Pré-candidato ao Senado expõe relação com Jair Bolsonaro, relata cárcere privado atribuído à Liga dos Camponeses Pobres, rebate acusações sobre patrimônio rural, critica bancada federal por concessão da BR-364 e diz que “está cagando” para resistência dentro da política tradicional
Porto Velho, RO – O empresário e pré-candidato ao Senado por Rondônia, Bruno Scheid, protagonizou uma entrevista marcada por embates, posicionamentos ideológicos contundentes e declarações polêmicas durante participação no podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica. Ao longo de mais de 50 minutos, Scheid rebateu rumores sobre a origem de seu patrimônio, criticou duramente a concessão da BR-364, defendeu mudanças profundas no sistema político e jurídico brasileiro, sustentou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmou fidelidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e detalhou episódios traumáticos de sua vida pessoal que, segundo ele, moldaram sua entrada na política.
Um dos momentos mais tensos da entrevista ocorreu quando Robson Oliveira questionou Scheid sobre relatos ouvidos nos bastidores políticos envolvendo a aquisição de propriedades rurais supostamente ligadas a italianos na região da BR-429. O apresentador mencionou rumores de que os negócios do pré-candidato teriam começado a partir da tomada irregular de fazendas. Scheid negou integralmente a narrativa e afirmou que a compra ocorreu de forma legal, sustentada por contrato formal.
Sem demonstrar hesitação, o entrevistado reagiu dizendo que a história chegou a um nível de distorção que, segundo ele, extrapola o razoável. Em resposta direta ao questionamento, declarou: “Inclusive o advogado que fez o contrato de compra e venda tá na sala ao lado”. Em seguida, acrescentou que a versão disseminada nos bastidores políticos teria, inclusive, dado como morto o antigo proprietário das terras, algo que ele contestou imediatamente ao afirmar: “Ele tá vivo, com saúde”. Segundo Scheid, o antigo dono da área reside atualmente na Itália e sua mãe teria viajado ao país em ocasiões anteriores em razão de trâmites ligados ao contrato da propriedade. Ele ainda revelou que vendeu a área em 2023, alegando preocupação com possíveis invasões decorrentes de sua exposição política ao lado do bolsonarismo.
Outro eixo de forte repercussão na entrevista foi a crítica à cobrança de pedágio na BR-364. Scheid classificou a tarifa como um “chicote no couro do rondoniense” e afirmou que Rondônia sofre um impacto mais severo do que outras unidades da federação por possuir apenas uma rodovia estruturante, sem alternativas de deslocamento. Ao longo da conversa, o pré-candidato vinculou diretamente o custo do pedágio ao aumento do preço dos alimentos, medicamentos e itens básicos.
Em um dos trechos mais duros, Scheid direcionou críticas à bancada federal de Rondônia e apontou responsabilidade política sobre a concessão. Embora tenha afirmado que todos os parlamentares possuem responsabilidade no processo, concentrou observações sobre o senador Confúcio Moura, presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, afirmando que o parlamentar teria “digital” no modelo aprovado. Na avaliação do entrevistado, faltou enfrentamento institucional ao processo de concessão e diálogo prévio com setores produtivos do estado antes da implementação da modelagem da BR-364. Ele sustentou ainda que empresas de transporte estariam migrando operações para Mato Grosso diante dos custos logísticos, classificando o cenário como economicamente danoso para Rondônia.
A entrevista também ganhou contornos ideológicos quando Robson Oliveira questionou Scheid sobre o estereótipo de que sua eventual candidatura teria como foco exclusivo a defesa do bolsonarismo e pautas contra ministros do STF. O pré-candidato respondeu afirmando que considera constitucional o impeachment de ministros da Suprema Corte e sustentou que o Congresso Nacional precisaria assumir postura reformista. Em uma das falas mais incisivas do programa, afirmou: “Eu não sou contra o STF. Eu sou contra aquele que ocupa a cadeira e usurpa a função acima do devido”.
Na mesma linha, Scheid defendeu mudanças no Código de Processo Penal, endurecimento contra o crime organizado, revisão da Constituição e fortalecimento do papel fiscalizador do Congresso. Em sua visão, parte dos problemas nacionais estaria relacionada ao excesso de interpretações constitucionais feitas pelo Judiciário. “O ministro da Suprema Corte não pode se achar maior que a própria Constituição”, afirmou durante o debate com Robson Oliveira.
Também houve espaço para divergências sobre meio ambiente, preservação da Amazônia e exploração econômica de recursos naturais. Ao ser questionado se seria “negacionista climático”, Scheid rejeitou a classificação e afirmou defender preservação ambiental aliada à atividade econômica. Criticou organizações internacionais, argumentou que o manejo florestal seria um instrumento de conservação e sustentou que a burocracia estatal estimularia a clandestinidade econômica. Em uma das falas mais diretas do bloco, afirmou: “Eu sou favorável à preservação da Amazônia, mas em primeiro lugar da Amazônida”. O pré-candidato também defendeu a regulamentação de atividades econômicas ligadas ao setor mineral e madeireiro como forma de reduzir ilegalidades ambientais.
A relação com Jair Bolsonaro ocupou parte substancial da entrevista e serviu como fio condutor da narrativa construída por Scheid sobre sua entrada na política. O empresário afirmou que o vínculo começou após um episódio traumático ocorrido em agosto de 2018, quando diz ter sido vítima de cárcere privado em uma fazenda de sua família, em Alvorada do Oeste. Segundo seu relato, integrantes armados da Liga dos Camponeses Pobres teriam invadido a propriedade, submetendo-o a quase 20 horas de tortura, humilhação e ameaças. Scheid afirmou ter sido amarrado, despido e agredido diante de familiares e funcionários.
