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Rogério (quase) incólume, Abib técnico, Samuel ofensivo, Fúria hábil na esquiva, Netto calmo e Hildon catatônico

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Primeiro debate da RondoVisão, afiliada da Band, expôs o vínculo de Fúria com Marcos Rocha, a serenidade incomum de Expedito Netto e um Hildon Chaves muito distante do debatedor de 2016

Por Informa Rondônia - terça-feira, 18/08/2026 - 19h50

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Debates eleitorais não possuem placar objetivo. Produzem impressões de acordo com a missão que cada candidato leva ao estúdio. Quem lidera precisa evitar danos. Quem aparece atrás precisa criar fatos. Quem ainda busca maior reconhecimento precisa demonstrar preparo. Quem carrega alianças incômodas precisa explicá-las. Sob esses critérios, Marcos Rogério atravessou o primeiro encontro entre os candidatos ao Governo de Rondônia em 2026 em situação mais confortável do que se poderia imaginar.

O programa promovido pelo Grupo RondoVisãoTV, afiliado da Rede Bandeirantes em Rondônia, reuniu Marcos Rogério, Adailton Fúria, Hildon Chaves, Pedro Abib, Expedito Netto e Samuel Costa. Durante pouco mais de duas horas e meia, houve perguntas temáticas, confrontos diretos, intervenções de entidades representativas e considerações finais. Os problemas técnicos ocorridos durante a transmissão foram contornados pelo mediador Marcelo Reis e não impediram que o debate oferecesse uma amostra suficientemente clara das virtudes, limitações e estratégias dos seis concorrentes. O conteúdo integral do encontro foi detalhado pelo Rondônia Dinâmica.

Marcos Rogério chegou como o candidato que mais aparece na primeira colocação das pesquisas e, por isso, seria natural que se transformasse no alvo prioritário. Isso não aconteceu na intensidade esperada. Os adversários distribuíram suas ofensivas, abriram confrontos paralelos e permitiram que o candidato do PL atravessasse o debate sem permanecer durante todo o programa na defensiva.

Primeiro debate de 2026

Seis candidatos, dez pontos para observar

Como Pedro Abib, Adailton Fúria, Hildon Chaves, Marcos Rogério, Expedito Netto e Samuel Costa se comportaram no confronto pelo Governo de Rondônia.
Clareza Objetividade Domínio temático Confronto Uso do tempo
Cinco acertos e cinco fragilidades por candidato
A comparação considera clareza, objetividade, domínio temático, capacidade de confronto e controle do tempo.
Leitura rápida

A marca deixada por cada um

Os seis adotaram estilos muito diferentes: houve quem apostasse na técnica, quem exibisse resultados administrativos, quem priorizasse a ideologia e quem transformasse o palco em confronto pessoal.
Pedro AbibTécnico
Adailton FúriaGestor de cases
Hildon ChavesDiscreto
Marcos RogérioEstruturado
Expedito NettoIdeológico
Samuel CostaCombativo
01
MDB

Pedro Abib

Técnico e preparado, mas em vários momentos abstrato demais para o tempo curto da televisão.

5 pontos positivos

  1. 1
    Preparação visível
    Disse ter lido os planos registrados no TRE e usou o conteúdo para formular perguntas específicas sobre ciência, tecnologia e inovação.
  2. 2
    Coerência temática
    Conectou ciência e tecnologia à segurança, ao comércio, à agricultura e à assistência técnica, mantendo uma linha de raciocínio reconhecível.
  3. 3
    Visão estadual
    Citou a RO-421, o Vale do Guaporé, o Vale do Jamari, bacias leiteiras e problemas concretos da agricultura familiar.
  4. 4
    Diagnóstico amplo da segurança
    Foi além da contratação de policiais e defendeu integração entre forças, inteligência de fronteira e cuidado com a saúde mental dos agentes.
  5. 5
    Controle de postura
    Fez críticas duras a adversários, mas não entrou em ataques familiares ou insultos pessoais durante os confrontos.

