Coluna põe em dúvida o rompimento entre Rocha e Fúria, aborda queixas sobre o FEFC do PSD e acompanha movimentos de Rafael Fera, Marcos Rogério e candidaturas proporcionais
Prof. Herbert Lins – MTE 1143
#TBT: Entre aliados, rompimentos também podem esconder estratégias eleitorais
CARO LEITOR, como hoje é dia de #tbt, na política, algumas brigas podem esconder cálculos eleitorais. Em Goiás, na eleição de 2006, Ronaldo Caiado (PFL) era aliado de Marconi Perillo (PSDB), então governador, que deixou o cargo para disputar o Senado e apoiou o vice Alcides Rodrigues (PP) à sucessão. Caiado, contudo, lançou Demóstenes Torres (PF) ao governo. Na campanha eleitoral, surgiu o relato de que Caiado teria simulado um afastamento de Marconi, ou seja, uma “briga combinada”. Fato: Alcides venceu, Marconi foi eleito senador e Caiado foi o segundo mais votado para deputado federal. A velha política ensina que rompimento público nem sempre significa ruptura real. Pode ser jogada para reposicionar aliados e viabilizar projetos de poder. Em 2006, ficou o precedente. Em 2026, fica a pergunta: rompimento ou coreografia eleitoral?
Cálculo
Em 2006, no Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB) disputou a reeleição sem o apoio de Tasso Jereissati (PSDB), explorando a imagem de independência, enquanto mantinha pontes com Lula (PT). A distância pública tinha cálculo eleitoral naquele momento e não garantiu a vitória de Lúcio.
Crise
Em 2012, Eduardo Campos (PSB) apoiou Maurício Rands (PT) na disputa interna pela Prefeitura do Recife. A crise entre petistas se agravou, a prévia foi anulada e o PT nacional acabou escolhendo Humberto Costa (PT) e deixando o cenário aceso.
Lançou
Com a aliança PT-PSB desgastada, Campos rompeu o acordo e lançou Geraldo Júlio (PSB) à Prefeitura. Rands deixou o PT e também apoiou Geraldo, que ganhou a eleição. A sequência mostra como a crise interna abriu caminho para uma nova candidatura, mudando o jogo eleitoral.
Encenado
Mas há uma distinção: “rompimento estratégico” pode ser lido pelos fatos e movimentos políticos. Já a “falsa briga” pressupõe bem mais: um conflito conscientemente encenado pelos aliados para produzir efeito eleitoral às vésperas da eleição.
Sintonia
O suposto rompimento entre o governador Coronel Marcos Rocha (PSD), o ex-senador Expedito Júnior (PSD) e Adailton Fúria (PSD) pode não passar de jogo de cena. Afinal, nos bastidores, os três podem continuar operando em sintonia para preservar e favorecer a candidatura governista de Fúria.
Pirarucu
Fúria não quer carregar nas costas o pirarucu salgado chamado governo Marcos Rocha. Um afastamento calculado pode ajudá-lo a construir uma imagem de independência, vendendo ao eleitor a ideia de que não segue a cartilha do governador, embora preserve, nos bastidores, a aliança política.
Tese
Repare bem, como falar em rompimento entre Rocha e Fúria se Rocha preside o PSD em Rondônia, Expedito Júnior segue no diretório estadual da legenda e Fúria disputa o Governo pelo mesmo partido? Os fatos de hoje ainda desafiam a própria tese da ruptura.
Concreto
A coluna só acreditará em rompimento quando houver gesto concreto: Rocha deixar a presidência estadual do PSD e cancelar o leilão da Caerd. Nos bastidores do poder, há quem até diga saber a quem interessa esse negócio. Aí, sim, já muda tudo.
Liberou
Fontes palacianas garantiram à coluna que Rocha liberou seus secretários para caminhar com os candidatos ao Governo que quiserem. Ele, porém, permanecerá recolhido. Francamente, sou filho e coronel de tropa: isso não parece postura de coronel, muito menos de comandante.
Pitstop
Na tarde de ontem (16), nos cruzamentos da Jorge Teixeira com Pinheiro Machado e, mais adiante, com Amazonas, cargos comissionados do Governo foram vistos fazendo um verdadeiro pit stop para Hildon Chaves (União), Luis Fernando (PSD) e Mariana Carvalho (Republicanos). Coincidência ou acaso?
