Relatório da Operação Compliance Zero cita pagamento de diárias em Portugal e detalha viagens internacionais atribuídas ao banqueiro; presidente da Câmara nega preocupação e afirma estar tranquilo.
Porto Velho, RO – Documentos divulgados pelo Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (16) revelam novos detalhes da Operação Compliance Zero. Em relatório elaborado pela Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro é apontado como responsável pelo pagamento da hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI), durante uma estadia em Lisboa, em 2024.
A investigação também descreve a relação entre Vorcaro e Ciro Nogueira. Conforme os cálculos da PF, viagens internacionais realizadas pelo senador para destinos como Paris, Nova Iorque e Courchevel, nos Alpes franceses, teriam sido custeadas pelo banqueiro. O valor total dos benefícios identificados pelos investigadores supera R$ 400 mil.
Segundo o relatório, o benefício econômico atribuído ao parlamentar alcança R$ 468.721,78, sem incluir despesas relacionadas a voos privados. A conclusão consta do material encaminhado ao STF no âmbito das apurações.
Os investigadores afirmam que mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que, em 18 de junho de 2024, foi solicitada a um aliado identificado como Leo Serrano a reserva de hospedagem para “Ciro e Hugo” na capital portuguesa. Para a PF, os nomes mencionados fazem referência ao senador e ao atual presidente da Câmara.
Ainda de acordo com a corporação, após a realização das reservas, um áudio enviado por Vorcaro demonstrou preocupação com a privacidade do encontro. O relatório registra que o banqueiro teria destacado a necessidade de isolamento de uma área localizada em frente ao hotel para evitar a visualização do que acontecia no interior do local.
As despesas com a hospedagem também foram detalhadas pela investigação. Cinco diárias no Hotel Four Seasons teriam custado aproximadamente 3 mil euros, valor equivalente a cerca de R$ 18 mil. Uma fatura do pagamento foi localizada no e-mail de Vorcaro.
Conforme a Polícia Federal, a própria nota fiscal menciona a contratação de duas suítes júnior, sendo uma destinada a Ciro Nogueira e outra a Hugo Motta, circunstância que, segundo os investigadores, reforça a identificação dos beneficiários da despesa.
O relatório foi produzido em abril deste ano e tornou-se público por decisão do ministro do STF André Mendonça, relator do caso Master na Corte.
Hugo Motta não figura como investigado no inquérito. Já Ciro Nogueira integra a lista de investigados e foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo Supremo.
Questionado por jornalistas sobre o caso, Motta afirmou que está “tranquilo”. O deputado declarou ainda que esteve em Lisboa para participar de um evento jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes.
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