5 pontos negativos

  1. 1
    Poucos prazos e entregas imediatas
    Apresentou diagnósticos consistentes, mas raramente amarrou as propostas a cronograma, fonte de recurso ou medida para o primeiro ano.
  2. 2
    Resposta incompleta sobre mulheres
    Questionado sobre ações concretas contra a violência no primeiro ano, voltou à integração policial e não detalhou uma política específica de proteção.
  3. 3
    Autopromoção ocupou espaço
    Repetiu convites para que o público procurasse entrevistas e conhecesse sua trajetória, consumindo segundos que poderiam ampliar as respostas.
  4. 4
    Jargão em excesso
    Siglas e referências como CT&I, BPFront, Censipam e NIF elevaram o nível técnico, mas dificultaram a comunicação com o público geral.
  5. 5
    Tom de superioridade
    Ao dizer que Fúria estava preparado para o debate, mas não para governar, e ao atacar “palhaço ou tiktoker”, correu o risco de soar professoral.
02
PSD

Adailton Fúria

Exibiu resultados administrativos e energia, mas ficou excessivamente preso ao currículo de Cacoal.

5 pontos positivos

  1. 1
    Números administrativos
    Citou 83% de esgotamento sanitário em Cacoal, mais de 10 mil novas ligações e investimento de quase R$ 15 milhões em tratamento de água.
  2. 2
    Resultados na educação
    Apresentou aplicação do piso, valorização da equipe de apoio, reforço escolar e oito escolas premiadas pelo Saero.
  3. 3
    Experiência de execução
    Usou passagens como vereador, deputado e prefeito para sustentar que já enfrentou orçamento, equipe e entrega de serviços.
  4. 4
    Infraestrutura localizada
    Nomeou ligações como Nova Brasilândia–BR-429, União Bandeirantes e Buritis–Nova Mamoré ao tratar de indústria e logística.
  5. 5
    Defesa sob pressão
    Respondeu com firmeza às acusações de continuísmo e reconheceu explicitamente que recebe apoio do governador.

5 pontos negativos

  1. 1
    Erro sobre a queda de energia
    Responsabilizou a Energisa pela interrupção. A emissora esclareceu depois que a falha foi interna e não teve relação com a distribuidora.
  2. 2
    Desviou da pergunta sobre inovação
    Gastou quase toda a resposta atacando a energia e limitou a proposta para a Fapero à troca de direção, sem explicar a política pretendida.
  3. 3
    Cacoal virou resposta universal
    O repertório municipal deu credibilidade, mas apareceu em quase todos os temas e reduziu o espaço para um desenho estadual mais detalhado.
  4. 4
    Não listou o que mudaria
    Perguntado sobre secretarias e áreas que manteria ou substituiria no governo apoiador, defendeu autonomia, mas não apresentou nomes nem decisões concretas.
  5. 5
    Frases de força sem mecanismo
    Expressões como “coragem de mamar onça” e a promessa de acabar com o pedágio deram energia, porém sem mostrar o caminho jurídico e financeiro.
03
União Brasil

Hildon Chaves

Experiência gerencial e serenidade, mas pouca objetividade nas perguntas que exigiam plano específico.

5 pontos positivos

  1. 1
    Entrega mensurável
    Usou os 820 quilômetros de asfalto atribuídos à gestão em Porto Velho como prova de capacidade administrativa.
  2. 2
    Prazo para o João Paulo II
    Assumiu compromisso de entregar o novo hospital em dois anos e meio, uma das poucas metas temporais claras do debate.
  3. 3
    Serenidade
    Manteve tom controlado, elogiou provocações pertinentes e não aderiu aos ataques pessoais que dominaram parte do programa.
  4. 4
    Foco em gestão e finanças
    Repetiu os eixos de eficiência, combate à corrupção e reorganização fiscal como condições para ampliar entregas.
  5. 5
    Agricultura familiar em pauta
    Levantou a falta de assistência ao pequeno produtor e citou recursos a fundo perdido que Rondônia não estaria acessando.

5 pontos negativos

  1. 1
    Tecnologia sem proposta concreta
    Na abertura, falou da importância da tecnologia e da antiga gestão, mas não respondeu como levar conectividade às escolas nem concluiu no tempo.
  2. 2
    Infraestrutura porto-velhense
    Ao ser provocado sobre obras estaduais, concentrou-se na pavimentação da capital e deixou rotas de Rondônia em segundo plano.
  3. 3
    Não escolheu o indicador fundiário
    Pedro Abib pediu uma medida objetiva de sucesso; Hildon transferiu o debate para a União e a bancada sem selecionar processos, hectares ou títulos.
  4. 4
    Ignorou PCCS e terceirização
    A pergunta do Cremero tratava diretamente dos dois assuntos, mas a resposta ficou na gestão geral da saúde e no combate à corrupção.
  5. 5
    Baixo poder de contraste
    A postura discreta evitou erros graves, porém produziu menos momentos memoráveis e menos diferenciação diante dos adversários.
04
PL

Marcos Rogério

Discurso estruturado e domínio de infraestrutura, embora muito dependente do próprio histórico parlamentar.

5 pontos positivos

  1. 1
    Respostas estruturadas
    Organizou diagnósticos, medidas e justificativas com começo, meio e fim, especialmente em saúde e infraestrutura.
  2. 2
    Mapa de obras estaduais
    Citou rotas como RO-101, RO-458 e RO-420, pontes de concreto e a necessidade de alternativas à BR-364.
  3. 3
    Saúde descentralizada
    Defendeu gabinete de crise, telemedicina, telematriciamento e atendimento especializado mais próximo dos municípios.
  4. 4
    Fonte de financiamento
    Vinculou o hospital de urgência ao Fundo Euro e à bancada federal e propôs financiar um hospital de traumas com recursos do Detran.
  5. 5
    Defesa madura sob ataque
    Reconheceu atrasos no hospital de Ji-Paraná e explicou a diferença entre destinar recursos como parlamentar e executar como gestor.

5 pontos negativos

  1. 1
    Hospital sem prazo definido
    A pergunta inicial exigia prazo e fonte; ele indicou recursos, mas não fixou data para entregar o novo hospital de urgência.
  2. 2
    Currículo em excesso
    Repetiu listas de emendas, pontes, hospitais e recursos enviados, em alguns momentos olhando mais para o passado que para o plano de governo.
  3. 3
    Dependência da bancada aliada
    Associou entregas futuras à eleição de seus dois candidatos ao Senado, o que enfraqueceu a ideia de autonomia do Executivo estadual.
  4. 4
    Polarização reapareceu
    Embora pregasse união e propostas, recorreu repetidamente a Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e críticas ao governo Lula.
  5. 5
    Fechamento pouco programático
    As considerações finais priorizaram biografia, união do grupo e chapa eleitoral, sem resumir as primeiras ações de governo.
05
PT

Expedito Netto

Coerência ideológica e bom domínio da saúde, mas com desvios de foco e uma gafe marcante no encerramento.

5 pontos positivos

  1. 1
    Posição ideológica clara
    Assumiu-se de esquerda e manteve oposição consistente à privatização na saúde, na educação, na CAERD e na energia.
  2. 2
    Boa narrativa sobre saúde
    Explicou a dependência do João Paulo II, a “saúde na ambulância” e a necessidade de regionalizar o atendimento.
  3. 3
    Referências concretas
    Citou hospitais e recursos em Machadinho, Cacaulândia, Castanheiras, Rolim de Moura, Buritis e outras cidades.
  4. 4
    Industrialização local
    Defendeu associações, cooperativas e beneficiamento em Rondônia de soja, peixe e outros produtos hoje enviados para fora.
  5. 5
    Controle diante dos ataques
    Quando Samuel Costa partiu para acusações pessoais, recusou o mesmo terreno e afirmou que trataria apenas das responsabilidades partidárias.

5 pontos negativos

  1. 1
    Gafe na defesa de Lula
    Ao elogiar o presidente, repetiu o desafio de encontrar uma obra do próprio Lula para ganhar um carro, invertendo o alvo da crítica e enfraquecendo o fechamento.
  2. 2
    Pequenos negócios ficaram para depois
    Começou a resposta com uma longa “consciência de classe” e deixou burocracia, inovação e sobrevivência das empresas em segundo plano.
  3. 3
    Dependência da marca Lula
    Recorreu ao presidente em vários temas, reduzindo o espaço para demonstrar uma identidade administrativa própria para Rondônia.
  4. 4
    Propostas sem calendário
    Falou em reformar ICMS, fortalecer a CAERD e levar indústrias ao Estado, mas sem etapas, metas ou prazos definidos.
  5. 5
    Privatizações misturadas
    Ligou Eletrobras, Ceron/Energisa e BR-364 na mesma ofensiva, abrindo espaço para Marcos Rogério contestar a cronologia e separar os processos.
06
PSB

Samuel Costa

O mais memorável e frasista do debate — e também quem mais ultrapassou a fronteira entre confronto e ataque pessoal.

