Coluna analisa o mapa do voto presidencial, os resultados para Governo e Senado, a nova composição das bancadas federal e estadual e o fortalecimento político de Léo Moraes após as urnas
Prof. Herbert Lins – MTE 1143
A geografia do voto que colocou Flávio Bolsonaro à frente de Lula no primeiro turno
CARO LEITOR, o mapa eleitoral do primeiro turno desenhou uma fotografia que nenhum estrategista pode ignorar: o Brasil continua polarizado ideologicamente e o bolsonarismo ampliou sua força política. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou à frente de Lula (PT-SP), com 47,03% contra 45,16% dos votos válidos, levando a disputa presidencial para o segundo turno. A geografia do voto revela mais do que percentuais. Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula ficou à frente em 12. Minas Gerais e Tocantins mudaram de lado em relação a 2022, enquanto o Amapá fez o caminho inverso. O mapa, portanto, não é estático: ele também registra o movimento do eleitorado.
Escancarou
O mapa eleitoral do primeiro turno escancarou a divisão do Brasil. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto o presidente Lula (PT-SP) ficou à frente em 12.
Território
A geografia do voto revela mais que números. Flávio Bolsonaro (PL_RJ) dominou Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte. O presidente Lula (PT-SP) preservou sua fortaleza no Nordeste e avançou no Amapá. Minas Gerais e Tocantins mudaram de lado em relação a 2022.
Rondônia
Rondônia permaneceu no campo bolsonarista e entregou a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uma das maiores vantagens proporcionais do país. O estado continua sendo território eleitoral da direita, onde ideologia, identidade política e rejeição ao petismo pesam na decisão do voto.
Grotões
Mas é nos municípios que a eleição começa a ficar interessante. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conquistou centenas de cidades que haviam dado maioria ao presidente Lula em 2022 (PT-SP). Foram 714 municípios que trocaram o candidato petista pelo bolsonarista. Isso não é detalhe. É movimento eleitoral.
Convencer
Agora começa outra eleição. Os dois candidatos terão de disputar os votos dos demais concorrentes, além de convencer quem ficou em casa. E aqui está o detalhe que muita análise apressada esquece: voto que não foi depositado também decide eleição.
Abstenção
Mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno. A abstenção chegou a 21,08%, o maior percentual desde 1998. Portanto, não basta contar quem votou em Flávio (PL-RJ) ou Lula (PT-SP). É preciso entender quem não votou e por quê?
Silencioso
O segundo turno será travado no voto silencioso. Aquele eleitor que não declara preferência, não participa de carreata, não discute política nas redes sociais e pode decidir diante da urna. É justamente esse eleitor que transforma pesquisa em fotografia e eleição em surpresa.
Conta
Flávio largou na frente, mas não ganhou a eleição. Lula terminou atrás, mas continua vivo. Entre os dois existe uma montanha de votos que não pertence a nenhum deles. E existe outro contingente, ainda maior, que sequer saiu de casa.
Confirmou
O senador Marcos Rogério (PL) confirmou favoritismo com 57,02% dos votos válidos. Ancorado no bolsonarismo raiz, recall eleitoral e no agro forte do interior, venceu no primeiro turno, pulverizou adversários e impôs ritmo plebiscitário ao eleitorado conservador rondoniense fiel.
Reflexões
Adailton Fúria (PSD), ex-prefeito de Cacoal, obteve 20,06% dos votos e se consolidou na Região do Café, mas não ampliou sua votação na capital e em outras regiões. O resultado impõe reflexões sobre alianças, comunicação, desprezo aos profissionais do marketing e estratégia eleitoral.
Mágica
Hildon Chaves (União Brasil) terminou com 14.22% e viu sua força política encolher até na própria Porto Velho, enquanto não conseguiu avançar no interior. Saiu da prefeitura com capital político, mas a campanha mostrou que popularidade acumulada não se transforma, por mágica, em força estadual.
