Palestra em Porto Velho abordou protocolos de emergência, acolhimento, segurança das equipes e continuidade do atendimento pela rede de saúde
Porto Velho, RO – Professores e acadêmicos da Universidade Federal de Rondônia (Unir) tiveram acesso aos procedimentos adotados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) diante de ocorrências envolvendo tentativas de suicídio. A experiência prática das equipes foi apresentada durante uma atividade realizada no Centro de Porto Velho, como parte da programação alusiva ao Setembro Amarelo.
Durante o encontro, foram discutidos aspectos que vão desde a segurança do ambiente onde ocorre a emergência até a avaliação clínica, estabilização da vítima e encaminhamento para outros serviços da rede de saúde. A comunicação com a pessoa em sofrimento também esteve entre os pontos abordados pelos profissionais.
A palestra, intitulada “Entre a crise e a vida: a atuação do SAMU 192 nas tentativas de suicídio”, foi conduzida pelo enfermeiro emergencista Lânderson Gutierres, integrante da Coordenação do Núcleo de Educação Permanente do SAMU.
O profissional explicou aos participantes que o atendimento começa ainda durante a ligação para a Central de Regulação de Urgências. Informações como localização, circunstâncias da ocorrência e quantidade de vítimas são coletadas para auxiliar na definição da estrutura mais adequada para a resposta.
Segundo Gutierres, o suicídio é tratado como uma emergência e, em muitos casos, o SAMU está entre os primeiros serviços procurados pela família. A partir do acionamento pelo número 192, a central reúne os dados necessários antes de direcionar a equipe responsável pelo atendimento.
As tentativas de suicídio podem envolver diferentes condições clínicas e comportamentais. Casos relacionados a intoxicações, traumas ou alterações no nível de consciência, por exemplo, demandam avaliação específica e podem exigir intervenções distintas conforme o quadro encontrado no local.
Outro procedimento destacado durante a atividade foi a verificação das condições de segurança antes da aproximação da equipe. Possíveis ameaças à vítima ou aos próprios profissionais precisam ser identificadas previamente. Dependendo da ocorrência, outros órgãos podem ser mobilizados, entre eles o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar.
Além dos protocolos de suporte básico e avançado de vida, a atuação do SAMU também envolve estratégias de comunicação voltadas ao acolhimento.
“Nossos profissionais trabalham com a escuta terapêutica e a escuta ativa”, afirmou Gutierres. Conforme explicou, a equipe busca compreender o contexto da ocorrência sem julgamentos, verificar as condições do ambiente e identificar as necessidades do paciente antes da adoção das medidas de assistência.
O atendimento prestado pela ambulância representa apenas uma etapa do cuidado. Depois da avaliação e da estabilização, a pessoa é direcionada ao serviço de saúde compatível com a gravidade apresentada. O acompanhamento também pode ter continuidade por meio dos serviços que integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
A articulação entre o SAMU, unidades de saúde, serviços especializados e demais instituições envolvidas no atendimento foi apresentada como parte do processo necessário para manter a assistência após a situação emergencial.
Durante a palestra, também foram apresentados dados epidemiológicos utilizados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa). Em Porto Velho, foram registradas 356 notificações de violência autoprovocada ao longo de 2025.
A secretária municipal de Saúde, Sandra Cardoso, afirmou que levar a experiência dos profissionais ao ambiente acadêmico contribui para ampliar o conhecimento sobre os procedimentos adotados em situações de crise. Segundo ela, a iniciativa permite discutir desde o primeiro chamado até a continuidade da assistência, além de contribuir para a preparação de futuros profissionais.
A capacitação permanente das equipes que atuam nos serviços de urgência e emergência também esteve entre os temas tratados. O treinamento busca preparar os profissionais tanto para os procedimentos técnicos quanto para uma abordagem adequada às pessoas que enfrentam situações de sofrimento.
Para o prefeito Léo Moraes, a aproximação entre o serviço de urgência e a universidade amplia o alcance das atividades relacionadas ao Setembro Amarelo. Ele destacou que os profissionais do SAMU lidam diariamente com situações que exigem preparo técnico e sensibilidade e que o compartilhamento dessas experiências contribui para ampliar o debate sobre prevenção, acolhimento e cuidado.
Com informações de: Prefeitura de Porto Velho
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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