De acordo com o entrevistado, o episódio teria repercutido nacionalmente e chegado ao então deputado Jair Bolsonaro por meio de um assessor identificado como Eduardo. Scheid relatou que o então candidato à Presidência entrou em contato para pedir autorização para utilizar o caso em discursos de campanha. O empresário disse ter enviado imagens por e-mail e sustentou que Bolsonaro passou a citar o episódio publicamente como exemplo de sua defesa da propriedade privada.
Posteriormente, segundo Scheid, a relação teria sido retomada em 2020 após novo contato com o gabinete presidencial. O entrevistado afirmou que, desde então, passou a integrar o círculo próximo do ex-presidente, dizendo ter percorrido mais de 900 municípios ao lado de Bolsonaro em três anos, inclusive dirigindo veículos em agendas políticas. Em tom emocional, declarou ter desenvolvido relação de proximidade comparável à de pai e filho, relatando episódios de cuidado com a saúde do ex-presidente e convivência na residência do líder político.
Embora o núcleo principal da entrevista tenha permanecido concentrado em polêmicas políticas e ideológicas, o terço final da conversa avançou sobre aspectos pessoais e memórias de infância. Scheid contou ter nascido em Paragominas, no Pará, e chegado a Rondônia ainda bebê. Disse ter sido criado no bairro Caladinho, na Zona Sul de Porto Velho, onde teria vivido até 1998. O entrevistado relembrou dificuldades financeiras da infância, episódios de alagamento e convivência comunitária, mencionando amigos, professores e antigos moradores do bairro como referências afetivas de sua formação.
Ele também associou parte de sua visão sobre conflitos agrários à morte do pai, assassinado quando ele ainda era bebê, em disputa fundiária ocorrida no Pará. Ao revisitar o episódio, sugeriu que sua trajetória teria sido moldada por experiências relacionadas à defesa da propriedade rural e à segurança no campo.
Durante a entrevista, Robson Oliveira afirmou ter iniciado a conversa com um “estereótipo” sobre o entrevistado, dizendo imaginá-lo como alguém “chucro” e mais ligado ao confronto físico do que ao debate político. Ao fim do programa, contudo, declarou ter se surpreendido com a desenvoltura argumentativa do pré-candidato, ao passo que Scheid reforçou disposição de retornar ao podcast para aprofundar temas ligados à economia, segurança pública e política nacional. O Resenha Política é apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica.
10 FRASES DE BRUNO SCHEID AO RESENHA POLÍTICA
01. “Os outros que estão incomodados, né? Desculpa, eu estou cagando, velho.”
Ao responder sobre eventual rejeição dentro de estruturas partidárias e resistência de setores políticos tradicionais, Bruno Scheid afirmou não se preocupar com descontentamento de lideranças e declarou que sua prioridade seria agradar o cidadão comum, associando sua postura ao modelo político de Jair Bolsonaro.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
02. “Quem invade propriedade privada é tão criminoso quanto qualquer assaltante na rua que comete latrocínio, estupro.”
A frase surgiu durante discussão sobre reforma agrária, invasões de terra e o período em que o MST permaneceu próximo a uma propriedade da família. Apesar da crítica às invasões, Scheid declarou apoiar a reforma agrária desde que executada pela União dentro da legalidade.
03. “Eu não sou contra o STF. Eu sou contra aquele que ocupa a cadeira e usurpa a função acima do devido.”
A declaração foi feita quando o entrevistado abordou críticas ao Judiciário e defendeu possibilidade constitucional de impeachment de ministros da Suprema Corte.
04. “O ministro da Suprema Corte não pode se achar maior que a própria Constituição.”
A fala apareceu no bloco sobre reforma institucional, momento em que Scheid argumentou pela necessidade de mudanças no Código de Processo Penal e revisão constitucional.
05. “Sem Bolsonaro, eu jamais estaria sentado na tua frente hoje.”
O pré-candidato utilizou a frase ao explicar o tamanho de sua gratidão e lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atribuindo ao vínculo político parte de sua projeção pública.
06. “É um chicote no couro do rondoniense.”
A expressão foi usada para criticar o pedágio da BR-364, apontado por Scheid como excessivamente oneroso para a população e para a economia estadual.
07. “Eu sou favorável à preservação da Amazônia, mas em primeiro lugar da Amazônida.”
A frase foi dita no momento em que o entrevistado respondeu questionamentos sobre preservação ambiental e impactos econômicos sobre a população amazônica.
08. “A única dívida que eu tenho é com o Jair Messias Bolsonaro.”
A fala surgiu ao responder críticas sobre independência política e possíveis vínculos com grupos partidários locais.
09. “A vida me escolheu para viver do lado do meu amigo, que hoje é meu amigo.”
O comentário foi feito durante o relato sobre a proximidade pessoal com Bolsonaro, incluindo cuidados com medicamentos e convivência em agendas políticas.
10. “Os meus principais adversários nessa pré-candidatura é a dor do rondoniense como um todo.”
Scheid utilizou a declaração ao defender que sua plataforma política não se limitaria a pautas ideológicas, mas incluiria questões econômicas, sociais e geração de oportunidades no estado.
