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CONTAS PÚBLICAS

Dívida pública chega a R$ 11,1 trilhões e juros elevam déficit do Brasil para R$ 113 bilhões em setembro

Dívida pública chega a R$ 11,1 trilhões e juros elevam déficit do Brasil para R$ 113 bilhões em setembro
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Endividamento permanece em 82,9% do PIB, maior nível desde 2021, enquanto contas públicas registram déficit primário de R$ 5,5 bilhões no mês

Por Yan Simon - sexta-feira, 30/10/2026 - 08h24

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Porto Velho, RO – Os gastos com juros da dívida pública brasileira alcançaram R$ 107,5 bilhões em setembro de 2026, contribuindo para que o resultado negativo das contas do setor público chegasse a R$ 113 bilhões no mês, quando consideradas as despesas financeiras. Em 12 meses, os juros acumularam R$ 1,205 trilhão, equivalente a 8,99% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme informações divulgadas pelo Banco Central nesta quinta-feira (29).

O volume de juros pagos apresentou crescimento de R$ 22,8 bilhões em comparação com setembro de 2025, quando as despesas financeiras somaram R$ 84,7 bilhões. Entre os fatores apontados pela autoridade monetária estão o aumento do estoque da dívida, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o desempenho menos favorável das operações de swap cambial, utilizadas pelo Banco Central no mercado de câmbio futuro.

A elevação dessas despesas também influenciou o déficit nominal acumulado em 12 meses, que atingiu R$ 1,275 trilhão, correspondente a 9,51% do PIB. Diferentemente do resultado primário, esse indicador considera tanto a diferença entre receitas e despesas quanto os encargos financeiros relacionados ao endividamento público.

No levantamento referente a setembro, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) alcançou R$ 9,4 trilhões, representando 70% do PIB. O percentual havia sido de 69,3% em agosto, o que corresponde a uma elevação de 0,7 ponto percentual. Desde janeiro, o avanço acumulado chegou a 4,7 pontos percentuais.

A incorporação dos juros foi identificada pelo Banco Central como principal componente desse crescimento mensal, acrescentando 0,8 ponto percentual à relação entre a dívida líquida e a produção econômica nacional. O cálculo da dívida líquida considera as obrigações financeiras do setor público após o desconto dos ativos disponíveis.

Já a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) permaneceu em R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB. Embora o indicador não tenha apresentado alteração em relação a agosto, o percentual representa o maior patamar registrado desde 2021, quando a economia brasileira ainda enfrentava os impactos da pandemia de covid-19.

No acumulado de 2026, a relação entre dívida bruta e PIB cresceu 4,3 pontos percentuais. A comparação com dezembro de 2022, quando o endividamento correspondia a 71,7% da economia nacional, mostra uma elevação superior a 11 pontos percentuais.

A estabilidade observada em setembro resultou de movimentos diferentes na composição da dívida. Os juros nominais contribuíram com aumento de 0,8 ponto percentual, enquanto os resgates líquidos de títulos e a variação nominal do PIB provocaram reduções de 0,4 ponto percentual cada na relação entre dívida e atividade econômica.

O levantamento também apresentou os resultados das contas públicas antes da inclusão dos juros. Nessa modalidade de cálculo, denominada resultado primário, o setor público consolidado registrou déficit de R$ 5,497 bilhões em setembro, considerando União, estados, municípios e empresas estatais.

Apesar do saldo negativo, houve redução do déficit em relação aos R$ 10 bilhões contabilizados em agosto. Na comparação com setembro de 2025, quando o resultado havia sido negativo em R$ 17,5 bilhões, também foi verificada diminuição do desequilíbrio mensal.

O desempenho das diferentes esferas administrativas contribuiu de maneira distinta para a composição do resultado. O Governo Central apresentou superávit primário de R$ 3,5 bilhões, enquanto estados e municípios registraram déficit conjunto de R$ 5,6 bilhões. As empresas estatais encerraram o período com saldo negativo de R$ 3,4 bilhões.

Entre janeiro e setembro de 2026, o déficit primário acumulado pelo setor público chegou a R$ 94,3 bilhões, equivalente a 0,93% do PIB. No mesmo intervalo do ano anterior, o resultado havia sido negativo em R$ 79,2 bilhões, correspondentes a 0,84% da produção econômica brasileira.

Em outra comparação, considerando os 12 meses encerrados em setembro, o déficit primário alcançou R$ 70,1 bilhões, ou 0,52% do PIB. O percentual representa recuo em relação ao resultado acumulado até agosto, quando o indicador estava em 0,62%.

Nesse período de 12 meses, o Governo Central acumulou déficit de R$ 52,7 bilhões, correspondente a 0,39% do PIB. Os estados apresentaram resultado negativo de R$ 14,4 bilhões, equivalente a 0,11%, enquanto os municípios registraram superávit de R$ 7 bilhões, ou 0,05% do PIB. As empresas estatais tiveram déficit de R$ 10 bilhões, representando 0,07%.

Os números divulgados pelo Banco Central também apresentam diferença em relação às estatísticas publicadas pelo Tesouro Nacional sobre as contas do Governo Central. Enquanto a autoridade monetária apontou superávit de R$ 3,5 bilhões em setembro, o Tesouro informou resultado positivo de R$ 4,8 bilhões.

A diferença decorre dos procedimentos adotados pelas duas instituições. O Tesouro Nacional utiliza informações sobre a execução efetiva do Orçamento federal. O Banco Central, por sua vez, acompanha as alterações no endividamento dos entes públicos para calcular o resultado primário.

Os dados integram o relatório de Estatísticas Fiscais divulgado em 29 de outubro e mostram que, apesar da redução do déficit primário mensal e da melhora do indicador acumulado em 12 meses, o endividamento bruto permaneceu elevado. A evolução das despesas com juros e dos resultados fiscais continua influenciando a relação entre a dívida pública e o PIB brasileiro.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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