5 pontos positivos

  1. 1
    Alta capacidade de viralização
    Usou Chacrinha, Bíblia, frases de efeito e comparações populares que produziram os momentos de maior lembrança do programa.
  2. 2
    Propostas identificáveis
    Defendeu piso do magistério, equipes interdisciplinares, universidade estadual, vagas para alunos da rede pública e delegacias 24 horas.
  3. 3
    Pautas pouco exploradas
    Levou ao centro do debate violência contra mulheres, saúde mental, periferia, inclusão e valorização das equipes de apoio escolar.
  4. 4
    Perguntas que criaram tensão real
    Cobrou de Fúria a relação com o governo apoiador e confrontou Expedito Netto sobre a crise partidária que atingia sua candidatura.
  5. 5
    Identidade política nítida
    Falou como candidato de origem periférica, adotou linguagem inclusiva e deixou claro quais grupos pretendia priorizar.

5 pontos negativos

  1. 1
    Ataques pessoais graves
    Usou expressões como “garota de programa”, “psicopata” e “doença”, além de envolver parentes e derrotas eleitorais dos adversários.
  2. 2
    Não respondeu sobre a CAERD
    Transformou quase todo o tempo da resposta em ofensiva contra Expedito Netto e só declarou oposição à privatização no fim.
  3. 3
    Referências demais
    Citações religiosas, anedotas, bordões e pedidos para seguir redes sociais frequentemente comprimiram a explicação das propostas.
  4. 4
    Viabilidade pouco explicada
    Universidade estadual, reserva de 80% das vagas e redução de repasses aos Poderes apareceram sem detalhamento jurídico e financeiro.
  5. 5
    Confronto engoliu o programa
    A crise no PSB dominou a reta final e impediu que as considerações finais apresentassem uma síntese mais ampla de governo.
Fonte: debate entre candidatos ao Governo de Rondônia transmitido pela Band/Rondovisão TV. Critérios: clareza, objetividade, domínio temático, capacidade de confronto e uso do tempo.

Quando foi chamado, Rogério respondeu sem abandonar o próprio eixo. No questionamento de Expedito Netto sobre a Eletrobras e a concessão da BR-364, apresentou distinções entre os processos, assumiu ter relatado a matéria da privatização no Senado e atribuiu ao Governo Federal de Luiz Inácio Lula da Silva o modelo de concessão da rodovia. No confronto com Fúria sobre o hospital de Ji-Paraná, reconheceu a demora, separou a função parlamentar de destinar recursos da responsabilidade dos gestores pela execução e citou valores que estariam disponíveis para a unidade.

As respostas não eliminaram as cobranças nem resolveram retroativamente as promessas questionadas, mas impediram que os ataques se transformassem em feridas políticas abertas. Rogério demonstrou conhecimento dos assuntos, falou com tranquilidade e evitou entrar em bolas divididas desnecessárias. Ele não precisou dominar o debate para sair bem dele. Para quem chegou em posição de evidência e, em tese, deveria sofrer o maior volume de ataques, não se desgastar no primeiro encontro representou um resultado expressivo.

Pedro Abib, por sua vez, apresentou credenciais técnicas consistentes. Sua discrição não deve ser confundida com apagamento. O candidato do MDB demonstrou conhecimento sobre segurança pública, integração institucional, fronteiras, inovação, economia e agricultura familiar. Mais importante, deixou a impressão de ter estudado não apenas o próprio programa, mas também os planos apresentados pelos concorrentes.

A demonstração mais evidente ocorreu na pergunta dirigida a Fúria sobre ciência, tecnologia, inovação e a atuação da Fapero. Abib recorreu inicialmente a uma formulação técnica que poderia ser confundida com outro tema e esperou a reação do adversário. Fúria começou falando sobre a interrupção de energia e depois mencionou superficialmente a necessidade de mudar a direção da fundação, sem responder ao centro da questão. Na réplica, Abib revelou claramente o assunto e apontou que o tempo havia sido utilizado sem a apresentação de uma política efetiva para o setor.

