Coluna aborda desenvolvimento sustentável na Amazônia, avalia o debate ao Governo, questiona o rompimento de Fúria com Marcos Rocha e analisa as cartas de Rogério, Fúria e Hildon para um eventual segundo turno
Para ganhar tempo
A Amazônia há séculos enriquece aqueles que a exploram das mais variadas formas, legal ou ilegalmente, mas ainda é considerada, por sua vastidão desafiadora, uma região com reduzida capacidade de desenvolvimento. É um grande potencial subutilizado pelo poder público, mal utilizado por interesses criminosos e pouco aproveitado pelos seus povos.
Diante dessa realidade, vale aprofundar um conceito formulado pela economista Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável: “A Amazônia não pode ser um lugar onde você não pode tocar. A Amazônia tem que ser uma plataforma de desenvolvimento”.
Opõe-se ao conceito passivo de apenas deixar a floresta intocada, portanto, e defende que a floresta não só pode como deve ser aproveitada para o desenvolvimento econômico da região e do país. Marina, ao formular a proposta de estabelecer a floresta e os espaços urbanos que se desenvolveram nela historicamente como “uma plataforma de desenvolvimento”, sintetiza tudo o que ao longo dos anos os melhores defensores da Amazônia sugerem: conciliar proteção ambiental com aproveitamento econômico.
Neste momento há centenas de empresas, entidades e organismos públicos que ostentam em seus nomes a marca “Amazônia”, mas não há sinais claros que estejam unidos em uma plataforma. É aconselhável que o façam, sem perda de tempo.
Mais qualidade
Num debate travado na terça-feira a noite na TV Rondônia, finalmente o favorito nas eleições ao governo de Rondônia Marcos Rogério foi fustigado pelos adversários, o desmemoriado Ilildon Chaves performou melhor do que nos embates anteriores, os candidatos do baixo clero deste pleito Expedito Neto e Samuel Costa mostraram bom desempenho deixando de lado as baixarias exibidas na SIC TV e apresentando boas propostas, Adailton Fúria, o loquaz, com grande desenvoltura e o candidato do MDB Pedro Abib repetindo as boas atuações nos debates realizados anteriormente. Um dos destaques do evento, Expedito Neto bombardeou Rogério. Mas faltou uma bala de prata, aquela que nocauteia de vez, para o bolsonarista perder o rumo.
Mais oposicionista!
Ainda no debate, Adailton Fúria caprichou no seu teatrinho de rompimento com o governador Marcos Rocha. Embora chapa branca, com dezenas de comissionados seus no atual governo e mantendo um vice indicado pelo governador, se mostrou mais oposicionista do que os candidatos oposicionistas. Taca-he o pau na segurança pública, na saúde, no estado precário das estradas, etc. Foi convincente. Chama atenção que não existe rompimento oficial, deputados aliados a Rocha seguem apoiando Fúria. Chama atenção que aquele que foi indicado de vice, Everton Leoni não defende Rocha. Se fosse verdadeira esta ruptura dita por Fúria, diante de uma tempestade de críticas, Leone por lealdade ao seu mentor, teria deixado o cargo de vice. Rocha não se defende, não escala ninguém para lhe defender –poderia ser Leone, né? – e o jogo de cena segue….
Cartas na manga
Três candidatos, considerados de ponteira na eleição deste domingo, disputam duas vagas ao previsível segundo turno, cuja campanha promete ser acirrada. Cada um tem suas cartas na manga para ingressar na próxima etapa, num pleito sempre sujeito a reviravolta contra os favoritos. Não se descarta também algum nome surpreender os favoritos, senador Marcos Rogério (PL), os ex-prefeitos Adailton Fúria (PSD) e Hildon Chaves (da Federação União Progressista), pois a tradição rondoniense é proporcionar surpresas nos últimos dias antes do pleito eleitoral. Temos dois candidatos com bases no interior, Rogerio (Ji-Paraná) e Fúria (Cacoal) e um com reduto na capital, Hildon Chaves. O interior com quase 1 milhão de eleitores, Porto Velho com seus 350 mil. .