Escolhas
A trajetória da candidatura também foi marcada por uma mudança de rota. Hildon Chaves (União) chegou a Brasília para se filiar ao Novo e compor como vice de Marcos Rogério (PL), mas voltou ao estado filiado ao União Brasil e candidato a governador. Escolhas têm consequências.
PT
Expedito Netto (PT) amargou 7,82% e expôs o teto petista em Rondônia. Mesmo com máquina federal e o presidente Lula (PT-SP) no palanque eletrônico, não penetrou no interior. Resultado fragiliza o PT em escala estadual e exige autocrítica severa e imediata em Rondônia.
Tabela
Pedro Abib (MDB) com 0,72% e Samuel Costa (PSB) com 0,47% ficaram abaixo de 1%, cumprindo tabela. Abib trouxe discurso técnico e enfadonho. Costa, aposta jovem da esquerda, não emplacou e encerra a campanha como notas de rodapé simbólica eleitoral.
Máximo
Fernando Máximo (PL) venceu ao Senado com 31,97% dos votos válidos colado em Marcos Rogério (PL). Com marketing de excelência, vídeos curtos e agenda forte no interior, o ex-secretário de Saúde somou 570 mil votos e transformou favoritismo em vitória folgada em Rondônia.
Escolhido
Bruno Bolsonaro Scheid (PL), o escolhido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), venceu com defendendo pautas da direita, o agronegócio, garimpo legal, segurança pública e combate à violência contra a mulher. A fake news do áudio falso na reta final não foi suficiente para derrotá-lo.
Canoas
Silvia Cristina (PP) com 26,56%, foi derrotada por erros estratégicos e fazendo uma campanha com raiva. Quis navegar em várias canoas com gana de ser senadora, expôs sexualidade num eleitorado conservador. O eleitor percebeu ambição, cobiça e deu o troco na urna, punindo o seu oportunismo.
Imagem
Mariana Carvalho (Republicanos) com 11,62%, perdeu porque entrou tarde na disputa ao Senado e o seu marketing deixou a desejar, não desmanchou a imagem de patricinha deixada na eleição de 2024 quando disputou a Prefeitura de Porto Velho, parecendo distante, elitizada e sem conexão com o eleitor da periferia e dos grotões rondonienses.
Bolha
No campo da esquerda, Luciana Oliveira (PT) com 5,4% atraiu o voto petista fiel, mas não o voto lulista. Ela ficou presa à bolha progressista, sem furar o bloqueio conservador rondoniense hegemônico em 2026.
Ultrapassado
O grande derrotado é Acir Gurgacz (PDT) com 4,06%. Ex-senador com marketing ultrapassado, jingles antigos e discurso saudosista, não se conectou com nova geração. Rejeição alta sepultaram tentativa de retorno ao Senado Federal.
Figurantes
Os demais candidatos ao Senado só cumpriram tabela: Luís Fernando (PSD), Neidinha Suruí (PSB), Aires Mota (PV) e o Engenheiro Thúlio (Missão). Sem TV, sem palanque e sem voto útil, foram figurantes no pleito eleitoral.
Campeão
Rondônia reelegeu 05 deputados federais e renovou 03 cadeiras na Câmara dos Deputados. O deputado federal Lúcio Mosquini (PL), com 158.421 votos, foi o campeão de votos superando a votação da ex-deputada Marinha Raupp (PP) que ultrapassou a casa dos 100 mil votos nas eleições de 2010.
Força
O deputado Thiago Flores (União), Mauricio Carvalho (União), Coronel Chrisóstomo (PL) e Cristiane Lopes (Podemos) também foram reeleitos. A bancada federal conta com três novatos: a vereadora da capital Sofia Andrade (PL), Joliane Fúria (PSD) e Jaime Gazola (Podemos). A nova bancada tem força para fazer diferente e deixar de ser só carimbo.
Representação
Na eleição para a Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO), o eleitor definiu 24 cadeiras e oito partidos com representação. O PL formou a maior bancada, com sete eleitos; PSD e PRD ficaram com três cada. PP, PT, Novo, Republicanos e Avante elegeram dois para ALERO.
