Coluna aborda pesquisa amazônica, os 112 anos de Porto Velho, a disputa entre Fúria e Hildon, a corrida ao Senado, perspectivas de renovação política e a força da transferência de votos
Nojentas, mas ricas
Nenhum estudo sobre as peculiaridades da Amazônia pode ser taxado como inútil. Toda informação apurada é uma reserva a utilizar quando houver necessidade. Produzir biogasolina, por exemplo, foi uma conquista obtida pelo acúmulo de experiências no curso de uma pesquisa desenvolvida na Ufam (Universidade Federal do Amazonas) com os resíduos das caixas de gordura.
Além da biogasolina, o bioquerosene, o diesel verde e combustível para embarcações podem ser produzidos a partir dessa fonte. Coisas nojentas e inúteis gerando riquezas continuamente, como fonte inesgotável de matéria-prima, representam o sucesso do consagrado conceito Lavoisier de que “na natureza nada se perde, tudo se transforma”.
A pesquisa ainda não se completou, mas os primeiros resultados e a evidência de seu potencial apontam para que simplesmente tudo das caixas de gordura pode ser útil e rentável. No estudo, conduzido pelo Grupo de Pesquisa em Tecnologias Biossustentáveis da Amazônia, o aproveitamento é total, já que os resíduos finais da criação desses combustíveis poderão ser usados como ligante asfáltico na pavimentação de ruas e rodovias.
Um material tido como nada, encaminhado para a incineração, sai do céu para o inferno no curso de uma pesquisa que mirava o pouco e acertou no muito. É preciso pensar duas vezes, talvez até mais, antes de achar que algo não presta mais.
São 112 anos
O município de Porto Velho comemora neste dia 2 de outubro seus 112 anos de criação com várias atrações festivas, entra elas um bolo de 112 metros, entre atividades esportivas e recreativas programadas pelo prefeito Leo Moraes. Uma cidade com seus distritos populosos repletos de desafios para os próximos anos, o mais urgente é atender as demandas de saneamento básico. A capital rondoniense tem menos de 50 por cento de abastecimento de água tratada – com enorme desperdício do precioso líquido – e uma rede de esgoto terceiro mundista, com menos de 6 por cento dos domicílios ligados. Regularização dos imóveis, mobilidade urbana, a saúde, educação, segurança pública também são quesitos preocupantes.
Fúria x Hildão
Com tudo indicando que o senador Marcos Rogério (PL) não define a eleição em turno único, mas que tem vaga garantida no segundo turno, nestas últimas horas de campanha teremos um grande embate para definir a segunda vaga, entre os ex-prefeitos Adailton Fúria (PSD) e Hildon Chaves (Federação União Progressista). Fúria perdeu alguma tração nos últimos dias com o dito “rompimento” com o govenador Marcos Rocha que concentra agora seu apoio apenas no seu candidato ao Senado Luís Fernando. Hildon Chaves terá uma grande vitória na capital e na última semana ganhou terreno no interior. Peleja considerada equilibrada na busca de uma vaga no segundo turno. Se o pleito fosse hoje, não havendo reviravoltas, o ex-prefeito de Cacoal seguiria ao turno seguinte.
Cadeiras ao Senado
Com uma liderança solidificada no interior de Rondônia, e com todo apoio do MDB do senador Confúcio Moura, o ex-senador Acir Gurgacz, presidente estadual do PDT, vem numa crescente na última semana para garantir uma das cadeiras ao Senado da República. No interior seus principais concorrentes são a deputada federal Silvia Cristina (PP) e o fazendeiro Bruno Scheidt (PP), na capital a ex-deputada federal Mariana Carvalho e o atual deputado federal Fernando Máximo, o Touquinha. Numa gangorra desta campanha, acredita-se que o interior eleja um senador e a capital outro.
Baita renovação
Numa eleição onde o crime organizado está presente investindo em vários candidatos desconhecidos para a Assembleia Legislativa de Rondônia e as oito cadeiras a Câmara dos Deputados, é previsível uma grande renovação dos quadros políticos no estado. A Assembleia Legislativa voltou a ser frequentada pela Policia Federal protagonizando mais um escândalo financeiro, na bancada federal os senadores Marcos Rogério e Confúcio Moura não disputam a reeleição. Rogério disputa o governo e Confúcio desistiu da reeleição. Serão duas cadeiras renovadas. Quanto a Câmara dos Deputados, os parlamentares saem bem desgastados, dormindo de touca em causas consideradas importantes como as do pedagiamento da BR 364 e no episódio do brutal aumento das passagens aéreas.
Com cadastramento
Alguns grupos políticos desde o início da semana realizam cadastramento de eleitores, um sistema antigo aplicado em Porto Velho para a compra de votos. O caro leitor cadastra seu nome, para o político interessado, bota no papel sua zona eleitoral, seção, etc como forma de pressão dos políticos para a fidelização do voto em troca de R$ 200,00. Não dá para contar com 100 por cento de fidelidade, já que muitos eleitores vendem os votos para vários candidatos diferentes. Em alguns comitês verifiquei a doação de muletas, dentaduras e outros benefícios aos eleitores. Vale tudo para virar deputado.
A transferência
Neste pleito vamos ver quem são os políticos bons de transferência de votos. Na campanha passada Hildon Chaves transformou sua esposa Ieda numa das candidatas mais votadas a Assembleia Legislativa e o ex-prefeito Adailton Fúria quase elegeu sua esposa Joliane que acabou ficando numa suplência para a Câmara Federal. No pleito de outubro temos o prefeito de Porto Velho Leo Moraes tentando eleger o mano Paulo Moraes Junior a deputada estadual e sua mãe Sandra Moraes como suplente do candidato ao Senado Fernando Máximo. O ex-governador Ivo Cassol tem sua irmã Jaqueline disputando uma cadeira a Câmara dos Deputados, o ex-prefeito de Ouro Preto Alex Testoni o filho Ninho Textoni a deputado estadual, os irmãos Muletas lançando suas esposas a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados.
Opção equivocada?
O resultado das urnas vai dizer se a opção do candidato chapa branca Adailton Fúria (PSD) em rejeitar o apoio do atual governador Marcos Rocha e encenar um rompimento político com o mandatário foi uma articulação bem-sucedida. Nas minhas contas o apoio de Rocha, tratado como inconveniente pela chapa do PSD, não deveria ser desprezível. Senão vejamos: Rocha tem forte influência nos pequenos e médios municípios, paga rigorosamente em dia os salários do funcionalismo e tem feito isto religiosamente nestes oito anos. Por conseguinte, com sua máquina, Rocha teria condições de garantir um candidato no segundo turno, com pelo menos 20 por cento dos votos. Concluindo: Se Rocha transferir seu apoio a Hildon Chaves pode tirar Fúria (ainda em vantagem) do segundo turno.
Via Direta
* O ex-deputado federal Mauro Nazif entra na reta final otimista com uma nova eleição a Câmara dos Deputados. Ele tem redutos fidelizados perante o funcionalismo público rondoniense * Com o pagamento do funcionalismo o comercio lojista de Porto Velho volta a florescer depois de alguns dias em completo marasmo * Vamos ver se nesta temporada de eleições os políticos não darão calotes em formiguinhas e nas gráficas, fatos recorrentes nas campanhas políticas rondonienses * Nos últimos dias de campanha o governadoravel do MDB Pedro Abib uniu o partido e parte confiante num crescimento de sua candidatura na eleição de domingo.
Com informações de: Carlos Sperança

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AUTOR: CARLOS SPERANÇA





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