Foi uma pegadinha construída por alguém que aparentemente havia feito a lição de casa. Há espaço para questionar se um debate destinado ao eleitor deve testar candidatos por meio de siglas pouco acessíveis, mas, como demonstração de preparo, a estratégia funcionou. Abib obrigou o adversário a revelar uma lacuna sem precisar declarar diretamente que ele desconhecia o assunto. Ao longo do programa, manteve postura serena e ofereceu conteúdo. Sua participação foi discreta na forma, mas minuciosa no domínio dos temas.

Samuel Costa ocupou outro espaço. Foi simultaneamente propositivo e ofensivo. Apresentou medidas para educação, valorização profissional, ensino integral, equipes interdisciplinares, Universidade Estadual de Rondônia, proteção às mulheres, funcionamento permanente da rede de enfrentamento à violência, isenção de IPVA para pequenos agricultores e financiamento de políticas para comércio, serviços e trabalhadores de menor renda. Poucos candidatos percorreram tantas áreas com propostas identificáveis.

Samuel também foi, certamente, o candidato que melhor pensou na repercussão do debate para além da transmissão ao vivo. Foi o mais frasista, recorreu a anedotas, mencionou Chacrinha, utilizou referências bíblicas e construiu comparações prontas para serem recortadas e compartilhadas nas redes sociais. A frase “quem nasceu para ser Claudia Leitte nunca vai ser Ivete Sangalo” sintetizou essa estratégia. Independentemente da profundidade de cada formulação, houve uma compreensão clara de que o debate não termina quando as câmeras são desligadas. Ele continua nos vídeos curtos, nas legendas, nos memes e nos trechos que disputam atenção no ambiente digital. Nesse aspecto, Samuel produziu deliberadamente mais material com potencial de viralização do que os demais candidatos.

Esse desempenho, entretanto, dividiu espaço com um acerto de contas partidário. Samuel chegou ao debate movido por um evidente ímpeto de justiça diante da intervenção da Executiva Nacional do PSB, que destituiu a direção regional e atingiu as candidaturas dele ao Governo e de Neidinha Suruí ao Senado. Naquele momento, ele continuava candidato, enquanto o episódio caminhava para uma disputa jurídica.

A indignação política era compreensível, mas consumiu parte importante de sua participação. Samuel voltou suas baterias contra Expedito Netto, a quem atribuiu participação na articulação que classificou como golpe. Em vez de se limitar a responder sobre a Caerd, transformou o confronto em exposição da crise interna da esquerda, mencionou ofertas de cargos, o impeachment de Dilma Rousseff e as candidaturas atingidas pela intervenção.

Netto adotou uma espécie de cara de paisagem. Sua postura transmitiu, ao mesmo tempo, calma e distanciamento. Parecia não dominar ou não reconhecer a engrenagem descrita pelo adversário, mas evitou uma reação efusiva que pudesse ampliar o estrago. Disse que Samuel deveria resolver os problemas com o PSB e não com um integrante do PT. Ao manter o controle, cumpriu o papel defensivo, embora não tenha oferecido uma explicação capaz de dissipar as suspeitas lançadas contra ele.

Samuel insistiu e ultrapassou a fronteira entre cobrança política e hostilidade pessoal. Seu ímpeto de justiça assumiu, em alguns momentos, a aparência de vingança. Essa personalização diminuiu o espaço de uma atuação que, no terreno das propostas, estava entre as mais completas da transmissão. O candidato mostrou preparo, energia e conhecimento, mas permitiu que a crise partidária disputasse protagonismo com o projeto de governo.

Expedito Netto também apresentou posições sobre regularização fundiária, saúde pública, pequenos negócios, cooperativismo, industrialização e privatizações. Confrontou Marcos Rogério e reafirmou sua identidade de esquerda e seu alinhamento ao presidente Lula. Sua postura mais marcante, no entanto, apareceu quando recebeu os ataques de Samuel. Em vez de elevar a voz, devolver as acusações na mesma intensidade ou transformar o estúdio em uma extensão da disputa partidária, Netto manteve a calma.

Essa serenidade merece ser ressaltada justamente porque contrasta com a imagem construída por Expedito Netto ao longo de sua atuação parlamentar. Ele ficou conhecido por episódios de enfrentamento e manifestações temperamentais. Em 2018, ocupou o microfone da Câmara para repreender Ciro Gomes por comparecer ao plenário sem terno e gravata. No ano seguinte, envolveu-se em um episódio com Julian Lemos, então deputado do PSL e aliado de Jair Bolsonaro. O registro daquele caso mostra que Netto tentou apartar uma discussão e acabou atingido por uma cabeçada de Lemos. Anos depois, um áudio atribuído a ele voltou a alimentar a imagem de político explosivo ao trazer ataques contra Lúcio Mosquini, então coordenador da bancada federal de Rondônia.

