ao crime.
No Escudo Rondônia, um Departamento Estadual de Combate às Facções Criminosas trabalharia ao lado de uma força-tarefa de inteligência patrimonial. O alvo não seria apenas o criminoso armado na rua, mas também dinheiro, empresas de fachada, bens e estruturas usadas para financiar organizações criminosas.
Na fronteira, Guajará-Mirim e Costa Marques receberiam atenção específica. O Fronteira Blindada prevê bases terrestres e fluviais, unidades do Denarc, embarcações, drones, câmeras, sensores e leitura de placas, além de integração entre diferentes forças.
A investigação científica ganharia um complexo forense, laboratório de genética e sistema de identificação balística. O Rastro Digital levaria núcleos de perícia tecnológica para Porto Velho, Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena.
Nos presídios, o Comando Absoluto combinaria biometria, videomonitoramento, scanners, bloqueadores de comunicação, equipamentos contra drones e sistemas de inteligência. Também seria estudada uma unidade de alta segurança para lideranças criminosas e presos de maior periculosidade.
O Recomeçar atua na outra ponta, ampliando trabalho, educação e formação profissional dentro das unidades penais.
No campo, o Campo Mais Seguro enfrentaria roubo de gado, máquinas, defensivos, cargas, invasões e fraudes. O Produtor Seguro permitiria acionamento emergencial com envio da localização da propriedade.
Nas cidades, o RO 360 conectaria câmeras, reconhecimento facial, sensores e leitura de placas. Imagens externas de empresas e residências poderiam ser compartilhadas voluntariamente com a rede de monitoramento.
A proteção às mulheres ganharia o Escudo Digital, com botão de emergência, geolocalização, acompanhamento de medidas protetivas e acionamento de viaturas. Patrulha Maria da Penha, delegacias especializadas e salas lilás seriam ampliadas.
Nas escolas, câmeras, totens, drones, botão de emergência e patrulhamento especializado formariam a Rede Escola de Ordem e Proteção.
Taxistas, caminhoneiros, motoristas de aplicativo e outros trabalhadores do transporte seriam integrados ao Rota Protegida, com acionamento silencioso e localização automática.
Pelo Asas da Vida, uma nova base aérea no eixo de Ji-Paraná ou Cacoal aproximaria helicópteros e equipes de resgate do centro do Estado.
A Defesa Civil receberia mapas de risco, sensores, meteorologia, satélites e drones. O Corpo de Bombeiros ganharia uma estrutura especializada para incêndios florestais.
Nas cidades, o Município Seguro conectaria guardas, iluminação, cercamento eletrônico e câmeras ao sistema estadual. A Atividade Delegada permitiria que policiais trabalhassem voluntariamente em períodos de folga em ações conveniadas com as prefeituras.
A população entraria nessa rede por programas de informação, recompensas e pelo aplicativo Ruas Seguras.
Para os profissionais, aparecem assistência médica e psicológica, ala hospitalar específica, assistência jurídica, revisão de carreiras, gratificações, formação permanente e utilização de policiais veteranos em atividades de treinamento e apoio.
A última parte devolve policiais às ruas. O Presença Policial alcançaria os 52 municípios, pessoal administrativo assumiria tarefas burocráticas e novos concursos recompõem os efetivos.
A tecnologia observa, a inteligência cruza informações e, na ponta, permanece a presença física do policial.

06. Desenvolvimento econômico: Rondônia produz — e a proposta é fazer produzir mais aqui dentro
O desenvolvimento econômico tem 37 ações, o maior número entre os dez eixos.
A regularização fundiária abre o caminho. O Propriedade Privada Garantida aceleraria titulações, cadastros e georreferenciamento e buscaria a transferência de glebas federais.
Para o empreendedor urbano, um novo Código de Defesa do Empreendedor ampliaria a liberdade econômica, digitalizaria processos, reduziria exigências para atividades de baixo risco e estabeleceria prazos para análise de licenças.
No campo, aparecem polos de hortifrutigranjeiros e centros de distribuição em Vilhena, Cacoal, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ariquemes e Porto Velho.
O Terra Produtiva entregaria calcário e fertilizantes. O Campo Mecanizado levaria máquinas às propriedades. O Campo Irrigado forneceria bombas, tubulações, reservatórios e sistemas de irrigação. O Semente que Fortalece distribuiria sementes acompanhadas de assistência técnica.
Nas comunidades ribeirinhas, barcos ajudariam a retirar a produção e aproximá-la dos mercados.