Ajudou
Rocha teve papel importante na montagem do PSD em Rondônia e ajudou a fechar as nominatas proporcionais. Mas cresce ainda a insatisfação entre candidatos com promessas de distribuição do FEFC que, segundo relatos até agora, não se efetivaram.
Faltou
Ninguém faz campanha sem estrutura mínima, financeira e organizacional. O FEFC deveria chegar aos candidatos do PSD conforme a proporcionalidade de cada disputa. Também faltou orientação para construir dobradinhas entre federais e estaduais.
Pataquada
Distante da política, mas leitor da coluna, o ex-secretário-chefe da Casa Civil Júnior Gonçalves classificou os movimentos de Rocha como uma “pataquada” das grandes. Para quem conhece o Palácio, a frase ecoa forte nos bastidores do poder.
Demonstrou
Júnior Gonçalves foi um competentíssimo secretário-chefe da Casa Civil. Demonstrou habilidade política, trânsito institucional e capacidade técnica para gerir a equipe. Hoje, vale comparar os números do Governo, antes e depois de sua gestão frente à porta de entrada do governo.
Melancólico
Como escrevi em colunas passadas, o Governo Marcos Rocha caminha para um melancólico fim. A cena lembra o Titanic: enquanto uns seguem no baile, o navio avança rumo ao iceberg. Quando perceberem, talvez seja tarde demais para reagir a tempo.
Força
Nesse tabuleiro de pataquada, o candidato a governador Marcos Rogério (PL) pode ganhar espaço narrativo. Enquanto adversários discutem afastamentos, adesões e versões, o candidato do PL mantém uma campanha coesa e propositiva, tentando transformar coesão em força eleitoral no pleito.
Jogo
A “pataquada” do Governo Marcos Rocha tem efeito eleitoral imediato nas candidaturas de Fúria (PSD) e Hildon Chaves (União), expondo rompimento e adesões de aparência, Marcos Rogério (PL) segue sem cometer erros na campanha. Lembrando: ganha eleição quem menos erra no jogo eleitoral.
Apto
Os advogados Richard Campanari, Gustavo Dandolini e Luiz Felipe da Silva Andrade conseguiram, por unanimidade, o deferimento do registro de candidatura de Rafael Fera (Podemos) no TRE-RO. O deputado está apto a buscar a reeleição e segue no jogo.
Pressão
Com o registro deferido, Rafael Fera (Podemos) entra de vez na disputa e pode ampliar a pressão sobre Thiago Flores (União). Flores busca a reeleição e aposta nas entregas de emendas e em uma campanha sem o desgaste que marca outros nomes.
Representante
Ribeiro do Sinpol (PRD) chegou à Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO) como representante da Polícia Civil e manteve a segurança pública no foco central do mandato. A atuação incluiu: defesa da carreira, valorização salarial e articulação para melhorar as condições de trabalho da categoria.
Avaliar
Para a Polícia Civil, a reeleição de Ribeiro do Sinpol (PRD) coloca em debate a manutenção de representação específica na Assembleia. A categoria conhece a atuação de Ribeiro e terá de avaliar nas urnas se sua presença no Legislativo deve continuar em mais um mandato.
Dependerá
Eleito em 2022 com 9.751 votos, Ribeiro busca ampliar sua votação. A marca de 15 mil votos representa novo patamar eleitoral e dependerá, entre outros fatores, da participação dos policiais civis na campanha deixando sua zona de conforto para sustentar sua representação na ALERO.
Construindo
O vereador Dr. Júnior Queiroz (Republicanos) vem construindo sua atuação na Câmara de Porto Velho com foco em propostas de interesse social e acessibilidade. Na 1ª Vice-Presidência, amplia sua presença e articulação no Legislativo municipal da capital com o Prédio do Relógio.
Sério
Falando sério, a eleição vai muito além de discursos, “rompimentos” de conveniência, adesões de última hora e narrativas cuidadosamente embaladas. O eleitor terá de separar aparência de realidade, promessa de entrega e estratégia de fato. No fim, será a urna quem dirá quais movimentos resistiram ao teste das ruas.

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AUTOR: HERBERT LINS





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