Composição
A nova composição da ALERO combina continuidade e renovação. Dos 21 deputados estaduais que disputaram a reeleição, 16 conseguiram permanecer na Casa, enquanto oito novos nomes chegam à Casa de Leis como previ na live de apuração na tarde de ontem (p4) com o jornalista Rubens Coutinho nos estúdios da CES Brasil.
Conservadora
O PL terá Nim Barroso, Delegado Lucas Torres, Jean Mendonça, Luizinho Goebel, Dra. Taíssa Sousa, Alan Queiroz e Wiveslando Neiva. A bancada reúne parlamentares de várias regiões e amplia a presença da legenda conservadora na próxima legislatura na ALERO.
Desidratou
O PSD elegeu Laerte Gomes, Cássio Gois e Jurandir Oliveira. O PRD terá Edevaldo Neves, Pedro Fernandes e Jean Oliveira. PP, foram eleitos Ismael Crispin e Delegado Araújo. Já o União Brasil não conseguiu eleger nenhum deputado estadual, inclusive a deputada estadual Ieda Chaves (União), desidratou na urna.
Próxima
O PT elegeu Cláudia de Jesus e Fátima Cleide; o Novo, Dr. Luís do Hospital e Dr. Gilber; o Republicanos, Alex Redano e Fernando Silva; e o Avante, Laércio Torres e Marcelo Cruz. O Podemos terá Paulo Moraes Jr. na Casa para próxima legislatura.
Pesam
A maior votação foi de Laerte Gomes (PSD), com 32.241 votos, seguido por Nim Barroso (PL), com 29.662, e Cássio Gois (PSD), com 28.988. O resultado evidencia como votação individual, atuação parlamentar, base territorial e estratégia partidária pesam na disputa proporcional.
Base
O apoio de Léo Moraes (Podemos) teve peso político na capital. Ao colocar a estrutura e sua liderança municipal ao lado de Marcos Rogério, ajudou a transformar Porto Velho em importante base da campanha. Na cidade, o candidato venceu com 48,35%.
Ampliou
Na disputa ao Senado, Sandra Moraes (Podemos), mãe de Léo Moraes, foi confirmada como primeira suplente de Fernando Máximo (PL), eleito senador. A presença da mãe na chapa ampliou o espaço político da família no jogo do poder.
Reforçando
Na eleição proporcional, o Podemos também conquistou representação na Câmara de Deputados e na Assembleia Legislativa. Paulo Moraes Júnior foi eleito deputado estadual pelo partido, reforçando a presença do grupo político de Léo Moraes no Legislativo estadual.
Resultado
O resultado eleitoral também marcou o confronto político entre o vereador Marcos Combate (Avante) e o prefeito Léo Moraes. Nas urnas, Combate saiu menor do que entrou e compromete a sua reeleição para vereador.
Câmara I
Câmara Municipal de Porto Velho ganhará nova composição. Com a eleição da vereadora Sofia Andrade (PL) para a Câmara dos Deputados e dos vereadores Dr. Gilber (Novo) e Fernando Silva (Republicanos) para a Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO), assumem as vagas Dione Berto (PL), Léo Alencar (PL) e Márcio Oliveira (Republicanos).
Câmara II
Tânia Sena não assumirá a vaga porque deixou o PL e se filiou ao Podemos para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. A mudança partidária alterou a composição das suplências e o desenho da bancada na Câmara Municipal de Porto Velho.
Sério
Falando sério, a eleição deixou o prefeito Léo Moraes (Podemos) com aliados eleitos em diferentes cargos e uma aliança com o governador Marcos Rogério (PL) eleito no primeiro turno. O desafio agora será transformar esse capital eleitoral em influência política duradoura, sem confundir eleição com cheque em branco.
Com informações de: Herbert Lins

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AUTOR: HERBERT LINS





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