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INVESTIGAÇÃO FINANCEIRA

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em 657 arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

Defesa de Daniel Vorcaro solicita ao STF acesso a perícia de celulares apreendidos na Operação Compliance Zero
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Perícia particular também identificou a criação de 436 arquivos após a apreensão do aparelho; advogados pedem acesso aos dados originais e solicitam soltura do ex-banqueiro ao STF

Por Yan Simon - sexta-feira, 30/10/2026 - 08h28

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Porto Velho, RO – Um pedido de acesso aos dados originais do celular de Daniel Vorcaro foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) após uma análise particular identificar possíveis alterações em arquivos armazenados no aparelho do ex-banqueiro. A solicitação foi apresentada pela defesa nesta quinta-feira (29), acompanhada de um laudo que aponta modificações em 657 arquivos e a criação de outros 436 depois que o telefone passou a ficar sob responsabilidade das autoridades.

O equipamento havia sido apreendido pela Polícia Federal (PF) em 17 de novembro de 2025 e integra o conjunto de provas utilizadas nas investigações sobre as relações de Vorcaro com agentes políticos e possíveis irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

Conforme a avaliação apresentada pelos advogados, os registros identificados comprometem a possibilidade de confirmar a integridade de todo o material extraído do dispositivo. A defesa sustenta que também não seria possível determinar, com os elementos disponíveis, a extensão das modificações realizadas nos arquivos.

O documento ressalta, entretanto, que a identificação de alterações nos registros digitais não comprova, por si só, a existência de intervenção humana direta. Segundo os responsáveis pela análise, os dados indicam que o estado dos arquivos sofreu modificações durante o período em que o aparelho estava sob custódia estatal.

Ao comentar as conclusões da perícia, a defesa classificou como preocupante a identificação de centenas de arquivos com registros de alteração posteriores à apreensão. Para os advogados, a situação exige o fornecimento dos dados originais pela Polícia Federal, a fim de permitir uma verificação mais abrangente do conteúdo.

Além da solicitação relacionada ao material digital, os representantes do ex-banqueiro defenderam sua libertação. Eles argumentam que Vorcaro permanece submetido a restrições de liberdade há um período prolongado e questionam a manutenção da custódia diante da situação processual apresentada pela defesa.

No pedido encaminhado ao Supremo, os advogados afirmaram ser “urgente, necessária e obrigatória” a soltura de Vorcaro, alegando ausência de acusação formal e de perspectiva de início de processo contra ele, conforme os argumentos apresentados na manifestação.

A contestação sobre a integridade dos arquivos ocorre após um novo desdobramento das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Na quarta-feira (28), Vorcaro e outros 14 investigados na Operação Compliance foram indiciados por suspeitas de envolvimento em irregularidades relacionadas às operações financeiras do Banco Master.

De acordo com o relatório policial, o ex-banqueiro teria exercido influência direta e recorrente nas negociações de carteiras de crédito consideradas irregulares pela investigação. Essas operações, segundo a PF, teriam provocado prejuízos ao Banco de Brasília.

Os investigadores atribuíram a Vorcaro uma atuação central nas decisões relacionadas às transações financeiras examinadas. Na avaliação da corporação, ele também teria figurado como principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de recursos para o Banco Master.

No documento de indiciamento, a Polícia Federal descreveu a atuação do ex-banqueiro como de “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas movimentações investigadas.

Os 15 investigados foram indiciados pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Após a divulgação do indiciamento, a defesa de Vorcaro contestou as conclusões policiais e rejeitou a existência de prejuízos ao BRB decorrentes das operações realizadas com o Banco Master.

Os advogados sustentaram que, mesmo após aproximadamente um ano de investigação, a Polícia Federal não teria apresentado avanços capazes de modificar a interpretação inicial dos fatos. Também afirmaram que as negociações envolvendo carteiras de crédito da Tirreno não chegaram a ser concluídas nos termos inicialmente previstos.

Segundo a versão apresentada pela defesa, os ativos foram substituídos por outros instrumentos financeiros, em uma operação que teria produzido resultados positivos para o Banco de Brasília. Os representantes do ex-banqueiro acrescentaram que nenhuma perícia oficial teria demonstrado a ocorrência de prejuízo financeiro nas transações investigadas.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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