Presidente participa da Hannover Messe, destaca potencial brasileiro na descarbonização, aborda inteligência artificial e cobra responsabilidade global diante de conflitos
Porto Velho, RO – A redução de custos energéticos na Europa e o avanço da descarbonização industrial foram apontados como resultados possíveis de uma parceria com o Brasil, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante participação na abertura da Hannover Messe, na Alemanha, considerada a maior feira industrial do mundo. A proposta foi apresentada neste domingo (19), diante de autoridades e representantes empresariais.
De acordo com o presidente, a contribuição brasileira depende do reconhecimento, por parte da União Europeia, da matriz energética limpa utilizada nos processos produtivos do país. Ele afirmou que regras do bloco devem considerar essa característica para viabilizar cooperação mais ampla.
No evento, acompanhado pelo chanceler alemão Friedrich Merz, Lula também abordou a necessidade de enfrentar o que classificou como “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira. O discurso foi marcado por reações positivas do público em diversos momentos.
Ao tratar do cenário internacional, o presidente criticou os efeitos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, ao qual se referiu como “maluquice”. Ele afirmou que, embora o Brasil seja menos impactado diretamente, medidas internas foram adotadas para reduzir efeitos, especialmente devido à dependência de importação de cerca de 30% do óleo diesel consumido no país.
Segundo Lula, a instabilidade no Oriente Médio tem provocado oscilações nos preços do petróleo, elevando custos de energia e transporte. Ele também destacou a escassez de fertilizantes como consequência, o que impacta a produção agrícola e amplia a insegurança alimentar, afetando principalmente as populações mais vulneráveis.
Ainda sobre o cenário global, o presidente mencionou o volume de US$ 2,7 trilhões destinados a guerras, ao mesmo tempo em que persistem desigualdades. Ele defendeu que membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU assumam responsabilidade na busca por soluções.
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No campo econômico, Lula afirmou que o Brasil registra o menor índice de desemprego de sua história e defendeu mudanças na jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1 e a ampliação do descanso semanal. Em relação à inteligência artificial, alertou que a tecnologia, embora aumente a produtividade, também tem sido utilizada sem parâmetros legais ou morais em contextos militares.
Ele afirmou que, caso a inteligência artificial produza benefícios, será necessário considerar os impactos sobre o mercado de trabalho. Ressaltou que a ausência de oportunidades pode agravar problemas sociais.
O presidente informou que o país pretende implementar, em 2026, um programa voltado à economia verde e à indústria 4.0. No comércio internacional, destacou a relevância do acordo entre Mercosul e União Europeia, que deverá criar um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto de US$ 22 trilhões.
Lula também mencionou metas ambientais, incluindo o compromisso de alcançar desmatamento zero na Amazônia até 2030. Segundo ele, houve redução de 50% no desmatamento da Amazônia e de 32% no Cerrado nos últimos três anos.
Na área de energia, afirmou que cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é limpa. Acrescentou que o país possui potencial para produzir hidrogênio verde a baixo custo e destacou o uso de biocombustíveis, com mistura de 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel.
Sobre recursos minerais, o presidente indicou que o Brasil possui reservas significativas de nióbio, grafita, terras raras e níquel, mesmo com apenas 30% do potencial mineral mapeado. Defendeu que o país busque parcerias internacionais com transferência de tecnologia, evitando atuar apenas como exportador de matéria-prima.
Com informações de: Agência Brasil