A Seagri seria transformada em Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário, a SEDAGRO. O Agro Forte reuniria pecuária, leite, café, cacau, grãos, frutas, verduras, pescado e agroindústria.
O pequeno empreendimento rural teria crédito, assistência técnica e apoio à certificação. O selo Produzido em Rondônia ajudaria a identificar alimentos e mercadorias processados dentro do Estado.
Silos, armazéns, secadores, esmagadoras de grãos e usinas de etanol de milho aparecem como parte da estratégia para que Rondônia não venda apenas matéria-prima.
O Pescado Forte enfrenta licenciamento, alimentação, genética e assistência aos piscicultores. O Leite Blindado direciona recursos para genética, produção de milho, resfriamento e proteção da atividade.
O café robusta seguiria o mesmo raciocínio de agregar valor: além do grão, atrair processamento para café solúvel, extratos, cosméticos, produtos farmacêuticos e cafés especiais. Cacau, castanha, açaí, palmito e cupuaçu também entram nessa lógica.
Energia trifásica e geração solar avançariam sobre as propriedades rurais. Mutirões tratariam de CAR, regularização ambiental, piscicultura e uso de água. Procedimentos de licenciamento seriam simplificados para atividades de menor risco.
O Desenrola Rondônia permitiria renegociação de dívidas administrativas. O Distrito Industrial de Porto Velho receberia asfalto, drenagem, água, iluminação e videomonitoramento.
A floresta entra pelo manejo legal e pela rastreabilidade. A mineração aparece no Ouro Legal, com apoio a cooperativas, processamento sem mercúrio e certificação de origem.
Guajará-Mirim seria trabalhada como porta para a Bolívia e o Pacífico. Turismo, pesca esportiva, hotéis, resorts, trilhas, mountain bike, rali e esportes de aventura entram no Destino Rondônia e em outros programas.
A Rondônia Rural Show, finalmente, deixaria de viver apenas os dias da feira. O Parque Vandeci Rack seria convertido num centro de atividades durante todo o ano, com eventos regionais em Vilhena, Rolim de Moura e Porto Velho.
O eixo começa na escritura da terra e termina tentando vender melhor aquilo que ela produz.
07. Infraestrutura e logística: estrada, rio, céu — e trilho
Para chegar aos 45% de rodovias estaduais asfaltadas até 2030, a infraestrutura teria planejamento próprio, financiamento específico e uma nova organização administrativa. A meta inclui ainda manter mais de 80% dos trechos pavimentados em boas condições.
Uma nova Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística faria o planejamento; o DER permaneceria responsável pelas rodovias e pontes; e um Plano Estadual de Logística e Investimentos 2027-2040 organizaria estradas, portos, hidrovias, ferrovias, aeroportos e armazenagem numa única carteira.
Entre as prioridades rodoviárias aparece a Rodovia do Boi, especialmente nos trechos Trevo da Pedra–Parecis e Alto Alegre–Triunfo. A relação alcança dezenas de rodovias estaduais e praticamente todas as regiões de Rondônia.
Um centro estadual acompanharia estradas, pontes, erosões, enchentes e interdições com drones, imagens remotas e informações meteorológicas.
O Rondônia Sem Atoleiro cuidaria das estradas não pavimentadas em parceria com as prefeituras. O Sinaliza Rondônia reforçaria placas e pintura. O Estrada Boa o Ano Todo trataria de buracos, acostamentos, drenagem, roçada e manutenção permanente.
O Pontes do Progresso substituiria gradualmente pontes de madeira por estruturas de aço, concreto ou galerias pré-moldadas.
No Baixo Madeira, o Complexo Portochuelo concentraria porto, indústria, terminais privados e ligação rodoviária.
Guajará-Mirim e Nova Mamoré entram no Fronteira Competitiva, com infraestrutura logística ligada à Bolívia.
Nas margens dos rios, o Porto Ribeirinho construiria pequenas estruturas de embarque e desembarque em comunidades de diferentes regiões. O Navega Rondônia incentivaria embarcações populares e uma indústria naval regional.
Internet e telefonia alcançariam distritos, estradas, portos, escolas, unidades de saúde e propriedades pelo Rondônia Conectada.
Depois do asfalto e do rio, vêm os trilhos.
Um marco ferroviário estadual seria encaminhado à Assembleia nos primeiros cem dias, abrindo caminho para autorizações privadas. A meta é viabilizar a ligação ferroviária entre Vilhena e Porto Velho.