Marcos Rogério (PL)
Favorito –como foi também foi em 2022 quando acabou perdendo a eleição para o atual governador Marcos Rocha – Rogério desembarca neste domingo na liderança. Tem boas cartas para o segundo turno: o apoio integral do ex-presidente Jair Bolsonaro da ex-primeira dama Michele e do candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Vai trazer ao seu palanque as principais lideranças conservadoras do País. Tem fartura de recursos do seu fundão eleitoral e a sua disposição um exército de pastores evangélicos. Sua chapa é completa de extrema direita, já que seu vice, o delegado Camargo também viceja neste campo conservador. Na capital, tem como maior respaldo o seu candidato ao Senado, Fernando Máximo e o atual prefeito Leo Moraes.
Adailton Fúria (PSD)
O ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria foi reeleito com a maior aprovação no estado e é considerado um dos melhores alcaides da safra de prefeitos sendo reeleito em 2024. Foi lançado na disputa numa articulação envolvendo o governador Marcos Rocha e seu então adversário Expedito Junior em pleitos passados. Convencido que a atual gestão peca muito na saúde e na segurança, Fúria renegou o apoio do atual mandatário nas últimas semanas num jogo de cena que tem seus prós e contras e que ficará mais claro no segundo turno. Não teve rompimento oficial com o governador e muitos candidatos a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados ligados ao CPA seguem apoiando o ex-prefeito de Cacoal. O vice Everton Leoni, com seu populismo, garante boa votação a Fúria na capital.
Hildon Chaves (União Progressista)
O ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves chega ao pleito de domingo com o prestigio de um grande administrador, autor de grandes obras na capital e no comando da Associação Rondoniense de Municípios. Conta com a melhor chapa ao Senado, com a deputada federal Silvia Cristina (PP-Ji-Paraná) e a ex-deputada federal Mariana Carvalho (Porto Velho). É um candidato conservador, no entanto mais moderado que Marcos Rogério. Conta com muitos recursos do fundão eleitoral. Perdeu a condição de favorito nos debates em função da covid que lhe causou problemas de memória. Projeta uma grande vantagem sobre seus principais adversários na capital, mas enfrenta dificuldades para interiorizar seu nome, problema que já afetou outros candidatos de Porto Velho em eleições passadas.
Em dois turnos
O candidato bolsonarista Marcos Rogério buscou projetar uma vitória em turno único com pesquisas contraditórias e que não convenceram o grande público. Se vê agora diante de uma batalha renhida no segundo turno, onde seus adversários se unem, equilibrando a peleja. Rondônia é um estado conservador com regiões populosas voltadas ao bolsonarismo, como são os casos de Vilhena e todo Cone Sul rondoniense e Ariquemes e todo o Vale do Jamari. A capital é menos bolsonarista e a candidata à prefeitura de Porto Velho Mariana Carvalho perdeu a eleição em 2024 com todo apoio dos bolsonaros. No pleito 2026 até o prefeito Leo Moraes que venceu Mariana em 2024, virou bolsonarista, apoiando Marcos Rogério.
Via Direta
* Mais uma eleição com pesquisas desmoralizadas. Os donos de alguns institutos perderam a vergonha de vez. Cada pesquisa com resultado diferente, muitas simultâneas * Até agora não se sabe para quem foi destinado o apoio do ex-governador Ivo Cassol ao governo de Rondônia. A todos que compareceram na sua casa foram bem recebidos, comeram um bom churrasco e tomaram chimarrão lá em Rolim, mas nada ficou acertado * Na verdade Ivo está com um pé na campanha de Fúria, onde indicou Everton Leoni de vice e outro pé na canoa de Hildão, onde tem um genro como suplente da candidata ao Senado Mariana Carvalho * Vem aí o segundo turno. Vamos ver com quem Ivo subirá no palanque.
Com informações de: Carlos Sperança

[Saiba como o Informa Rondônia seleciona seus colunistas e especialistas convidados]
AUTOR: CARLOS SPERANÇA





COMENTÁRIOS:





