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ECONOMIA
Restauração ambiental pode gerar retorno financeiro, afirma secretário do Meio Ambiente

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BNDES anuncia R$ 24,9 milhões para incentivo a florestas comerciais

Por Informa Rondônia - sexta-feira, 10/10/2025 - 21h39

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Porto Velho, RO – O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, afirmou nesta sexta-feira (10) que a restauração de áreas degradadas pode ser economicamente viável e gerar lucro. A declaração foi feita durante um encontro sobre conservação e restauração ambiental promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

Capobianco destacou que experiências no país comprovam a possibilidade de unir recuperação ambiental e rentabilidade. “Temos aqui parceiros que estão provando, demonstrando objetivamente que é possível fazer isso ganhando dinheiro, gerando vendas, gerando movimento, gerando economia. Não estamos falando de doação, não estamos falando de filantropia”, afirmou.

O evento reuniu representantes de empresas de silvicultura, setor que utiliza florestas plantadas para produção de insumos como celulose e madeira. Segundo o secretário, além do combate ao desmatamento, é necessário investir em restauração para cumprir a meta de reduzir entre 59% e 67% das emissões de dióxido de carbono (CO₂) até 2035, em relação aos níveis de 2005. “Se formos muito eficientes, podemos chegar em 2035 emitindo 850 milhões de toneladas, que é a parte de baixo dessa faixa. Seria um feito absolutamente excepcional”, disse Capobianco.

O compromisso integra a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), estabelecida pelo Brasil no âmbito do acordo internacional de combate às mudanças climáticas.

O encontro ocorreu um mês antes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada entre 10 e 21 de novembro, em Belém. Capobianco afirmou que o país reduziu o desmatamento na Amazônia em 45% em relação à taxa herdada do governo anterior e disse que a meta é alcançar desmatamento zero, legal ou ilegal, até 2030. O secretário mencionou também reduções registradas no Cerrado e na Mata Atlântica.

Durante o evento, o BNDES anunciou dois financiamentos com recursos do Fundo Clima, destinado a ações de conservação. O primeiro libera R$ 250 milhões para a Suzano, maior produtora mundial de celulose, aplicar na recuperação de 24 mil hectares em São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Pará e Mato Grosso do Sul, abrangendo os biomas Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. Trata-se do maior valor já aprovado pelo fundo para restauração de vegetação nativa.

O segundo financiamento, de R$ 100 milhões, será destinado ao Grupo Belterra, que atua com agrofloresta, para restauração de áreas na Bahia, Pará, Rondônia e Mato Grosso. O projeto, realizado em parceria com produtores de cacau, prevê o plantio de 2,9 milhões de mudas.

Outra ação anunciada pelo banco é uma concorrência pública de R$ 10 milhões voltada à recuperação florestal em até 61 terras indígenas no Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. O projeto, que conta com apoio financeiro da Fundação Bunge, faz parte do programa Floresta Viva e utiliza recursos não reembolsáveis.

O BNDES também apresentou o projeto Floresta Inovação, que destinará R$ 24,9 milhões em recursos não reembolsáveis para o cultivo sustentável de florestas comerciais. O objetivo é conciliar a restauração de áreas degradadas com a produção de madeira nativa voltada ao mercado, incluindo investimentos em pesquisa e inovação para aumentar a produtividade e reduzir custos.

A iniciativa é coordenada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o Brasil é um dos principais produtores mundiais de celulose e destacou o potencial do país no setor de florestas plantadas. “Temos um setor que vai apresentar resultados exuberantes do ponto de vista do seu potencial de investimento, de participação privada, de retorno não só ambiental, mas também econômico, emprego, inovação, em tecnologia, em resultado dos avanços”, declarou.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2024, 77,6% das áreas de silvicultura eram ocupadas por eucalipto, 18,6% por pinus e 3,8% por outras espécies. Mercadante acrescentou que “não há nada mais antigo, mais eficiente e mais barato para sequestrar carbono do que plantar árvores”.

A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, informou que os anúncios desta sexta-feira integram um conjunto de ações que serão apresentadas antes da COP30. Segundo ela, a área de florestas do banco ainda deve divulgar pelo menos quatro novas iniciativas até o início da conferência.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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