Diante desse histórico, o autocontrole demonstrado contra Samuel ganhou relevância. Netto foi abalroado por uma sequência de acusações pessoais e políticas, mas não entregou ao adversário a reação temperamental que poderia ampliar ainda mais o episódio. A cara de paisagem deixou dúvidas sobre o que sabia, o que desconhecia e o que preferia não responder, mas impediu que a discussão saísse completamente do controle. Nesse aspecto, a calmaria representou um ponto favorável em sua participação.

Isso não significa que Netto tenha atravessado o confronto sem desgaste. Samuel escancarou que a intervenção no PSB não ficará restrita aos bastidores das executivas partidárias. Se Expedito pretendia passar pela campanha sem ser confrontado sobre o episódio, o debate mostrou que isso dificilmente será possível. A acusação de que teria ajudado a puxar o tapete das candidaturas de Samuel e Neidinha Suruí foi instalada publicamente e tende a reaparecer nos próximos encontros.

Netto poderá ser chamado de “golpista” ou “puxador de tapete” por Samuel e por setores que interpretam a intervenção dessa maneira. Não porque essas expressões tenham sido comprovadas como fatos, mas porque o candidato do PSB estabeleceu essa narrativa diante do eleitorado. O desgaste se torna ainda mais delicado por nascer dentro do mesmo campo ideológico. PT e PSB integram a esquerda e, em tese, poderiam estar concentrados no confronto com seus adversários externos. Começar uma eleição com acusações de sabotagem, retirada de candidaturas e implosão interna enfraquece o discurso de unidade e transfere para dentro do próprio campo parte da energia que seria utilizada contra os demais concorrentes.

A maior fragilidade de Expedito apareceu nas considerações finais, quando tentou ironizar a ausência de obras de Jair Bolsonaro em Rondônia, mas trocou os nomes e desafiou o público a encontrar uma obra de Lula, justamente o presidente que defendia. A gafe prejudicou um encerramento que deveria consolidar sua mensagem política.

Adailton Fúria enfrentou uma missão particularmente delicada: usufruir do apoio do governador Coronel Marcos Rocha sem assumir integralmente o desgaste da administração. Durante todo o debate, procurou sustentar que recebe o apoio do governador, mas não representa a continuidade do governo. A construção é politicamente conveniente, porém difícil de manter sem contradições.

O apoio de uma administração estadual produz bônus e ônus. Fúria conta com a proximidade do atual governador, com o peso da estrutura política de seu grupo e com pessoas ligadas ao entorno governista trabalhando, ainda que indiretamente e dentro da legalidade, em sua campanha. Em contrapartida, precisa responder pelas cobranças dirigidas à gestão que o apoia. Não é possível receber o aval do Palácio apenas como patrimônio eleitoral e rejeitá-lo quando surgem os problemas.

Samuel percebeu essa fragilidade e a expôs. A pergunta era essencialmente política: quais áreas do governo Marcos Rocha seriam modificadas e até que ponto Fúria representava continuidade? Para reforçar a cobrança, Samuel empregou primeiro a analogia de que quem se casa com a viúva assume os filhos e, depois, utilizou uma comparação muito mais pesada. A figura de linguagem foi exagerada e desnecessariamente agressiva, mas seu objeto era a relação seletiva de Fúria com o apoio do governador, e não a moral pessoal de Marcos Rocha.

Fúria, político experiente e suficientemente safo para compreender a provocação, optou por interpretar a comparação literalmente. Transformou uma pergunta sobre responsabilidade política em uma defesa da honra, da família e da reputação do governador. A estratégia lhe permitiu ocupar o tempo, desviar o centro da cobrança e assumir uma posição moralmente confortável. O problema é que não respondeu completamente à questão original.

Algo semelhante ocorreu no confronto com Abib. Quando não dominou o assunto da Fapero e da política de ciência, tecnologia e inovação, Fúria recorreu à própria biografia, mencionando os cargos de vereador, deputado estadual e prefeito. Em outros momentos, voltou aos resultados que atribui à administração de Cacoal. São recursos legítimos, mas experiência administrativa não substitui uma resposta objetiva sobre uma área específica.