Os aeroportos de Ji-Paraná, Cacoal, Vilhena e Ariquemes receberiam obras e equipamentos para ampliar operações noturnas e por instrumentos. O Céus Abertos também relacionaria benefícios tributários à criação de novas rotas.
Distritos como União Bandeirantes, Extrema, Nova Califórnia, Tarilândia e Rondominas teriam um programa próprio de infraestrutura.
E as prefeituras ganhariam algo que costuma anteceder qualquer obra: projetos de engenharia prontos, em BIM, para mercados, feiras, terminais, praças, orlas e outros equipamentos urbanos.
A lógica é multimodal: a carga pode começar numa estrada rural, seguir por uma rodovia, chegar ao porto, atravessar o rio ou, no futuro imaginado pelo programa, embarcar num trem.

08. Meio ambiente: produzir e preservar dentro da mesma paisagem
O meio ambiente entra associado à economia legal, à regularização e à tecnologia.
O Terras de Rondônia buscaria a transferência de glebas federais para acelerar titulações. O Destrave do CAR enfrentaria o estoque de cadastros rurais e, para determinadas atividades de baixo e médio impacto, o licenciamento poderia ser autodeclaratório e automatizado.
O Zoneamento Socioeconômico-Ecológico passaria a ter atualização dinâmica.
Um Banco Genético Florestal, construído com instituições de pesquisa, trabalharia espécies como seringueira, copaíba e andiroba.
Rotas de Ecoturismo receberiam infraestrutura de baixo impacto em áreas do Guaporé, Ouro Preto do Oeste, Baixo Madeira e Candeias do Jamari.
O Lixo Zero combinaria coleta, reciclagem, logística reversa, cooperativas de catadores e encerramento de lixões.
O Cinturão Agroflorestal incentivaria a combinação de lavoura, pecuária e floresta, além de cultivos de cacau, café, açaí e castanha.
No fogo, a palavra-chave é rapidez. Detecção por satélites e sensores serviria para encontrar focos no início. Brigadas municipais trabalhariam com Bombeiros, Polícia Ambiental, Sedam e comunidades.
Prédios públicos também produziriam energia, começando por hospitais e escolas de tempo integral no Rondônia Solar.
A segunda metade do eixo se volta ao bem-estar animal. A proposta inclui Código Estadual de Proteção, estudo de um hospital veterinário público em Porto Velho, unidades móveis de atendimento e castração e ações permanentes para reduzir abandono.
Animais utilizados em tração teriam cadastro, jornada, limite de carga e regras de alimentação e manejo. Cavalgadas passariam a seguir parâmetros próprios.
Uma delegacia eletrônica receberia denúncias de maus-tratos, abandono e tráfico de animais silvestres. O Castra-RO faria parcerias com municípios e entidades protetoras. Oficinas dentro do sistema penitenciário poderiam produzir abrigos, coleiras e outros materiais para os programas de proteção animal.
É um eixo que começa na floresta e termina no quintal de casa.
09. Desenvolvimento urbano e municipalismo: o Estado ajuda a desenhar a cidade
O municipalismo tem dez ações — e as dez formam uma sequência quase natural.
A Secretaria Metropolitana de Porto Velho cuidaria da articulação da capital com Candeias do Jamari e Itapuã do Oeste, sem aumento previsto de despesas.
A Sala dos Municípios seria uma porta única dentro do governo para prefeitos e vereadores, reunindo engenheiros, técnicos, procuradores e acesso às secretarias.
O PADU forneceria cartografia digital, imagens de satélite e drones, além de engenheiros, urbanistas e suporte jurídico para ajudar municípios a elaborar planos e projetos.
O Nome Limpo Casa Própria atenderia famílias de renda mais baixa que precisam recuperar capacidade de crédito para financiar moradia.
O Lar Melhor Rondônia atuaria sobre a casa que já existe: banheiro, telhado, piso, estrutura e saneamento poderiam receber subsídio ou microcrédito.
O Banco de Projetos ofereceria modelos completos em BIM para escolas, UBSs, pontes urbanas, praças, pavimentação e drenagem.
O Rondônia Integrada reuniria municípios em regiões de planejamento para tratar em conjunto de saneamento, transporte, logística, turismo, agroindústria e tecnologia.
O Universaliza Rondônia trabalharia a expansão de água e esgoto.
