Capacitação realizada em Porto Velho destacou crescimento de crimes sexuais no ambiente digital e apontou que 86,2% das vítimas de estupro no país são meninas
Porto Velho, RO – A necessidade de investigações policiais estruturadas e especializadas para garantir condenações justas em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes foi o foco de uma capacitação promovida pelo Ministério Público de Rondônia nesta segunda-feira (11), em Porto Velho. A atividade integrou a programação da campanha Maio Laranja e reuniu agentes de segurança pública de diferentes instituições.
Durante a palestra “Crimes Cibernéticos Sexuais contra Crianças e Adolescentes”, a delegada da Polícia Federal Rafaella Parca apresentou dados nacionais sobre violência sexual e alertou para o avanço de crimes praticados em ambientes digitais. Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, oito em cada dez estupros registrados no país têm como vítimas crianças e adolescentes. Desse total, 86,2% são meninas e 13% meninos.
Segundo a delegada, o aumento da comercialização de imagens de abuso sexual infantil nos últimos três anos tem sido impulsionado pela popularização das criptomoedas e do Pix, cenário que elevou a atenção da Polícia Federal para esse tipo de delito. Ela explicou que criminosos costumam criar perfis falsos para conquistar a confiança das vítimas e, posteriormente, ameaçá-las para obter imagens íntimas, prática caracterizada como estupro virtual.
Entre os crimes mais frequentes investigados pela Polícia Federal estão o armazenamento, compartilhamento, produção e venda de imagens de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes, além do constrangimento de vítimas para envio de fotos e vídeos íntimos por meio da internet.
Na avaliação da palestrante, a individualização das condutas criminosas durante a investigação é decisiva para a responsabilização adequada dos autores. Ela ressaltou que cada crime deve ser detalhado separadamente nos relatórios policiais para subsidiar denúncias do Ministério Público e futuras sentenças judiciais. “Se foram cometidos 50 estupros, é importante relatar como estupro 1, estupro 2, estupro 3”, afirmou.
A delegada também apresentou estratégias adotadas pela Polícia Federal em operações relacionadas à violência sexual digital. Entre as orientações destacadas estão o uso do fator surpresa durante abordagens, a coleta adequada de evidências digitais, a preservação da integridade dos materiais apreendidos e a retirada imediata de crianças de ambientes onde estejam presentes suspeitos investigados.
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Outro dado abordado durante a capacitação diz respeito ao perfil dos autores desses crimes. Conforme os números apresentados, 84% dos agressores são pessoas próximas das vítimas e 69% dos casos ocorrem dentro das residências. Ao comentar a responsabilidade das autoridades na proteção infantil, Rafaella Parca destacou: “Quem essas crianças têm para fazer cessar essa situação de violência? Nós!”.
A abertura do evento contou com a participação do ouvidor-geral do MPRO, Carlos Grott, que destacou a importância da união entre as instituições para fortalecer o combate à violência contra crianças e adolescentes. Segundo ele, o compartilhamento de estratégias e conhecimentos é essencial para ampliar a proteção da infância.
Também participou da programação o procurador-geral de Justiça, Alexandre Jésus de Queiroz Santiago, que defendeu a continuidade do trabalho integrado entre órgãos públicos para enfrentar esse tipo de crime e fortalecer a defesa de crianças e adolescentes.
A capacitação reuniu integrantes das Polícias Civil, Militar, Rodoviária Federal e Federal, além de representantes do Exército, Marinha, Agência Brasileira de Inteligência e Defensoria Pública do Estado de Rondônia.
As denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas por meio do Disque 100, nos canais oficiais do Governo Federal e também junto ao Ministério Público de Rondônia.
Com informações de: Ministério Público de Rondônia