No fim das contas, experiência administrativa, domínio das próprias propostas, estudo dos programas adversários e percepção da medida correta de atacar e de se defender são apenas parte do repertório necessário em um debate. Também é essencial manter controle absoluto do tempo e dominar técnicas evasivas capazes de impedir que a ausência momentânea de uma resposta seja percebida como inaptidão ou fragilidade. Foi justamente nessa dimensão que Fúria funcionou bem. Nem sempre teve a resposta na ponta da língua, mas sustentou a postura, ocupou os segundos disponíveis e substituiu o silêncio pela experiência acumulada, por episódios pessoais ou por mudanças no espírito da pergunta. No caso de Adailton Fúria, o rei não estava nu. As esquivas não preencheram as lacunas de conteúdo, mas impediram que elas se convertessem em colapso diante das câmeras.

Ainda assim, Fúria não foi desmontado. Seu carisma, sua capacidade de preencher o tempo e sua habilidade para deslocar perguntas difíceis permitiram que atravessasse os momentos de pressão sem uma exposição tecnicamente comprometedora. Saiu com uma dívida de esclarecimento sobre a relação com Marcos Rocha e sobre políticas que não conseguiu detalhar, mas apresentou suas credenciais de gestor e comunicador.

Hildon Chaves teve uma atuação distante das expectativas criadas por sua própria trajetória. O candidato que apareceu para o grande público em 2016 como outsider e azarão, venceu a eleição para prefeito de Porto Velho e depois conquistou a reeleição parecia, desta vez, quase catatônico no sentido político e comunicacional. Demonstrou dificuldade para organizar as respostas e frequentemente não conseguiu concluir o raciocínio dentro do tempo concedido pela direção da RondoVisão.

Não faltaram assuntos. Hildon tratou de transformação digital, gestão pública, infraestrutura, saúde, regularização fundiária, corrupção e pedágio. Em determinado momento, criticou promessas de encerramento imediato da cobrança nas rodovias. O problema esteve menos na inexistência de conteúdo e mais na forma letárgica de apresentá-lo.

Era um personagem muito diferente daquele debatedor conhecido por frases de grande repercussão, incluindo a declaração de que reconheceria um bandido após dois minutos de conversa. Hildon construiu parte de sua imagem política em embates duros e falas homéricas. No primeiro debate de 2026, porém, não apresentou o mesmo reflexo. Deixou segundos escaparem, perdeu oportunidades de réplica e não transformou sua experiência administrativa em presença de palco. Ficou aquém do desempenho que sua história em debates permitia esperar.

A leitura geral precisa considerar critérios distintos. Marcos Rogério atravessou o encontro sem as avarias que sua posição de destaque nas pesquisas poderia provocar. Pedro Abib demonstrou preparo técnico e conhecimento dos programas em discussão. Samuel Costa apresentou grande volume de propostas, mas também concentrou os ataques e permitiu que a disputa interna da esquerda dominasse parte de sua participação. Fúria foi pressionado sobre alianças, não teve todas as respostas e, ainda assim, mostrou habilidade para impedir que as lacunas se transformassem em fragilidade explícita. Expedito Netto foi atingido por acusações que deverão acompanhá-lo durante a campanha, mas surpreendeu pelo autocontrole diante de um confronto que poderia ter despertado seu conhecido temperamento. Hildon Chaves mostrou conteúdo em algumas áreas, porém encontrou dificuldades para transformá-lo em comunicação eficiente.

O encontro também deixou advertências para as próximas rodadas. Rogério provavelmente não terá novamente o privilégio de ser tão pouco requisitado. Abib precisará transformar preparo em maior protagonismo. Samuel terá de decidir se pretende usar o debate como vitrine de propostas ou como tribunal da crise partidária. Fúria precisará explicar com maior precisão onde termina o apoio de Marcos Rocha e onde começa seu projeto próprio, ainda que já tenha demonstrado saber administrar o tempo e escapar de perguntas sem expor completamente suas vulnerabilidades. Expedito precisará preservar a calma, responder com conteúdo às acusações e enfrentar uma crise que já deixou de ser apenas interna. Hildon, por fim, terá de recuperar a energia que um dia o transformou em um dos debatedores mais reconhecíveis de Rondônia.

Rodapé da coluna

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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