Em entrevista ao podcast Resenha Política, deputada federal e pré-candidata ao Senado criticou parlamentares que defendem impeachment de ministros sem “ficha limpa”, revelou suposto acordo frustrado com o Ministério dos Transportes sobre a BR-364, apontou falhas de gestão na saúde pública e disse estar preparada para uma campanha “extremamente violenta” marcada por fake news
Porto Velho, RO – A deputada federal e pré-candidata ao Senado Federal Silvia Cristina afirmou, durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, que parte dos discursos envolvendo pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal durante a pré-campanha eleitoral tem sido utilizada apenas como instrumento de “lacração” política. Ao comentar a pauta que vem sendo explorada por pré-candidatos ao Senado em Rondônia e em outros estados, Silvia disse que muitos parlamentares fazem declarações públicas sobre afastamento de ministros sem possuir condições políticas ou pessoais para sustentar esse tipo de enfrentamento institucional.
Ao abordar o tema, a parlamentar relembrou a tentativa do senador Alessandro Vieira, em 2019, de reunir assinaturas para abertura de uma CPI relacionada ao Judiciário. Segundo ela, houve recuo de senadores após o avanço inicial da proposta. “Quando avançou, que ele tinha conseguido a quantidade necessária, começaram os senadores a retirar as assinaturas. No escondidinho, na tranquilidade, aí acabou não acontecendo essa CPI, que lá atrás todo mundo queria”, afirmou.
Durante a entrevista, Silvia Cristina declarou que parte das promessas feitas atualmente sobre impeachment de ministros do STF não possui sustentação prática. “Quem está dizendo que vai impeachmar, que vai fazer, ele vai ser o presidente do Senado já de imediato e que ele vai conseguir fazer articulação isso tudo? Então nós temos que ver nessa vertente”, declarou. Em seguida, afirmou que políticos que defendem esse tipo de medida precisam possuir “ficha limpa” e não podem ter “rabo preso”.
“Pra falar de impeachment, pra falar de CPI, da lavatoga, a pessoa não pode ter o rabo preso e precisa ser limpa, ser ficha limpa. Infelizmente, tem muitos que estão falando aí que vai fazer acontecer, mas não tem gabarito pra fazer isso. Então, é só conversa”, disse.
Ao ser questionada sobre os critérios de indicação para o Supremo Tribunal Federal, Silvia evitou defender mudanças objetivas no modelo atual, mas afirmou que existe excesso de “blá-blá-blá” e de discursos voltados apenas para repercussão nas redes sociais. “Hoje a internet é só lacração. Então eu vou lacrar, as pessoas vão me aplaudir, o algoritmo faz com que as pessoas fiquem percebendo aquilo”, declarou.
Outro tema que ocupou parte central da entrevista foi a concessão da BR-364 e os valores do pedágio previstos para o trecho rondoniense. Silvia Cristina afirmou que a bancada federal de Rondônia teria realizado reuniões com o Ministério dos Transportes e com representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres para tentar suspender o edital da concessão antes da publicação definitiva. Segundo ela, houve um entendimento verbal que não teria sido cumprido posteriormente pelo governo federal.
“Nós conseguimos, de palavra, suspender o edital. Então, para nós, o edital estava suspenso para que as discussões pudessem continuar”, afirmou. Na sequência, acrescentou que houve quebra do entendimento firmado nas reuniões. “O próprio Ministério do Transporte, o próprio governo, nós tínhamos feito um acordo e semanas depois publicou o edital, desrespeitando a bancada”, declarou.
A parlamentar disse ainda que a bancada de Rondônia foi “atropelada” durante o processo. “Infelizmente o governo, nós somos uma bancada pequena e foi o que aconteceu, nos desrespeitou, nos atrapalhou, atropelou de verdade, tratorou como você diz”, afirmou ao entrevistador.
Segundo Silvia Cristina, ela já apresentou requerimentos e ofícios solicitando revisão dos valores do pedágio, ampliação dos trechos de duplicação previstos e isenção para entidades filantrópicas. A deputada também criticou o modelo atual da concessão. “Eu sempre fui encontrada nos moldes do que estava o edital, que eram poucos trechos de duplicação”, afirmou.
Durante a entrevista, Robson Oliveira afirmou que havia críticas de parlamentares estaduais, prefeitos e lideranças políticas sobre a situação da rodovia mesmo após o início da cobrança de pedágio. Silvia respondeu dizendo que percorre frequentemente a BR-364 e que constatou a existência de muitos buracos. “Essa semana eu já andei quatro vezes. Ida e volta entre capital e interior. Muitos buracos”, declarou.
A deputada também afirmou que ainda não recebeu respostas formais da ANTT aos questionamentos encaminhados pela bancada. “Dentre os requerimentos que nós fizemos, nós ainda não obtivemos resposta. Até isso”, disse.
Na segunda metade da entrevista, Silvia Cristina passou a falar sobre saúde pública e sua atuação parlamentar voltada ao Hospital de Amor e unidades de atendimento em Rondônia. Ao comentar a situação do Hospital João Paulo II, a parlamentar declarou que o problema da unidade estaria relacionado principalmente à gestão hospitalar e à falta de rotatividade dos leitos.
“O problema do João Paulo não é difícil de ser resolvido”, afirmou. Em seguida, disse que pacientes permanecem tempo excessivo internados aguardando cirurgias ortopédicas. “É inadmissível que uma pessoa, por uma cirurgia ortopédica, fique por 60 dias ali”, declarou.