O Macro Orlas do Progresso leva o planejamento urbano de volta aos rios, com projetos em Ji-Paraná, Guajará-Mirim, Costa Marques e Porto Velho.
E o Arco Logístico de Porto Velho estudaria uma nova ligação para retirar carretas da área urbana e facilitar o acesso ao futuro complexo portuário.
Casa, rua, esgoto, praça, porto, projeto e planejamento entram juntos porque, para uma prefeitura pequena, muitas vezes o problema de construir começa bem antes da obra.

10. Gestão, finanças e servidores: arrumar por dentro para entregar por fora
O último eixo vai até a parte da máquina pública que normalmente não aparece na fotografia de uma inauguração.
Nos primeiros cem dias, contratos de terceirização passariam por auditoria e as despesas com diárias e passagens teriam redução imediata de 40%, redirecionando recursos para as áreas finalísticas.
Cada secretaria e empresa estadual passaria a ter um Acordo de Resultados com metas de entrega, custo e qualidade.
O Investimento Garantido fixa uma meta: elevar a execução dos investimentos para mais de 10% da dotação atualizada até 2030.
O Conta Certa pretende resolver apontamentos estruturais das contas estaduais em até 24 meses.
Uma reforma administrativa reorganizaria secretarias e estruturas com funções sobrepostas, enquanto o Orçamento Base Zero revisaria as despesas e buscaria reduzir em até 30% os gastos discricionários ao longo do mandato.
A comunicação pública seria avaliada por alcance e resultado. O Portal da Transparência ganharia busca inteligente e dados abertos.
Um Comitê Central de Gestão reuniria o núcleo estratégico do governo. Um Escritório de Projetos Especiais acompanharia empreendimentos como o novo hospital, o complexo de trauma, o ITEC e os grandes corredores logísticos.
Para os servidores, o Consignado Justo mexeria no custo dos empréstimos descontados em folha, acompanhado por um programa de renegociação e portabilidade.
Auxílio-alimentação e saúde seriam reorganizados para beneficiar proporcionalmente mais as faixas salariais mais baixas. A revisão geral anual voltaria ao planejamento da folha.
O Servidor Cuidador estudaria horários diferenciados e teletrabalho para quem cuida de dependentes com deficiência ou neurodivergência.
Concursos seriam regionalizados para preencher vagas onde elas realmente existem. Uma carreira central reuniria especialistas de gestão, finanças e controle. Funções de chefia seriam ligadas à formação pela Escola de Liderança Pública.
Na área tributária, uma equipe prepararia Rondônia para a transição do ICMS ao IBS. O Caixa Livre reduziria gradualmente mecanismos que cobram imposto antes da venda de determinadas mercadorias.
Nas compras do Estado, pequenas empresas locais ganhariam espaço por meio de lotes regionais e processos simplificados. Uma central de compras concentraria itens comuns para reduzir custos.
Detran, Caerd, Soph, Emater e Idaron também entram na reorganização.
O Detran teria carreira própria fortalecida e mais tecnologia. Na Caerd, contratos, concessões e parcerias passariam por auditoria. Rongás e Companhia de Mineração poderiam ser reunidas numa Companhia de Energia e Mineração. A Soph teria suas funções ampliadas no setor aquaviário. A Emater reforçaria formação técnica, agricultura de precisão, drones e bioeconomia. A Idaron direcionaria mais estrutura administrativa para as atividades de campo.
O último movimento é a possível união entre IPEM e Agero numa Agência Estadual de Regulação e Metrologia.
E é aí que as 228 ações terminam.
Começaram diante de uma fila de hospital. Passaram pela alfabetização de uma criança, pelo primeiro emprego de um jovem, pela proteção de uma mulher, pelo agricultor, pelo policial, pela estrada, pelo rio, pela floresta e pela cidade. Chegam ao fim dentro da engrenagem que precisa fazer todas essas coisas funcionarem.
São dez eixos diferentes, mas não dez histórias separadas. A escola técnica precisa da economia que contrate seu aluno. A produção precisa da estrada. A estrada precisa de projeto e dinheiro. O dinheiro precisa de gestão. A segurança precisa de tecnologia. A tecnologia precisa de conexão. O hospital precisa de gente, insumo, regulação e transporte.
É nessa soma que Marcos Rogério organiza sua proposta para 2027 a 2030: fazer a máquina pública conversar consigo mesma e fazer essa conversa chegar, na outra ponta, a quem vive em Rondônia.
AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO)
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