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INVESTIGAÇÃO
STF cobra explicações de Mário Frias sobre emendas ligadas à produtora de filme sobre Bolsonaro

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Ministro Flávio Dino determinou intimações após denúncia sobre repasses destinados por parlamentares do PL a entidades associadas à produtora responsável pelo longa Dark Horse.

Por Yan Simon - sexta-feira, 15/05/2026 - 08h27

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Porto Velho, RO – Uma investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal apura a destinação de recursos públicos vinculados a emendas parlamentares para entidades relacionadas à produtora responsável pelo filme Dark Horse, obra baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso envolve parlamentares do Partido Liberal e levou o ministro Flávio Dino a solicitar esclarecimentos formais aos deputados citados na representação apresentada pela deputada Tabata Amaral.

Entre os alvos das intimações está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que, segundo os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, ainda não havia sido localizado oficialmente por oficiais de Justiça após sucessivas tentativas realizadas entre março e abril no gabinete parlamentar, na Câmara dos Deputados. Conforme os registros processuais, assessores informaram que o parlamentar estaria em São Paulo cumprindo agenda de campanha e não forneceram detalhes adicionais sobre sua localização.

A medida foi determinada por Flávio Dino em 21 de março, quando o ministro concedeu prazo de cinco dias para que Frias respondesse às acusações envolvendo o direcionamento de ao menos R$ 2 milhões para a Academia Nacional de Cultura (ANC). A organização é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também integra outras entidades e empresas, incluindo o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme previsto para estrear em setembro, pouco antes do primeiro turno das eleições.

A denúncia teve origem em reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil em dezembro de 2025. Segundo a publicação, a ANC recebeu R$ 2,6 milhões provenientes de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao PL. Além de Mário Frias, aparecem na relação os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon.

Na representação enviada ao STF, Tabata Amaral sustenta a hipótese de existência de um grupo econômico formado por empresas e entidades diferentes, mas atuando sob direção comum. Segundo a parlamentar, essa estrutura poderia dificultar a rastreabilidade dos recursos públicos empregados e favorecer, indiretamente, produções audiovisuais de caráter ideológico.

Os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon encaminharam suas respostas dentro do prazo estipulado pelo STF. Pollon reconheceu ter indicado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo executar, por meio da Go Up Entertainment, a série documental Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem. Entretanto, o parlamentar afirmou que o projeto não avançou devido à incapacidade da entidade beneficiária em cumprir requisitos técnicos, motivo pelo qual os valores teriam sido posteriormente redirecionados para a área da saúde, especificamente ao Hospital de Amor de Barretos, em São Paulo.

Segundo Pollon, “a inexistência de execução afasta, por completo, qualquer hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade material na aplicação de recursos públicos”.

Bia Kicis também confirmou o envio de R$ 150 mil para a produção da série mencionada por Pollon e afirmou que a indicação não chegou a ser executada. A deputada classificou a ação apresentada por Tabata Amaral como “maldosa” e negou qualquer vínculo entre sua emenda parlamentar e o filme Dark Horse.

Na manifestação enviada ao STF, a parlamentar argumentou que a associação entre projetos diferentes apenas por envolverem a mesma produtora ou temas conservadores representaria erro jurídico e metodológico. Ela ainda rebateu a acusação de que teria contribuído com dinheiro público para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

De acordo com Bia Kicis, a indicação orçamentária foi uma decisão política voltada ao incentivo da cultura nacional, da educação e da economia criativa. A deputada também declarou que o projeto beneficiado possuía mérito social e econômico.

A Advocacia da Câmara dos Deputados foi acionada por Flávio Dino e informou não ter identificado irregularidades processuais nas duas emendas parlamentares atribuídas a Mário Frias e mencionadas na representação.

Nesta quarta-feira (13), nova reportagem do The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro cerca de R$ 134 milhões para financiar Dark Horse. Segundo a publicação, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido liberados.

Áudios divulgados pela reportagem mostram conversas entre o senador e o banqueiro sobre a necessidade de aporte financeiro para manter a produção do filme. As mensagens teriam sido trocadas antes da prisão de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes envolvendo negociações entre os bancos Master e BRB.

Em um dos trechos divulgados, Flávio Bolsonaro menciona preocupação com atrasos financeiros relacionados à produção cinematográfica. “Está em um momento muito decisivo aqui do filme”, afirma o senador ao comentar a necessidade de pagamento de parcelas pendentes.

Roteirista e produtor executivo de Dark Horse, Mário Frias afirmou, em nota divulgada nesta quarta-feira (13), que Flávio Bolsonaro não possui participação societária na produção nem na Go Up Entertainment. Segundo ele, o projeto não recebeu recursos do Banco Master nem de Daniel Vorcaro.

Frias declarou ainda que, mesmo se houvesse participação financeira privada, isso não configuraria irregularidade. O ex-secretário especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro também sustentou que a produção foi desenvolvida exclusivamente com capital privado.

Na mesma manifestação, o deputado justificou o orçamento elevado do filme e comparou a produção aos padrões de grandes obras internacionais. Segundo Frias, Dark Horse é “uma superprodução em padrão hollywoodiano” e contará com atores, diretor e roteirista de reconhecimento internacional.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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