Lula abriu agenda no ABC Paulista, Flávio Bolsonaro foi a Copacabana e Ronaldo Caiado percorreu cidades de Goiás; outros presidenciáveis também realizaram atividades neste domingo
Porto Velho, RO – Redutos políticos e eleitorais foram escolhidos por candidatos à Presidência da República para marcar, neste domingo (16), o primeiro dia de atividades públicas da campanha de 2026. As agendas ocorreram em diferentes estados e incluíram comícios, caminhadas, encontros religiosos e reuniões com apoiadores, com discursos concentrados em temas como segurança pública, economia, políticas sociais, combate à corrupção e gestão fiscal.
A propaganda eleitoral nas ruas passou a ser autorizada neste domingo, conforme o calendário da Justiça Eleitoral. Pela Lei das Eleições e pelas normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os atos de campanha poderão ser realizados até 3 de outubro, véspera do primeiro turno. Já os comícios estão permitidos das 8h à meia-noite até 1º de outubro.
Em São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou oficialmente a campanha em busca de um quarto mandato presidencial. O ato ocorreu no Estádio da Vila Euclides, espaço ligado à trajetória política do presidente e às mobilizações de trabalhadores metalúrgicos do ABC no fim da década de 1970.
Diante dos apoiadores, Lula pediu mobilização durante o período eleitoral e afirmou que os militantes deverão apresentar comparações entre as ações de seu governo e as de administrações anteriores. “A partir de hoje, só vamos dormir direito em 5 de outubro”, declarou.
Defesa da soberania nacional, políticas sociais, participação das mulheres e segurança pública estiveram entre os assuntos abordados no evento. Em sua sétima candidatura à Presidência, Lula também fez críticas à direita e afirmou que não permitirá, enquanto estiver vivo, o retorno de um grupo político que responsabilizou por mortes ocorridas durante a pandemia.
Representantes do PT de diferentes regiões participaram do comício. Benedita da Silva, candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, representou os concorrentes do partido ao Legislativo.
Na segurança pública, Lula citou propostas como a criação de um Ministério da Segurança Pública e a aprovação de uma legislação de combate ao crime organizado. Segundo o presidente, o enfrentamento às organizações criminosas deve atingir principalmente os responsáveis que obtêm maiores ganhos financeiros com essas atividades.
No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a Praia de Copacabana para abrir sua campanha. O local recebeu, nos últimos anos, diferentes manifestações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, inclusive mobilizações contrárias à prisão dele por tentativa de golpe de Estado.
Flávio chegou ao carro de som por volta das 11h30 usando uma camiseta com a frase “Meu Partido é o Brasil”, acompanhada pelas cores da bandeira nacional. Estavam no ato o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar, a mãe, Rogéria, também candidata, e a esposa, Fernanda.
Durante o evento, foram reproduzidos áudios de Jair Bolsonaro tratando da família após o atentado sofrido durante a campanha de 2018. Flávio afirmou que pretende dar continuidade ao legado político do pai, que governou o país entre 2019 e 2022.
Ao comentar as comparações com o ex-presidente, declarou: “É difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”.
O candidato sustentou que Jair Bolsonaro foi preso injustamente e afirmou que, caso seja eleito, pretende indicar quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), entre homens e mulheres. Atualmente, Cármen Lúcia é a única mulher entre os integrantes da Corte.
Medidas relacionadas à segurança pública ocuparam parte significativa do discurso. Entre as propostas apresentadas estão a classificação de milícias e organizações ligadas ao tráfico de drogas como terroristas, a redução da idade penal e ações contra roubos, furtos e feminicídios.
Na economia, Flávio criticou a taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, e prometeu medidas destinadas à redução da inflação para a classe média. Também mencionou um “tesouraço” nos primeiros dias de eventual governo, com cortes de despesas e cargos públicos.
Em Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) percorreu municípios próximos ao Distrito Federal para iniciar a campanha presidencial. Ex-governador do estado, cargo que ocupou entre 2019 e março deste ano, ele aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto entre os eleitores goianos.
Acompanhado por apoiadores, Caiado passou por Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental. A agenda foi encerrada em Luziânia.
O candidato afirmou que disputa a eleição com o objetivo de retirar o PT do governo federal e assegurou que não apoiará Lula caso fique fora do segundo turno. A posição diverge de declaração do presidente do PSD e candidato a vice, Gilberto Kassab, que havia afirmado no sábado que partidos integrantes do chamado Centrão estão com Lula.
Caiado também declarou ser o único político com mandato no país que nunca apoiou o atual presidente. Para ele, os eleitores deverão escolher no primeiro turno qual candidato de oposição enfrentará Lula na etapa seguinte da eleição.
Questionado sobre Flávio Bolsonaro, que aparece à frente dele nas pesquisas nacionais de intenção de voto, Caiado afirmou que um candidato de oposição não poderá chegar à disputa tendo de explicar problemas pessoais ou políticos. “Este não ganha a eleição”, disse.
O ex-governador ainda mencionou resultados que atribui à sua administração em Goiás nas áreas de segurança pública, educação e saúde. Também defendeu que os eleitores avaliem propostas relacionadas à responsabilidade orçamentária e ao equilíbrio fiscal.
Em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) iniciou as atividades em Montes Claros, no Norte do estado. O ex-governador participou de uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José e, posteriormente, esteve em um almoço com candidatos do partido à Câmara dos Deputados.
Durante discurso, Zema criticou o governo Lula, declarou acreditar em sua presença no segundo turno e apresentou posições relacionadas à segurança pública e ao combate à corrupção. “O que eu fiz aqui eu vou fazer no Brasil. Sem roubalheira, sem corrupção e com gente competente”, afirmou.
O Largo São Francisco, na região central de São Paulo, foi escolhido por Renan Santos, candidato pelo Missão, para o primeiro ato eleitoral. Participaram da mobilização o deputado federal Kim Kataguiri, o ex-deputado estadual Arthur do Val, Amanda Vettorazzo e outros apoiadores.
Santos criticou políticas assistencialistas e abordou temas como empreendedorismo e segurança pública. Aos presentes, declarou que pretende integrar uma geração capaz de alterar os rumos do país.
Augusto Cury, candidato pelo Avante, abriu a campanha em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele apresentou propostas de seu plano de governo, principalmente na área da saúde, e afirmou que eventual mandato terá como prioridade ouvir a população.
Ao tratar da polarização política, Cury defendeu que o país não seja dividido entre direita e esquerda e comparou a sociedade brasileira a uma única família, cuja condução, segundo ele, deve ocorrer com responsabilidade.
Também em São Paulo, Hertz Dias (PSTU) participou de caminhadas pela Avenida Paulista, na capital, e por ruas de São José dos Campos, no interior. Professor da rede pública e ativista do movimento negro, ele apresentou como uma de suas principais propostas a reestatização de empresas consideradas estratégicas.
Dias afirmou que o Brasil produz grande quantidade de riquezas, mas avaliou que elas permanecem concentradas nas mãos de banqueiros, multinacionais e grandes empresários. O candidato disse que pretende construir uma alternativa política voltada aos trabalhadores e à redução da concentração de renda.
Samara Martins, da Unidade Popular (UP), realizou em São Paulo um evento de lançamento de campanha ao lado de militantes da legenda. Edmilson Costa, do PCB, programou para a noite de domingo uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube.
Já Clariana Barão, do DC; Rui Costa Pimenta, do PCO; Wilson Grassi, do Democrata; e Pablo Marçal, do PRTB, não divulgaram agenda de campanha para este domingo.
Com informações de: Agência Brasil
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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