Após o entrevistador afirmar que a fala indicava crítica à gestão hospitalar, Silvia respondeu dizendo que os gestores deveriam “estudar um pouco mais”. “Eu tô dizendo que os gestores deveriam estudar um pouco mais e ficar um pouco mais lá dentro”, afirmou.
A parlamentar também rejeitou a tese de falta de recursos financeiros para a saúde pública. Segundo ela, o problema não estaria ligado à ausência de dinheiro. “Não, não falta. Isso eu garanto pra você que não falta”, declarou ao ser questionada sobre carência de recursos na área.
Durante o debate sobre emendas parlamentares, Silvia Cristina afirmou possuir tranquilidade em relação à fiscalização de seus repasses. A parlamentar comentou as investigações envolvendo emendas parlamentares conduzidas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e declarou que suas emendas possuem destinação comprovada.
“Tudo bem aplicado”, afirmou. Na sequência, passou a detalhar resultados atribuídos ao mandato, citando números relacionados a atendimentos de saúde. Segundo ela, mais de 90 mil pessoas teriam sido atendidas em centros de reabilitação ligados às estruturas apoiadas por suas emendas parlamentares, além de mais de 359 mil atendimentos em reabilitação, mais de 260 mil atendimentos preventivos e mais de 18 mil cirurgias de catarata realizadas por meio do programa Olhar de Amor.
Silvia Cristina também afirmou estar preocupada com o ambiente eleitoral de 2026 e declarou que pretende discutir com o Tribunal Regional Eleitoral medidas de combate às fake news durante a campanha. “Hoje, infelizmente, inclusive, quero discutir com o Tribunal Regional Eleitoral o que o tribunal vai fazer, quais que são as ações para o combate às fake news”, declarou.
Segundo ela, campanhas baseadas em desinformação podem produzir danos irreversíveis em curto prazo. “Tem muitas fake news que só resolvem depois das eleições”, afirmou. Em outro trecho, declarou que basta uma informação falsa para produzir desgaste eleitoral. “Basta uma, infelizmente”, disse.
Ao comentar a disputa pelo Senado em Rondônia, Silvia afirmou que está preparada para enfrentar candidaturas consideradas fortes no estado e declarou que sua pré-candidatura teria surgido a partir de incentivos recebidos da população durante viagens pelo interior. “A pré-candidatura da Silvia nasceu do coração do rondonês”, declarou.
A deputada também falou sobre racismo, misoginia e preconceito enfrentados ao longo da vida pública. Ao comentar a possibilidade de Rondônia eleger pela primeira vez uma mulher ao Senado, Silvia afirmou que pretende “quebrar essa mística”. “Vou quebrar. Nada na minha vida foi fácil. Ser negra, de família humilde, não é fácil”, declarou.
No encerramento da entrevista, a parlamentar voltou a defender que sua trajetória política seja avaliada a partir das entregas realizadas durante os mandatos parlamentares. “Eu quero que as pessoas me veem da maneira como eu atuo, especialmente dedicando a minha vida para cuidar de pessoas”, afirmou.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
A entrevista foi concedida ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica.
10 FRASES DE SÍLVIA CRISTINA NO RESENHA POLÍTICA
01. “Pra falar de impeachment, pra falar de CPI, da lavatoga, a pessoa não pode ter o rabo preso e precisa ser limpa, ser ficha limpa.”
A declaração foi dada durante discussão sobre políticos que prometem impeachment de ministros do STF durante a pré-campanha eleitoral para o Senado Federal.
02. “Infelizmente, tem muitos que estão falando aí que vai fazer acontecer, mas não tem gabarito pra fazer isso. Então, é só conversa.”
Silvia Cristina criticou parlamentares que defendem medidas contra ministros do Supremo sem possuir articulação política ou histórico pessoal compatível com esse discurso.
03. “Hoje a internet é só lacração.”
A deputada afirmou que parte dos debates sobre STF e política institucional tem sido conduzida apenas para gerar repercussão nas redes sociais.
04. “Nós tínhamos feito um acordo e semanas depois publicou o edital, desrespeitando a bancada.”
A fala ocorreu quando Silvia afirmou que teria existido um entendimento verbal entre a bancada federal de Rondônia e o Ministério dos Transportes para suspender o edital da concessão da BR-364.
05. “Infelizmente o governo nos desrespeitou, nos atrapalhou, atropelou de verdade, tratorou.”
A parlamentar comentou a condução da concessão da BR-364 e afirmou que Rondônia possui uma bancada pequena e sem força suficiente para barrar a publicação do edital.
06. “É inadmissível que uma pessoa, por uma cirurgia ortopédica, fique por 60 dias ali.”
A declaração foi dada durante críticas à gestão hospitalar do João Paulo II e à baixa rotatividade dos leitos.
07. “Eu tô dizendo que os gestores deveriam estudar um pouco mais e ficar um pouco mais lá dentro.”
Silvia respondeu ao entrevistador após ser questionada se estava classificando os gestores da saúde como incompetentes.
08. “Não, não falta. Isso eu garanto pra você que não falta.”
A parlamentar rejeitou a tese de falta de dinheiro para a saúde pública ao comentar dificuldades financeiras enfrentadas por estados e municípios.
09. “A pré-candidatura da Silvia nasceu do coração do rondonês.”
A deputada afirmou que a decisão de disputar o Senado surgiu a partir de pedidos recebidos durante visitas ao interior do estado.
10. “Vou quebrar. Nada na minha vida foi fácil. Ser negra, de família humilde, não é fácil.”
A frase foi dita quando Silvia Cristina comentou a possibilidade de Rondônia eleger pela primeira vez uma mulher para o Senado Federal.
