Onda de calor, críticas às pesquisas, alianças cruzadas, reta final dos debates e movimentação de ex-parlamentares e delegados completam a coluna
Perdas, danos e medos
Poucas dúvidas restavam sobre a anunciada onda de calor prevista desde o início do ano para a Amazônia em meados de agosto. Uma dessas dúvidas era se a onda seria mais forte ou mais amena que as já experimentadas na região. É o que sempre se pergunta a cada previsão: o fato em si, quando vier, será mais ou menos intenso? A julgar pela memória recente e pelos temores apocalípticos alimentados na mídia, espera-se pelo pior.
A baixa umidade do ar contribui para essa sensação e, por mais que se pesquise, não parece possível achar previsões científicas que desfaçam a sensação e o temor de pioras futuras no clima. Mais recentemente, as mensagens da Defesa Civil trazem uma sensação ainda maior de riscos futuros, pois a imaginação não se concentra em ventos suaves, inclinando-se a cogitar assustadoras tempestades, com destruição material e até perdas de vidas.
A tecnologia domina as atenções humanas por uma infinidade de avisos, toques, mensagens, ligações, cobranças e publicidade. Mesmo desligando os sons mais irritantes, o usuário recebe os impactantes avisos de tempestade da Defesa Civil. Como são alertas que podem salvar bens e vidas, eles passam por cima de todos os controles suspensos. As mensagens de tempestade têm a seu favor um ativo de benefícios importantes, mas inegavelmente contribuem para a expectativa e a percepção de tempos futuros mais difíceis. Esperar pelo pior já é uma tendência.
Debate quente
O debate da SIC TV, realizado na noite de segunda-feira, foi marcado por uma intensa troca de acusações entre os candidatos ao Governo de Rondônia. Expedito Netto e Samuel Costa protagonizaram um dos confrontos mais acalorados, enquanto Adailton Fúria voltou a direcionar questionamentos a Marcos Rogério.
Muita baixaria
A avaliação da coluna é de que o encontro teve momentos de baixaria e ataques pessoais, inclusive com referências a familiares de candidatos. Ao mesmo tempo, o debate também expôs estilos distintos, propostas e estratégias dos postulantes ao Governo.
A predominância
Pela primeira vez na história política de Rondônia teremos quatro candidatos nascidos em nosso estado disputando o governo estadual. Em todas as campanhas anteriores predominaram migrantes que vieram participar da colonização de Rondônia e a maioria dos governadores eleitos desembarcaram de outros estados, como Jerônimo Santana, de Goiás; Valdir Raupp e Ivo Cassol, de Santa Catarina; José Bianco, do Paraná; Ângelo Angelim, de São Paulo; Confúcio Moura, de Goiás; e coronel Marcos Rocha, do Rio de Janeiro.
Também a maioria dos vices era procedente de outros estados, como Orestes Muniz, de Minas Gerais; Assis Canuto, de Goiás; Airton Gurgacz e Daniel Pereira, do Paraná etc. Só Piana, um legítimo minhoca.
Mais minhocas
Nas eleições de 2026 teremos mais candidatos ao Palácio Rio Madeira, sede do governo estadual, minhocas, ou seja, nascidos em Rondônia. Quatro dos seis candidatos são rondonienses: o senador Marcos Rogério, com base eleitoral em Ji-Paraná; Expedito Netto, com redutos na capital e na Zona da Mata; Samuel Costa, com base na capital rondoniense; e Adailton Fúria, com domicílio eleitoral em Cacoal, na região do Café.
Os dois candidatos nascidos fora de Rondônia são Pedro Abib, de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e Hildon Chaves, de Pernambuco. Abib veio adolescente para Rondônia e Chaves reside no estado há mais de 30 anos.
Final da temporada
Está chegando ao final a temporada dos debates e sabatinas realizados pelos canais de rádio e televisão entre os candidatos ao Governo. O último deles, programado pela TV Rondônia, deve ocorrer na próxima terça-feira, dia 29. Todos os seis candidatos ao CPA Rio Madeira confirmaram presença.
Também se aproxima o encerramento da divulgação de pesquisas antes da votação. A coluna volta a criticar as diferenças registradas entre levantamentos eleitorais divulgados ao longo da campanha.
Duas canoas
A coluna também chama atenção para políticos que participam de articulações ligadas a grupos distintos nestas eleições de 2026. Expedito Júnior é citado como integrante da campanha do ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria ao Palácio Rio Madeira e, ao mesmo tempo, como articulador da candidatura do filho Expedito Netto ao Governo.
O ex-governador Ivo Cassol aparece relacionado à campanha de Hildon Chaves e ao apoio à candidatura de Mariana Carvalho ao Senado, ao mesmo tempo em que mantém vínculos políticos com candidatos à Câmara dos Deputados que integram a chapa de Fúria.
Jogo duplo
Outros movimentos cruzados também aparecem na reta final. Parte de aliados ligados ao governador Marcos Rocha permanece próxima da candidatura de Adailton Fúria, enquanto outro grupo se aproximou de Hildon Chaves.
Também há integrantes ligados à campanha de Fúria que passaram a apoiar Mariana Carvalho ao Senado, embora a candidata esteja na chapa de Hildon. Nas disputas proporcionais, as alianças e apoios cruzados também se multiplicam.
Via Direta
O ex-deputado estadual Edson Martins é mais um dos ex-parlamentares voltando a disputar cargos eletivos no interior do estado. Do rol dos ex-deputados estaduais também estão Ernandes Amorim, Carlos Magno e Hermínio Coelho, todos na disputa para a Assembleia Legislativa.
Dividido, o clã Donadon está com dois candidatos à Câmara dos Deputados em Vilhena. A coluna avalia que a divisão pode afetar a estratégia eleitoral do grupo.
Também chama atenção a quantidade de delegados de polícia disputando vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados em Rondônia, além da presença de um delegado como candidato a vice-governador.

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AUTOR: CARLOS SPERANÇA





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