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COLUNA DO SPERANÇA

Jogo de cena a história do “rompimento” entre Marcos Rocha e Fúria e os grandes responsáveis pelo pedagiamento na BR-364

Jogo de cena a história do “rompimento” entre Marcos Rocha e Fúria e os grandes responsáveis pelo pedagiamento na BR-364
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Críticas às pesquisas eleitorais, disputa por recursos de campanha, taxa da seca, pedágios e movimentações de PSB, PDT e PL completam a coluna

Por Carlos Sperança - sexta-feira, 18/09/2026 - 15h33

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Além das palavras

Mais um 7 de setembro passou e a noção de patriotismo foi ainda mais abalada no Brasil, com a família Bolsonaro abraçando os EUA como sua verdadeira pátria e o presidente Lula se derramando em explicações ao presidente Donald Trump, tentando tarifas menos duras pela via da bajulação disfarçada por palavras sobre soberania e nacionalismo.

A Constituição e a diplomacia brasileira afirmam sem dúvida a prevalência da soberania nacional, jurada por todos os eleitos, mas o comportamento deles não é compatível com os princípios que deveriam ser abraçados por uma vontade nacional unitária, acima dos interesses externos e dos apetites eleitorais de grupos internos.

Bajular Trump e se submeter aos interesses norte-americanos, aberta ou disfarçadamente, deveria ser considerado traição aos interesses nacionais, mas a essa altura as palavras já perderam o sentido original. São distorcidas para atender ao interesse de quem as pronuncia. Em relação à Amazônia, por exemplo, uma empresa que defende valores patrióticos e ambientalistas pode ter donos estrangeiros e práticas antiecológicas.

A Inteligência Artificial consegue distorcer a realidade para o bem ou para o mal e em nada se pode acreditar cegamente sem uma checagem cuidadosa, mas a verdade é que antes dela as palavras já haviam perdido sentido. “Direita” e “esquerda”, por exemplo, podem significar qualquer coisa e coisa nenhuma.

Não fecham

As contas sobre as pesquisas eleitorais não fecham. Indago como o senador Marcos Rogério (PL) teria quase 50 por cento de intenções de votos, se está perdendo — e por uma considerável diferença — para o ex-prefeito Hildon Chaves em Porto Velho, onde temos um terço do eleitorado rondoniense? A conta também não fecha porque Rogério também não tem a supremacia em Cacoal e Zona da Mata, onde o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria leva boa vantagem.

É razoável aceitar que Rogério lidera a corrida eleitoral no estado, mas com um teto até 35 por cento e Fúria com Chaves disputando uma outra vaga para o segundo turno. Dos dois, quem alcançar pelo menos uns 23 por cento pega seguramente o segundo turno.

Jogo de cena

Acredita-se nos bastidores em mais um jogo de cena na atual campanha eleitoral com a historinha do “rompimento” entre o governador Marcos Rocha e o candidato situacionista Adailton Fúria. Mas existem evidências de uma encenação.

A farsa é constatada porque dezenas de comissionados aliados do ex-prefeito de Cacoal seguem nos seus cargos no governo estadual. Também a jogada cenográfica pode ser desmentida porque vários candidatos à Assembleia Legislativa que apoiam Fúria seguem sendo bem aquinhoados pelo governo de Rondônia.

E, se tivesse ocorrido uma ruptura entre Marcos Rocha e Adailton Fúria, o seu vice Everton Leoni deixaria a campanha, pois ele foi indicado por Rocha. E isto não aconteceu. Já notaram: não existe nenhuma nota oficial de rompimento. Que bando de farsantes!

A esperteza de Fúria

Então o cara-pálida internauta vai ficar se perguntando por que motivo foi encenado o rompimento entre Rocha e Fúria. Ocorre que o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria constatou que o apoio do governador na capital puxa ele para baixo como uma âncora.

Os prejuízos eleitorais são decorrentes da falta de eficácia do atual governo com relação à segurança pública no caos e à saúde caótica. Rocha não conseguiu cumprir seus compromissos na capital e por isto arrasta Fúria ao despenhadeiro.

Em Porto Velho, Fúria está levando uma sova nas intenções de votos para o ex-prefeito da capital Hildon Chaves e se livrar do apoio do governador é preciso.

Vejam a esperteza de Fúria: em Porto Velho espalha que Hildão é o chapa-branca e o candidato apoiado pelo governador, mas no interior recebe as benesses de bom grado da máquina de Rocha.

Perdendo tração

A candidatura ao governo de Rondônia de Adailton Fúria (PSD) vai perdendo tração por vários motivos. Um deles é a distribuição de recursos para os candidatos à Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, com discriminação a vários postulantes da sua aliança, desistindo de disputar o pleito em vista da panelinha formada por Fúria e sua esposa Joliane, esta que concorre a uma cadeira à Câmara dos Deputados.

Depois de Becão ter denunciado a prática da discriminação de recursos, o radialista Adilson Honorato anunciou sua desistência na disputa de uma cadeira à Câmara Federal pelo mesmo motivo. Outros nomes ameaçam debandada diante da escassez de verbas do fundo eleitoral concentradas nas mãos da família Fúria.

Taxa da seca

Desde o início deste mês de setembro, as grandes empresas de navegação estão cobrando uma taxa da seca para os embarques de produtos destinados a Manaus nas hidrovias do Norte. A sobretaxa é cobrada em virtude das alegações dos prejuízos causados pela estiagem na região amazônica.

E assim caminha a região Norte: os preços dos gêneros alimentícios aumentando em Rondônia em virtude do brutal pedágio cobrado na BR-364, penalizando Rondônia, Acre e o Amazonas, e agora a imposição de uma sobretaxa para os transportes para Manaus, que também vão valer para Rondônia, em virtude da seca que já se alastra e promete ser rigorosa com os efeitos do El Niño na temporada.

Grandes responsáveis

Boa parte da opinião pública responsabiliza as omissões da bancada federal com relação à instalação do pedagiamento na BR-364, um verdadeiro tormento para os rondonienses.

Ocorre que entre os políticos citados estão dois candidatos ao Senado e um postulante ao CPA. Não se sabe até que ponto estas postulações estão sendo prejudicadas por terem dormido de touca, seja neste episódio do pedágio fenomenal, ou em outras bandeiras, como das passagens aéreas mais caras do País em nosso estado.

Os adversários começam a explorar estas situações nesta reta final de campanha.

Via Direta

Atraído miseravelmente pelo seu partido, o PSB, o governadorável rondoniense Samuel Costa teve sua última grande decepção agora com o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciando seu apoio ao candidato do PT Expedito Netto.

O PSB cumpre acordo nacional com o PT para ter candidatura única em Rondônia, ao governo estadual com a primazia de postulação petista no estado.

Numa corrida de recuperação na disputa de uma cadeira ao Senado, o ex-senador Acir Gurgacz (PDT) avançou suas trincheiras em Porto Velho, melhorando sensivelmente sua situação nas últimas sondagens eleitorais.

O governadorável Marcos Rogério está otimista em chegar no pleito de outubro na ponteira.

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AUTOR: CARLOS SPERANÇA





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